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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Arroz

 

Tempos de estabilidade

Levantamento de intenção de plantio para o arroz na temporada 2013/14 apura ligeiro aumento de 0,9% na área, para 2,413 milhões de hectares, expansão influenciada pelos bons preços mercado interno e possibilidade de exportações valorizadas pelo câmbio. A produção deverá crescer 1,2%, para 12,098 milhões de toneladas

Rodrigo Ramos
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O mercado rizicultor brasileiro começou a sentir em meados de 2013 os efeitos da intensificação do período de entressafras, principalmente no Rio Grande do Sul, o maior produtor. "A Seagro sazonalidade de menor oferta aparece como fator de suporte", explica o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. Nas demais regiões, os preços apresentam certa estabilidade, devido, basicamente, ao bom volume importado durante o primeiro semestre de 2013, no qual foi verificado um recuo no preço do arroz gaúcho de 4,1% sobre o primeiro dia útil do ano, 2 de janeiro, quando estava na média de R$ 35,30 por saca de 50 quilos em casca. "Desde o início do ano até então, o valor do grão no estado apresentou oscilações distintas, sofrendo impactos de importações e do período de colheita", lembra.

As importações em 2013, de janeiro a junho, alcançaram patamar de aproximadamente 635 mil toneladas base casca, o que significa acréscimo de 29,5% sobre o volume adquirido do exterior em igual momento do ano passado. "Na época foram importadas cerca de 490 mil toneladas ou o equivalente a 114,6 mil toneladas a mais", frisa Aquiles. Já as exportações, de janeiro a junho de 2013, foram em torno de 485,5 mil toneladas, 52,9% abaixo do montante enviado ao exterior em igual período de 2012, de 1,03 milhão de toneladas, diferença de 544,2 mil toneladas a menos. "Sendo assim, a balança comercial do setor apresenta um déficit de aproximadamente 149,5 mil toneladas base casca em 2013, o que, de certa forma, pressionou os preços durante os meses de março a junho", pondera o analista. No mesmo período de 2012, a balança teve superávit de 539,3 mil toneladas. Neste cenário de entressafra, o valor médio pago ao produtor gaúcho no dia 15 de julho (R$ 33,86/saca) apresentava elevação de 15,7% sobre o mesmo momento em 2012, quando estava a R$ 29,27. E apontava desvalorização de 4,1% sobre o primeiro dia útil de 2013.

Em Santa Catarina, o cereal teve tendência de queda até meados de abril, quando retomou trajetória de leve valorização. No município de Turvo, a média do cereal não teve retração expressiva no período de colheita, pois desde o começo do ano a média passou de R$ 36 por saca de 50 quilos para a mínima de R$ 32 em meados de abril, sendo que a média atual de R$ 33 por saca aponta retração de 8,3% sobre o valor pago em janeiro. Se levar em consideração a média de julho do ano passado, ainda existe acréscimo significativo de 18,9%, pois naquela época a média era de R$ 27,75 por saca. Em Mato Grosso, o quinto maior produtor do cereal, a cotação se manteve em queda ao longo do período de colheita até o final de abril, mas voltando a tomar tendência de alta, com estabilidade em determinados momentos. Na localidade de Sinop, a média era de R$ 36 por saca de 60 quilos de arroz em casca no dia 15 de julho, ficando 2,9% acima do preço médio em igual momento de junho, quando estava a R$ 35, e recuando 12,2% em comparação com mesmo período no ano passado, quando estava a R$ 41 por saca.

No primeiro semestre de 2013 foi verificado um recuo no preço do arroz gaúcho de 4,1% sobre o primeiro dia útil do ano, 2 de janeiro, quando estava na média de R$ 35,30 para a saca de 50 quilos em casca

Exportações podem reagir — Diante do cenário formado atualmente, com taxa de câmbio elevada e déficit na balança comercial do setor, é possível que as exportações retomem um ritmo elevado. "E, em contrapartida, as importações devem recuar, dando margem para um aumento de preços ao longo do ano, favorecidos pelo período de entressafras", explica Aquiles. Por outro lado, a tendência de queda nos preços do mercado mundial e as políticas de autosuficiência de países da África poderão frear a retomada das vendas externas, mantendo a boa oferta interna e os preços estabilizados. Outro ponto a ser destacado é o provável aumento do preço mínimo no País, com exceção do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, de acordo com a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN). "Isto deve dar impulso para o aumento dos preços nas demais regiões produtoras do País, caso o Governo decida fazer aquisições via leilões, para garantir o preço determinado pela lei."

O setor de política setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou no dia 22 de julho os dados da safra de arroz 2012/2013. Nesta safra os produtores gaúchos colheram em uma área de 1,076 milhão de hectares, com uma produtividade média de 7.497 quilos/ hectare, resultando em uma produção de 8,069 milhões de toneladas. A região do estado com a maior área colhida é a Fronteira Oeste, que nesta safra colheu numa área de 328.834 hectares, com uma produtividade média de 7.556 quilos por hectares e uma produção de 2.487.795 toneladas. Nesta região destacam-se o município de Uruguaiana, com uma área colhida de 81.414 hectares, produtividade de 7.867 quilos/hectare e produção de 640.487 toneladas, seguido pelo município de Itaqui, com 81.384 mil hectares, produtividade de 7.442 quilos/hectare e produção de 605.660 toneladas.

