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Algodão

 

Área resgatada

A primeira pesquisa de intenção de plantio de Safras & Mercado para a safra 2013/14 aponta aumento de 23% da área a ser cultivada com algodão no Brasil. Seriam 208,677 mil hectares a mais, visto a recuperação das cotações, que em julho de 2013 superavam em 38% as do mesmo período de 2012

Rodrigo Ramos.
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Depois de um segundo semestre de 2012 com preços em baixa, o ano de 2013 iniciou com forte elevação das cotações da fibra. Com o Brasil colhendo uma safra de 1,85 milhão de toneladas (2011/12), a segunda maior da história (sendo superada apenas pela 2010/11, com 1,89 milhão de toneladas), havia preocupação em relação à capacidade de o País embarcar um volume suficiente para não sobreofertar o quadro de abastecimento doméstico. "Porém, com embarques próximos a 1 milhão de toneladas em 2012, o ano atual iniciou com uma oferta enxuta que, juntamente com a perspectiva de redução da produção na safra 2012/ 13, deu início à escalada", explica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento.

No início do ano comercial 2012/ 13 – no dia 1o de junho de 2012 –, o Brasil contava com 228 mil toneladas em estoques. A produção foi de 1,85 milhão de toneladas e o montante importado de 10 mil toneladas. "Com isso, a oferta total da fibra no País ficou em 2,088 milhões de toneladas", lembra. O consumo nacional foi estimado em 920 mil toneladas e as exportações fecharam a temporada em 31 de maio de 2013 com 979 mil toneladas. "O excepcional desempenho das vendas externas fez com que os estoques caíssem para apenas 188 mil toneladas", frisa.

Escassez de oferta elevou preço — Diante da escassez de oferta na entressafra, a média no Cif de São Paulo subiu de R$ 1,71 por libra-peso no mês de janeiro para R$ 2,09 no de abril (22,2%). A primeira mudança em relação à formação de preços é que o balizamento, que no segundo semestre de 2012 era dado pela paridade de exportação (pelo excesso de oferta) e no primeiro semestre de 2013 passou para a paridade de importação (devido à escassez).

Para atenuar esta escalada e visando garantir o abastecimento doméstico sem maiores dificuldades, o Governo, atendendo um pedido da indústria, isentou a importação da Tarifa Externa Comum (TEC) de 10% para o período entre maio e julho de 2013. Com isso, a média de preços recuou, em maio, para R$ 1,97 por libra-peso e, em junho, para R$ 1,93 por libra-peso. Apesar disso, a média semestral subiu de R$ 1,58 por libra-peso para R$ 1,92 por libra-peso (+21,8%). "Além do quadro interno, é interessante ressaltar que a alta dos preços nos primeiros seis meses de 2013 em relação ao anterior foi corroborada pela elevação dos preços internacionais e da relação cambial (R$/US$)", lembra. Na média do primeiro semestre de 2012, o contrato spot negociado na ICE Futures ficou em 79,66 cents de dólar por libra-peso. Em 2013, apresentou uma valorização de 6,2%, indo para 84,61 cents por libra-peso.

Relação estoque/consumo elevada — De acordo com números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o planeta conta com as maiores reservas e a maior relação estoque/consumo da história do abastecimento de algodão para a temporada 2013/14, que inicia em agosto. Esta visão global poderia sugerir um quadro extremamente baixista. Porém, 64% destes estoques estão nas mãos do governo chinês. "Se excluirmos os dados de oferta e demanda da China do quadro global, há uma sensível redução dos estoques de algodão no mundo", afirma o analista. "Este alto volume da fibra estancada nos armazéns chineses deixa o mercado mundial refém do posicionamento do governo daquele país em relação à gestão de seus estoques", lembra Bento.

Nos últimos quatro anos comerciais, o montante subiu de 2,3 milhões de toneladas para 12,83 milhões, resultado de uma política que iniciou para garantir o abastecimento e que atualmente é de sustentação de preços aos produtores locais. Para o analista, a verdade é que esta elevação do carryover de algodão chinês terá que cessar e, de alguma forma, retornar ao mercado. "Para isso, o primeiro passo é a redução das importações, para em seguida disponibilizar a fibra estocada à indústria têxtil, sem prejudicar a produção local", explica.

