Dólar em alta e compras robustas da China sustentam grãos em 2020

O câmbio teve papel de destaque na precificação da soja no mercado brasileiro em 2020.

O dólar iniciou o ano cotado em R$4,00 e chegou perto de R$6,00 em meados de maio. De lá até as primeiras semanas de junho, a moeda norte-americana recuou, chegando a ser negociada abaixo de R$5,00/US$. Já em meados de junho, o dólar ganhou sustentação e retomou para patamares próximos de R$5,20.

Além da forte valorização do dólar, a exportação para a China deu sustentação aos preços em reais, mesmo durante a safra (colheita) e nos primeiros meses do surto de covid-19, de forte queda na demanda interna por combustíveis e, consequentemente, pelo grão para esmagamento para a produção de óleo de soja para a produção de biodiesel.

Recentemente, com a flexibilização das medidas de isolamento e a reabertura gradual do comércio e, consequentemente, maior movimentação, as indústrias
esmagadoras voltaram às compras e essa maior demanda interna tem colaborado com a sustentação dos preços no país.

Com relação as compras da China, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de que o país asiático importe 96 milhões de toneladas de soja em grão na temporada atual, frente as 82,54 milhões de toneladas importadas no ciclo anterior.

Além da boa competitividade da soja brasileira (câmbio favorável), o país se beneficiou da guerra comercial entre os chineses e norte-americanos. De janeiro a junho, últimos dados consolidados até a elaboração deste artigo, o Brasil exportou
60,35 milhões de toneladas de soja com um faturamento de US$20,53 bilhões. A China respondeu por 72% dessa receita.

No entanto, o câmbio seguirá como fator de direcionamento das cotações, em reais. Se o dólar cair, a tendência é de que os preços do grão recuem no mercado interno, mas não existe espaço para fortes recuos nos preços em curto e médio prazos.

Data: 03/08/2020
Fonte: Carta de grãos/Scot Consultoria

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