Agribusiness

CAFÉ NY segue buscando acomodação entre 90 centavos e US$ 1 a libra-peso

Lessandro Carvalho - [email protected]

O mercado internacional de café seguiu muito volátil em outubro, ainda refletindo as indicações climáticas para as floradas no Brasil, que vão resultar na safra de 2020. O começo do mês foi de apreensão, com a falta de chuvas e as elevadas temperaturas, e os preços subiram na Bolsa de Nova York para o arábica, que baliza a comercialização internacional. Depois, as precipitações foram se regularizando, o mercado acalmou, e as cotações desceram. Mas, no geral, NY se manteve buscando acomodação entre 90 centavos de dólar por libra-peso e US$ 1 a libra-peso. Os fundamentos seguem baixistas. A ampla oferta global segue pesando sobre as cotações nas bolsas de futuros de Nova York e de Londres. O Brasil vem mantendo forte fluxo nas exportações, e, com a volta das chuvas, há maior tranquilidade quanto à safra de 2020. E agora, ao final do ano, entram safras de outras importantes origens, como Vietnã, Colômbia e países da América Central. Ou seja, há comodidade quanto ao abastecimento global. Porém, o mercado encontra sustentação em muitos momentos em aspectos financeiros, como a valorização do petróleo e a queda do dólar contra o real, o que promoveu momentos de reação nos preços. Até 20 de outubro, a cotação mais alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o arábica foi observada em 3 de outubro, quando NY trabalhou na máxima do dia em 102,90 centavos de dólar por libra-peso.

SOJA Plantio brasileiro deve crescer 1,5%

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Os produtores brasileiros de soja deverão cultivar 36,942 milhões de hectares em 2019/20, a maior área da história, crescendo 1,5% sobre o total semeado no ano passado, de 36,384 milhões. A projeção faz parte do mais recente levantamento de Safras & Mercado. Com uma possível elevação de produtividade, de 3.296 quilos para 3.421 quilos por hectare, a produção deve ficar acima da obtida nesta temporada. A previsão inicial é de uma safra de 125,754 milhões de toneladas, 5,4% maior que as 119,306 milhões obtidas neste ano. Na avaliação do analista de Safras Luiz Fernando Roque, a mudança no contexto fundamental do mercado brasileiro da oleaginosa nos últimos três meses, com elevação nos preços e consequente melhora na rentabilidade do produtor, incentivou um maior crescimento da área frente à intenção de plantio de julho. “Embora algumas incertezas permaneçam, os produtores se sentem um pouco mais seguros neste momento diante dos melhores preços registrados”, avalia. A área deverá crescer em praticamente todos os estados. “Novamente, deveremos ver transferências de algumas áreas de milho para soja nos principais estados produtores, com o Centro-Oeste e o Sudeste centralizando a produção de milho na segunda safra. A melhor remuneração da oleaginosa também leva à abertura de novas áreas para a soja, mesmo que em um ritmo um pouco menor que nas safras anteriores”, completa.

TRIGO Para suprir demanda, câmbio é variável-chave sobre os preços

Gabriel Nascimento - [email protected]

As oscilações cambiais seguem importantes ao mercado brasileiro de trigo. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a possibilidade de perdas na safra nacional aumenta o impacto da variável câmbio sobre os preços domésticos, levando em conta a necessidade de importações para suprir a demanda interna. A cota de importação de trigo sem tarifa foi debatida no painel “Visão Internacional – EUA, Argentina, Paraguai, Rússia e Brasil”, realizado no 26º Congresso da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), em Campinas/SP. O presidente da U.S. Wheat, Vince Peterson, disse que os EUA vão trabalhar duro por uma boa parte da cota de 750 mil toneladas livre de impostos. “Se tivéssemos o acesso livre que o Mercosul tem, o comércio seria muito mais equilibrado do que é agora. Poderíamos ser um fornecedor consistente de 1 milhão de toneladas ao ano para o Brasil. Talvez, por volta de 1,5 milhão”, disse. Segundo o subsecretário de mercados agropecuários do Ministério da Agroindústria da Argentina, Jesús Silveyra, os americanos querem uma porção do mercado de trigo e “querem tirar essa parte da Argentina”, acusou. “Vale lembrar que a cota não é só para os EUA. A Argentina pode se beneficiar também”, salientou. Quem também quer uma parcela dessa cota é a Rússia. Mas o diretor da Sodrugestvo – a companhia agroindustrial russa –, Bart Swankhuizen, não crê que a Rússia vai ser um grande exportador ao Brasil enquanto o Mercosul existir, pois o bloco “é injusto”.

