A Granja do Ano – 35 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

BATATA

Tecnologia na industrialização

Conforme a FAO (Food and Agriculture Organization), entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por políticas internacionais de alimentação, a batata é o quarto alimento mais consumido no mundo, após o arroz, trigo e milho. Pesquisadores da história da alimentação apontam duas razões básicas para o êxito e a disseminação da batata: o valor energético, a ausência de colesterol e o fato de possuir sabor e cheiro pouco acentuado, possibilitando centenas de combinações que resultam em refeições diferentes. No Brasil, dados da Associação Brasileira da Batata (Abba) apontam que, em 2004, o País colheu 2,9 milhões de toneladas da hortaliça, em uma área total de 135,5 mil hectares. Para o final de 2006, o IBGE estima que a produção nacional aumente 5,03%. O plantio se concentra no eixo Sul-Sudeste. No Nordeste, o destaque é a Bahia, o maior Estado produtor de batatas da região.

Versátil, a batata aderiu à onda da globalização econômica e hoje integra os cardápios de comida rápida na maioria dos países do globo. Nos últimos 30 anos, a industrialização da batata aumentou consideravelmente, principalmente com os produtos “chips” e a batata pré-frita congelada, seja pela disponibilidade do produto ao consumo imediato ou pela facilidade e rapidez no preparo final. Para o chefe-geral da Embrapa Hortaliças José Amauri Buso, o Brasil possui um mercado consumidor potencial para a batata processada industrialmente na forma de fritura, mas, para atender a essa demanda, são necessários cultivares que satisfaçam a alguns padrões de qualidade.

Indústria e batata pré-frita — Um dos destaques é batata Asterix, de origem holandesa, que irá abastecer a primeira fábrica nacional de batata pré-frita congelada, erguida em Araxá, Minas Gerais. “Hoje importamos o produto de 13 países, uma vez que o consumo só cresce”, salienta Buso. Com investimentos de R$ 50,6 milhões, a indústria processadora de batatas pré-fritas contará com a geração inicial de 160 empregos diretos, operando em três turnos de trabalho, para uma produção de 43 mil toneladas por ano. E mercado é o que não falta. Buso cita que apenas uma grande cadeia de refeições rápidas importa cerca de US$ 150 milhões por ano deste tipo de batata.

O pesquisador lembra que os principais problemas na produção de batata no País são doenças, algumas delas recrudescendo. É o caso da lagarta-do-cartucho, que causa grandes perfurações nos tubérculos e pode reduzir a produção em até 10%. A ocorrência na cultura da batata deve-se basicamente à intensa rotação com milho e às elevadas temperaturas durante o período de tuberização. Também a mosca-branca está causando danos diretos e indiretos à produção de batata. Sua ocorrência tem sido cada vez mais freqüente, intensa, e o mais preocupante é que praticamente não existe alternativa eficiente de controle. “Existe também a questão do aquecimento global que, caso continue, provavelmente irá impedir o cultivo da batata no Brasil-Central, por exemplo, cujas variedades estão adaptadas a microclimas peculiares”, explica Buso.

Ele salienta que o melhoramento genético tem contribuído para melhorar a produtividade. “Existem hoje cultivares do Hemisfério Norte adaptados ao clima brasileiro. Isso permite que uma variedade que leva 150 dias para ser colhida na Holanda, por exemplo, no Brasil esteja pronta em 90 dias, reduzindo assim os custos de produção”, destaca.