Até o momento, contudo, os estoques chineses estão fora do mercado, o que, juntamente com a redução da produção em importantes fornecedores globais, como o Brasil e os Estados Unidos, mantêm os preços acima dos praticados no ano anterior. No ciclo comercial 2012/13 o suporte ficou em 70 cents de dólar por libra-peso na Ice Futures US e a resistência, por volta de 90 cents. "Para a próxima, sem realocação dos estoques da China no mercado, pode-se pensar em um suporte de 80 cents e uma resistência de 1 dólar", aposta Bento.

Na média dos seis primeiros meses de 2012, o dólar comercial foi cotado a R$ 1,87 e, no mesmo período de 2013, subiu para R$ 2,04. "Com pouca oferta no mercado doméstico, os agentes passaram a trabalhar com a necessidade de importar", lembra o analista. "Mas os preços internacionais em alta e o dólar valorizado elevaram o custo de adquirir no exterior", pondera. "Em julho, a média do dólar comercial está acima de R$ 2,25, o que, com a menor produção, deve garantir preços bastante superiores aos verificados no segundo semestre de 2012", prevê.

Poucos negócios e queda nos preços no Brasil — O mercado brasileiro de algodão encerrou o mês de julho com reduzido volume de negócios e com recuos nosreferenciais de preços. No Cif de São Paulo, a indicação estava por volta de R$ 2,10 por libra-peso no dia 30. "Os lotes colhidos e processados foram destinados, em sua maioria, ao cumprimento de contratos antecipados", destaca o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. "Porém, aos poucos, o montante de oferta no disponível vem melhorando", frisa. "Com isso, e com as indústrias nacionais retraídas, aguardando preços mais flexíveis a partir de agosto, é normal que haja a atual retração das cotações", pondera. Porém, comparado ao mesmo momento do mês anterior, ainda conta com ganhos de 4,5%. E, quando comparado a igual período do ano passado, há elevação de 36,4%.

Conforme o analista, esta grande diferença entre a cotação atual e a praticada no mesmo período do ano passado deve persistir no decorrer do segundo semestre de 2013. "Tal perspectiva é embasada em três pilares principais: a redução da produção nacional, a alta dos preços internacionais e a desvalorização cambial", enumera. No mercado internacional, tomando-se como referência o contrato spot negociado na Ice Futures US (Nova York), a alta em relação ao mesmo momento de 2012 era de 18,7% no dia 30 de julho. "Esta elevação deve-se, em grande parte, à queda da oferta em importantes fornecedores", ressalta Bento.

A motivação para os produtores elevarem em 208,677 mil hectares a área de algodão está diretamente relacionada à recuperação das cotações, que superaram em 38% as de igual período de 2012

exportador global, o suprimento no ano comercial 2012/13 era de 4,5 milhões de toneladas (pluma). No atual recuou para 3,789 milhões de toneladas (-15,8%). Na Índia, segundo maior exportador, a oferta é semelhante à da temporada anterior. Porém, para recompor os estoques perdidos nos últimos ciclos, o montante exportado caiu de 2,412 milhões de toneladas, no ano comercial 2011/12, para 1,568 milhão de toneladas, no 2012/13, e se prevê embarques de 1,263 milhão em 2013/14. Na Austrália, terceiro maior exportador, o saldo exportável previsto para 2013/14 é de 914 mil toneladas, caindo 30% em relação a 1,306 milhão de toneladas da safra anterior. O Brasil, que nas duas últimas temporadas esteve entre os quatro maiores exportadores, também reduzirá sua participação no comércio internacional em cerca de 500 mil toneladas. "Diante deste quadro, uma recuperação mais expressiva só não ocorre devido aos elevados estoques chineses", acrescenta.

Mais importação em 2013/14 — No Brasil, o ano comercial iniciou com apenas 188 mil toneladas em estoques, o menor nível em dez anos, e recuando 39 mil toneladas em relação ao anterior. A produção estimada é de 1,26 milhão de toneladas, recuando 590 mil toneladas em relação ao ciclo passado. Isso resulta numa queda de 639 mil toneladas em relação à verificada em 2012/13. Para Bento, mantido o consumo interno no mesmo patamar, para equilibrar o abastecimento doméstico é necessário um ajuste no comércio internacional da pluma. "Na temporada 2012/13 (entre junho de 2012 e maio de 2013) o montante exportado foi de 979 mil toneladas e o importado, de 10 mil toneladas, ou seja, houve um superávit de 969 mil toneladas", relata.

