Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

Alimentos em ALTA

Expectativa do setor é fechar o ano com crescimento de 8% tanto para bovinos de corte quanto de leite

Bruno Santos
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Seguindo as tendências da economia brasileira, a indústria de alimentação animal também apresentou crescimento sólido neste ano. A estimativa é que o setor produza mais de 64 milhões de toneladas de ração, um incremento da ordem de 4,7% diante das 60 milhões de toneladas de 2010.

De janeiro a outubro deste ano, já foram fabricadas mais de 53 milhões de toneladas de rações, o que representa uma alta de 6% em comparação com o mesmo período de 2010, quando foram produzidas pouco mais de 50 milhões de toneladas.

Segundo o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Industrial de Alimentação Animal (Sindirações), Ariovaldo Zani, a expectativa é que o setor movimente algo em torno de 20 bilhões de dólares em insumos. A estimativa é que a indústria de sal mineral alcance um aumento de mais de 9%, com a comercialização de 2,35 milhões de toneladas, enquanto as rações em geral podem alcançar avanço de 4,5%.

Bovinocultura de corte

O setor de alimentação animal para bovinos de corte foi o que mais apresentou crescimento, uma vez que em 2010 tinha apenas compensado as perdas acumuladas nos anos anteriores. Já para esse ano, a estimativa da divisão é produzir 2,7 milhões de toneladas, o que representa um tímido aumento de quase 8%.

Os produtos destinados para confinamento, que devem crescer por volta de 10%, segundo o Sindirações, também tiveram ótimo desempenho. Animou também o segundo levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), cujo número de animais confinados em 2010 foi inferior a 2009, o que poderia facilitar uma alta em 2011.

Para Zani, esse aumento pode ser sustentado por vários fatores, entre eles: a intensidade do frio, as pastagens secas e o alto custo da alimentação, que diminuíram a oferta do boi de pasto e de cocho. “Além disso, a escassa oferta de bezerros, os episódios de aftosa no Paraguai e a valorização do dólar têm contribuído para manutenção da arroba em patamar superior aos R$ 100,00. A expectativa é somar mais de U$ 5 bilhões com as exportações de 1 milhão de toneladas de carne bovina em 2011”, enfatizou.

Bovinocultura leiteira

A estimativa do setor de produção de ração para a bovinocultura leiteira, também é de um crescimento de 8%, com a produção de 5 milhões de toneladas.

Para o executivo do Sindirações, ainda houve limitantes na produção, consequente da baixa qualidade das pastagens, por conta da estiagem e da queda na captação por fatores logísticos e climáticos, que fortaleceram o preço pago ao produtor. “Todavia, o alto custo do milho, farelo de soja e outros insumos, continuam estrangulando a recuperação da atividade, que deve produzir mais de 31 bilhões de litros de leite em 2011”, revelou.

Expectativas para 2012

O desempenho da indústria de alimentação animal brasileira comprovou que já superou as instabilidades dos últimos anos, porém ele é dependente do impulso da indústria fornecedora de alimentos que, por sua vez, é modulado pela capacidade de demanda do consumidor doméstico e pelo interesse de consumo dos clientes internacionais.

O flagrante esfriamento econômico brasileiro no último trimestre parece ainda não ter influenciado demasiadamente o preço dos alimentos no varejo, embora a desaceleração da economia chinesa e o agravamento da crise fiscal europeia representem risco potencial.

A expectativa é que a indústria de sal mineral alcance um aumento superior a 9%

De acordo com Zani, a deflagração de uma nova crise financeira global pode ser amenizada no Brasil por sua disciplina na gestão macroeconômica alicerçada em um sistema financeiro sólido e moderno, Banco Central autônomo, política de câmbio flutuante e setor público que vem acumulando superávits primários de U$ 350 bilhões em reservas.

Ele afirma ainda que os empreendedores brasileiros poderão suportar uma economia global convalescente se o país continuar a crescer e a vencer os desafios dos ganhos de produtividade, disponibilidade de mão de obra especializada e mobilização dos investimentos necessários para o crescimento econômico.