A Granja do Ano – 35 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

SUINOCULTURA

Aftosa fustra criador

O mercado de suínos iniciou 2006 levemente desequilibrado, devido aos focos de febre aftosa no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Com o fato, as exportações de carne suína caíram drasticamente, uma vez que a Rússia, maior consumidor desta carne, fechou seus portos. O embargo russo afetou os preços internos, pois a carne que devia ser exportada ficou no País. Conforme técnicos da Emater/RS, veterinários da União Européia apontaram falhas no controle da febre aftosa, depois de mais de dez dias de visita ao Mato Grosso do Sul, onde surgiram os últimos focos da doença. Isso pode atrapalhar as vendas para aquele mercado. A possibilidade de uma fusão entre a Sadia e a Perdigão preocupa os europeus. Juntas, essas empresas que já destinam mais da metade de suas produções para a exportação, tendem a aumentar sua competitividade e a conquistar novos mercados. “Eles temem a concorrência crescente da carne brasileira nos últimos anos, e citam como exemplo o que aconteceu no mercado russo, que até bem pouco era dominado por europeus e americanos”, afirmaram.

A Rússia era responsável por 65% das importações de carne suína brasileira. Em janeiro, o Brasil exportou cerca 35.370,51 toneladas àquele país – uma quantidade semelhante à do ano passado, que foi de 35.574,03 toneladas. Em fevereiro, as exportações começaram a sofrer com o embargo russo, e as vendas resultaram em cerca de 36.410,27 de toneladas frente ao mesmo mês do ano passado, que foi de 41.297,25 de toneladas. E março foi o pior momento do ano se comparado ao mesmo mês do ano anterior: foram contabilizadas exportações em uma quantia de 23.976,09 toneladas contra 40.450,51 de toneladas do mesmo período de 2005. Esta queda das exportações em março acarretou uma redução no preço interno, pois a quantidade que deveria ser exportada transbordou no mercado doméstico. Preços que em São Paulo, no começo de março, estavam a R$ 38, posto frigorífico, no meio de mês caiu para R$ 30 e no fim do mês chegou a R$ 25. Esta acentuada queda está relacionada com o embargo russo, que ainda permanece.

Em abril, os russos abriram os portos apenas para o Estado do Rio Grande do Sul, que devido a este fato teve um bom aumento nos preços internos. O produtor independente que estava recebendo apenas R$ 1,45 pelo quilo vivo do suíno no começo do mês recebeu no final do mês R$ 1,90. Já o produtor integrado não obteve mesma vantagem: de R$ 1,55 no começo do mês, recebeu R$ 1,60 no final. Entretanto, no mês de maio as exportações foram as maiores do ano e chegaram a 45.217,13 ton. Mas foram menor que as exportações do ano passado que ficaram em 50.532,61 toneladas.

A exportação gaúcha de carne suína no primeiro quadrimestre de 2006 foi de 45.223,9 toneladas, o que representa um crescimento de 1,21% em relação ao mesmo período de 2005, quando os embarques totalizaram 44.685,1 toneladas – segundo informações divulgadas pelo boletim semanal da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul. Em abril de 2006 o Rio Grande do Sul exportou 23.062,1 toneladas, alta de 61,36% sobre as 14.291,9 toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado, 38,8 toneladas exportadas a mais. Mesmo com a redução de impostos e a venda promocional de carne in natura em quatro redes de supermercados do Estado de Santa Catarina, o preço do quilo vivo da carne suína caiu 15%. Desde o início do ano, a cotação do produtor diminuiu oito vezes. Alguns produtores catarinenses já estão em pleno desespero, pensando em sacrificar leitões que nascerem para diminuir os prejuízos. O suinocultor garante que custa mais criar os animais a perdê-los logo após o nascimento.

Excesso de oferta — A explicativa para a nova queda do preço do suíno é a mesma dada nas ocasiões anteriores. Está sobrando carne no mercado, e a indústria não tem como assimilar o excesso de oferta. O Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarnes) está trabalhando para buscar novos mercados no Paraná, mas a cultura do consumo de carne bovina ainda é muito forte na localidade. O presidente do Núcleo Municipal de Criadores de Suínos de São Domingos/SC, Rui Meira Moura, salienta que são as promoções de carne suína in natura, principalmente em Santa Catarina, além das feiras realizadas pelos Núcleos Municipais, resultaram numa grande comercialização do produto. “Nós pudemos ver filas de consumidores em busca desta carne que é a mais consumida no mundo. Com certeza, com este trabalho podemos aumentar o consumo dentro do nosso País”. O dirigente lembra ainda que é oportuno disponibilizar mais carne suína in natura para os consumidores, pois este é o grande foco do momento. O aumento do consumo no mercado nacional tenta compensar a frustração com o mercado externo. Conforme dados do Secex, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de carne suína em maio de 2006 e 49 mil no mesmo período do ano anterior. O mercado de suínos continua passando por maus momentos, agora não só pela grande quantidade de carne no varejo, mas também pelos preços baixos do frango, isto porque os dois tipos de carnes são bens substitutos. Nos últimos dias, o suíno terminou com preços pouco alterados. Em algumas praças, o movimento foi um pouco melhor, mas a comercialização de modo geral segue fraca, com o mercado ampliando dificuldades na absorção da oferta.

Em São Paulo a arroba do suíno ficou estável em R$ 27,00, posto frigorífico, para pagamento em 30 dias, patamar que repete a semana anterior. No Rio Grande do Sul, o quilo do suíno vivo seguiu cotado a R$ 1,70 no mercado independente e a R$ 1,55 no mercado de integração. Se as exportações continuarem fracas as perspectivas para o próximo semestre não são das melhores. O que pode mudar o quadro comercial são os incentivos para o consumo interno feito pelo Sindicarnes. Caso a Rússia venha retirar o embargo de Santa Catarina o mercado poderá reagir, dando vazão à produção e melhorando os preços em todo o País.