No ciclo atual, considerando a manutenção do consumo doméstico em 920 mil toneladas, para continuar com o mesmo volume de estoques de passagem (188 mil toneladas), o saldo exportável terá que recuar para apenas 340 mil toneladas. "Mas as exportações previstas são de 550 mil toneladas", frisa. "Neste caso, seria necessária a compra de 210 mil toneladas no exterior, o maior nível desde o ciclo 1999/2000". Essa alta dependência de importações estimada é que dá suporte para acreditar numa temporada em que as cotações domésticas ficarão acima da paridade de exportação e se aproximarão das de importação, diferente do que ocorreu em 2011/12 e 2012/13. "E, tendo que estar mais ativo no lado comprador do mercado internacional, o terceiro fator supracitado corrobora para a tendência de preços firmes", comenta.

Tomando como exemplo os números de fechamento do dia 30 de julho, pela paridade de importação a fibra norte-americana, cotada a US$ 0,85 por libra-peso na Bolsa de Nova York (outubro/13 na ICE), com o câmbio de R$ 2,27 por dólar e com a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), chegaria ao Cif de São Paulo a R$ 2,51 por libra-peso (com ICMS). O produto nacional é disponibilizado no mesmo mercado a R$ 2,36 por libra-peso, ou seja, teria espaço para subir até 6,1%. Com os mesmos números, mas utilizando como conversão a taxa cambial de um ano atrás (R$ 2,0240/dólar), o produto importado chegaria à capital paulista a R$ 2,23 por libra-peso e obrigaria o mercado nacional a recuar 5,4% para atingir a paridade. "A combinação desses três fatores deve garantir preços mais atrativos neste segundo semestre e, com isso, a área cultivada tende a aumentar na safra 2013/14 (ano comercial 2014/ 15)", estima Bento

Recuperação de área — A primeira pesquisa de intenção de plantio para a safra 2013/14, realizada por Safras & Mercado, aponta um aumento de 23% da área a ser cultivada com algodão no Brasil. O levantamento chegou a um total de 1,116 milhão de hectares a serem encobertos com a cultura, contra 907 mil hectares da safra 2012/13. Confirmados estes números, os cotonicultores recuperarão parte do espaço perdido para os grãos na safra 2012/13, quando a área foi de 907 mil hectares. "A motivação para os produtores elevarem em 208,677 mil hectares a área de algodão está diretamente relacionada à recuperação das cotações, que neste momento superam as de igual período do ano passado em 38%", afirma.

Uma característica marcante da safra 2013/14 será um aumento mais que proporcional do plantio de algodão safrinha em relação à primeira safra, visto a queda do milho de segunda safra

Outra característica da produção da safra 2013/14 será um aumento mais que proporcional do plantio de algodão safrinha em relação à primeira safra. Isso se justifica pela queda acentuada do preço do milho. Por outro lado, uma recuperação mais expressiva, para os patamares da safra 2011/ 12, é limitada pelos preços da soja, que continuam atrativos. Com isso, aqueles produtores que não têm uma estrutura voltada para a produção de algodão e que, quando os preços estão altamente compensatórios apostam no algodão, tendem a continuar produzindo a oleaginosa. A experiência negativa com a lagarta helicoverpa na última safra, que reduziu a produtividade e aumentou os custos de produção, também pesa negativamente. Para fechar, o setor produtivo segue esperando uma elevação do preço mínimo de garantia, atualmente em R$ 44,60 por arroba e abaixo do custo de produção, que no Mato Grosso, por exemplo, fica por volta de R$ 60. Se até o momento do preparo do solo e do plantio houver um reajuste, poderá motivar um plantio maior. Confirmada a área de 1,116 milhão de hectares e considerando a média de produtividade nas últimas cinco safras, o montante de pluma produzida no País será de 1,554 milhão de toneladas, avançando 23,3% em relação à safra anterior. No Mato Grosso, maior produtor, se espera uma área de 562,5 mil hectares (+25%) e uma produção de 777 mil toneladas (+23,3%).