Produção brasileira — O décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2012/13 indica produção de 11,858 milhões de toneladas, acréscimo de 2,2% sobre 11,599 milhões de toneladas de 2011/ 12. No nono levantamento eram esperadas 11,924 milhões de toneladas. A área plantada com arroz na temporada 2012/13 foi estimada em 2,39 milhões de hectares, ante 2,426 milhões semeados na safra 2011/12. A produtividade das lavouras foi estimada em 4,961 mil quilos por hectare, superior em 3,8% aos 4,780 mil quilos na temporada passada.

Com exceção da região Centro- Sul, ocorreu uma redução generalizada no plantio da gramínea, motivada, entre outras razões, por baixa rentabilidade da cultura, elevados riscos e falta de incentivos, que estão desestruturando a cadeia produtiva em vários estados importantes, além das restrições ambientais ao plantio em áreas sensíveis e dos baixos preços. O Rio Grande do Sul, segundo a Conab, deve ter uma safra de 7,933 milhões de toneladas, avanço de 2,5%. A área prevista é de 1,066 milhão de hectares, alta de 1,3% ante 1,053 milhão de hectares de 2011/12, com rendimento esperado de 7.438 quilos por hectare, ante 7.350 quilos da anterior. O fato de toda a área plantada estar relacionada ao cultivo irrigado fez com que o estado obtivesse a maior produtividade nacional, a despeito dos problemas climáticos que contribuíram para que parte da semeadura tivesse ocorrido fora do período tecnicamente recomendado pelos órgãos de extensão.

Levantamento de intenção de plantio de Safras & Mercado indica que haverá no País um ligeiro aumento de 0,9% na área, de 2,393 milhões de hectares para cerca de 2,413 milhões

Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 4,9%, para 1,024 milhão de toneladas. E o estado se consolida como o segundo maior produtor. A redução na produtividade – estimada em 4,9% quando comparada com a do ano passado – deriva também do fato de que grande parte do plantio ocorreu fora da janela recomendada, fazendo com que a lavoura no seu período inicial sofresse intenso ataque do frio, doenças e também pela falta de água para irrigação. Nas demais regiões produtoras do País, a lavoura de sequeiro foi muito afetada pela instabilidade do clima. A Região Nordeste, mesmo apresentando menor intensidade, foi, pelo segundo ano consecutivo, atingida pela seca, trazendo graves comprometimentos à produtividade da lavoura.

2013/14: área com pequena elevação — O primeiro levantamento de intenção de plantio para o arroz na temporada 2013/14, realizado por Safras & Mercado, indica que haverá um ligeiro aumento de 0,9% na área, de 2,393 milhões de hectares na temporada 2012/13 para cerca de 2,413 milhões. "Este cenário está sendo influenciado pelos bons preços do grão no mercado interno e pela possibilidade de exportação, diante do real desvalorizado frente ao dólar", garante Eduardo Aquiles. As regiões que se destacam são Norte e Nordeste, que aponta elevação de 1,2% ou área total de aproximadamente 890 mil hectares. O Tocantins deve ser um dos estados que deverão ter aumento considerável na área, devido, também, à abertura de novas áreas.

O Rio Grande do Sul, com cerca de 67% da área total cultivada no País, deverá ter acréscimo de 1% na área. Já em Santa Catarina, o segundo maior produtor, a extensão deverá ficar estável, uma vez que a área disponível é limitada para o cultivo do grão. Há a expectativa de aumento da produção, estimada em 12,098 milhões de toneladas, ou o equivalente a 1,2% maior que na temporada passada, em torno de 11,958 milhões de toneladas. "Entretanto, a disputa de área com a soja ainda é forte, podendo mudar o cenário ao longo do ano", ressalta o analista. Ainda, os preços do arroz no mercado internacional estão seguindo tendência de retração, influenciados pela redução dos preços no Vietnã. "Este cenário poderia se transformar em um empecilho para as exportações, algo que não acontece com a soja, por exemplo", ressalta.

Safra americana e mundial - O relatório de julho de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a produção norteamericana de arroz beneficiado em 5,72 milhões de toneladas para a safra 2013/14, ante 6,04 milhões no mês passado. Para 2012/13, a produção do país foi apontada em 6,33 milhões de toneladas. As exportações em 2013/14 foram previstas em 3,03 milhões de toneladas de arroz beneficiado, ante 3,12 milhões no relatório passado. A projeção de consumo doméstico é de 3,56 milhões de toneladas de beneficiado em 2013/14, ante 3,66 milhões no relatório anterior. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norteamericanos de foram previstos em 910 mil toneladas para a temporada 2013/14, ante 1,05 milhão no relatório anterior. Para a safra 2012/13, os estoques finais somaram 1,03 milhão de toneladas.

Em relação ao quadro mundial, o relatório de julho de oferta e demanda do USDA estimou a produção de arroz beneficiado em 478,69 milhões de toneladas para 2013/14, ante 479,16 milhões de toneladas apontadas no mês anterior. Para 2012/13, foi estimada safra de 469,85 milhões de toneladas. As exportações mundiais foram estimadas em 38,23 milhões de toneladas para 2013/14, ante 38,41 milhões indicados no mês passado. A estimativa para o consumo é de 476,06 milhões de toneladas de beneficiado para 2013/14, ante 476,32 milhões de toneladas indicadas no mês passado. Os estoques finais mundiais na temporada 2013/14 foram previstos em 108,02 milhões de toneladas, ante 108,62 milhões de toneladas no relatório anterior. Para 2012/13, foram estimados estoques de 105,38 milhões de toneladas. A Índia deverá produzir 108 milhões de toneladas beneficiadas em 2013/14; a Tailândia, 21,1 milhões; e o Vietnã, 27,67 milhões. A safra da Indonésia está projetada em 37,7 milhões de toneladas. E a produção chinesa deve ser de 144 milhões de toneladas.