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Café

 

Esfriada indigesta

As cotações do café em 2013 caíram para o nível mais baixo em quatro anos. A bica de bebida dura do sul de Minas caiu de R$ 337/saca no início do ano para R$ 285 em julho

Lessandro Carvalho
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O ano de 2013 está sendo de desgosto para os produtores brasileiros de café. As cotações caíram aos patamares mais baixos desde 2009 e o mercado vai cavando cada vez mais fundo, sem encontrar o final do poço. Nos fundamentos, a oferta, embora ainda justa frente a uma demanda crescente, melhorou nos últimos anos e a postura mais cautelosa dos compradores contribui para a queda nos preços. Do começo do ano até agora, o café caiu mais de 22% na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Ice Futures), que baliza a comercialização internacional do arábica. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, se ampliado o campo de visão, a situação é ainda mais crítica, uma vez que ao longo de 2012 a Embrapa Café bebida já havia acumulado desvalorização de 36%.

Para Barabach, o café vem tomando "surras homéricas", que naturalmente geram queixas dos cafeicultores e deixam sequelas. "Lógico que a queda no preço nunca é boa para quem vende, mas talvez o que piora a situação do produtor brasileiro é a sua postura diante do revés de mercado", comenta. A queda nos preços teve como consequência, por mais antagônico que pareça, o aumento da expectativa de alta nos preços, pondera o analista. "Os produtores elevaram a crença de melhora das cotações, baseando sua ação na oferta curta e no aperto sazonal. Só que os preços não reagiram. O plano B foi apostar na entrada do Governo. E o Governo, primeiro, demorou para decidir sobre preço mínimo. Depois, demorou para aprovar a verba para os programas de garantia de preço mínimo. E demorou para iniciar os programas", critica. Todas essas questões fizeram os produtores retardar suas posições. Enquanto isso, o preço não parava de cair.

O resultado, na prática, foi preço mais baixo e acúmulo de oferta no final da temporada 2012/13 (julho/junho). Estoques passados se juntaram com oferta nova que ainda chega, com a colheita iniciando no primeiro semestre, ampliando a pressão fundamental sobre o mercado. Para Barabach, só o estresse climático pode tirar o café da rota negativa. "A não ser que haja uma reviravolta muito grande no mercado, o 2013/2014 51 produtor terá que conviver com preços inferiores aos que eram ofertados antes de maio", afirma. A bica de bebida dura do Sul de Minas, que no começo do ano era negociada a R$ 337 a saca de 60 quilos, terminou julho negociada de R$ 285 a R$ 290. E só não está pior por conta do dólar, que nesse mesmo período subiu mais de 11%. O frio e o dólar deram algum alento de alta, com os preços tendo avançado no momento em que houve risco de geadas, afastando o mercado do patamar de R$ 265 a saca do final de junho.

Segundo o analista de Safras, está difícil enxergar no curto prazo alguma coisa que dê consistência a uma retomada das cotações. "A leitura é negativa. Algum susto climático, talvez. A própria entrada do Governo é vista apenas como um atenuante, sem poder de impulsionar uma reação mais significativa nas cotações", avalia Barabach.

Safra brasileira e mundial - A safra brasileira 2013/14 deve ficar em 52,9 milhões de sacas de 60 quilos, de acordo com a segunda sondagem de Safras & Mercado para a temporada. A previsão fica acima do topo da primeira sondagem de Safras, de dezembro de 2012, que indicava uma produção de 49,1 milhões a 52,3 milhões de sacas. Segundo o analista Barabach, responsável pela sondagem, isso ocorreu devido ao resultado acima do esperado para a safra de arábica de Minas Gerais e de São Paulo, que inclusive compensou dados abaixo da expectativa para o conillon em algumas áreas.

Já a produção 2012/13 foi revisada para cima por Safras de 54,4 milhões de sacas para 55,2 milhões de sacas. Na comparação entre as safras 2013/ 14 e 2012/13, Safras projeta, portanto, uma redução na produção de 4%, fruto da bienalidade – este ano é ciclo baixo produtivo. A produção total de arábica 2013/14 foi indicada em 37,9 milhões de sacas, com queda de 7% contra 2012/13 (40,6 milhões de sacas). Já a safra 2013/14 de conillon foi colocada em 15 milhões de sacas, devendo ter aumento de 3% na comparação com 2012/13 (14,6 milhões de sacas).

Organização Internacional do Café (OIC) apontou que a produção mundial de café em 2012/13 (outubro/ setembro) deverá ficar em 144,611 milhões de sacas, tendo assim um incremento de 7,8% no comparativo com a safra 2011/12, que tem a Cíntia Duarte produção colocada em 134,140 milhões de sacas. Os números partem do relatório de junho da OIC. Para a entidade, na Ásia e Oceania a produção deve aumentar 7,2% para 42,6 milhões de sacas, apesar da queda de 8,6% indicada na safra do Vietnã. Na Indonésia, a produção deve aumentar 74,7% e alcançar o recorde de 12,7 milhões de sacas.

A ferrugem na América Central e no México deve gerar prejuízo total de 2,7 milhões de sacas em 2012/13, com custo estimado em US$ 500 milhões. Assim, a produção na América Central e no México em 2012/13 deverá cair 14,9%, para 17,3 milhões de sacas. Na América do Sul, a produção está estimada em 66,4 milhões de sacas em 2012/13, com incremento de 13,7% contra 2011/12. O consumo global em 2012 para o café é estimado pela OIC em 142 milhões de sacas, subindo 2,4% sobre 2011, indicado em 138,971 milhões de sacas. As exportações globais de outubro a maio de 2012/13, acumulado dos oito primeiros meses da temporada, chegaram a 75,691 milhões de sacas, tendo aumento de 5,2% contra o mesmo período de 2011/12 (71,957 milhões de sacas).

A safra brasileira 2013/14 deve ficar em 52,9 milhões de sacas, enquanto a produção 2012/13 foi revisada para cima por Safras & Mercado, para 55,2 milhões de sacas