ARROZ Preços permanecem sem força no mercado doméstico

Rodrigo Ramos - [email protected]

O produtor tem aumentado a oferta de arroz, pela necessidade de fazer caixa para o custeio da próxima safra e para o pagamento dos vencimentos das últimas parcelas do custeio da safra passada. Com isso, os preços seguiram sem força durante a terceira semana de outubro. “Mas há expectativa de valorização nos próximos meses, que antecedem a próxima safra”, destaca o analista de Safras & Mercado Gabriel Viena. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca de 50 quilos encerrou o dia 18 de outubro cotada a R$ 45,68, queda semanal de R$ 0,04, mas ainda acumulando alta de 0,62% frente ao mês anterior. “Com os bons volumes de exportação nesta temporada, o País precisa importar um volume recorde para os quatro meses restantes da temporada para suprir a demanda doméstica”, pondera o analista. Um dos países que o Brasil acaba recorrendo para importação é a Argentina. A área a ser cultivada na Argentina na safra 2019/20 foi estimada em 194 mil hectares, uma retração de 0,5% sobre a temporada anterior. Segundo informações do Gain Report, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de arroz em casca do Brasil foi estimada em 10,3 milhões de toneladas no ano comercial 2019/20, ante 10,45 milhões do ano anterior. Tal volume representa 7,004 milhões de toneladas de arroz beneficiado, ante 7,106 milhões no ano anterior.

ALGODÃO Cotações atingem maiores patamares desde julho no Brasil

Rodrigo Ramos - [email protected]afras.com.br

As altas semanais acumuladas nos preços internacionais e no câmbio permitiram a manutenção da firmeza das cotações domésticas do algodão na terceira semana de outubro. Na média do Cif de São Paulo, a pluma brasileira chegou ao dia 18 de outubro cotada a R$ 2,51 por libra-peso, retornando aos níveis praticados no final do último mês de julho. Comparados ao mesmo período do mês anterior, os ganhos acumulados chegam a 2,3%. E, frente à igual momento do ano passado, a queda recuou para 16,89%. Conforme o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, é interessante destacar que, mesmo com a elevação dos preços praticados no mercado doméstico, o produto brasileiro vem ganhando competitividade. Convertendo os valores negociados na Bolsa de Nova York (Ice Futures) para reais, a pluma norte-americana era indicada a R$ 2,71 por libra-peso na manhã do dia 18, elevando-se 11% em relação ao mesmo período do mês anterior. “Isso mostra um encarecimento do produto do maior concorrente em relação ao nacional”, pondera. No Fob do Porto de Santos, a indicação no início daquele dia era de 62,23 centavos de dólar por libra-peso, recuando 0,39% em relação à indicação do fechamento da semana anterior e 4,92% inferior à indicação do contrato de dezembro na Ice Futures de Nova York.

MILHO Mercado deve seguir aquecido no último bimestre

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho tende a manter um cenário de preços aquecidos no último bimestre de 2019. De acordo com o analista de Safras Paulo Molinari, apesar de colher uma safrinha recorde, os produtores observam a forte demanda na exportação e, também, no mercado doméstico, bem como o clima desfavorável ao plantio da safra nova para manter a estratégia de reter as intenções de venda, fator que contribuiu para um forte movimento de alta nos preços em outubro. Segundo Molinari, a forte demanda pelo cereal brasileiro, acompanhando o aquecimento dos preços no mercado internacional com as preocupações de clima nos EUA, permitiu embarcar volumes recordes nos meses de maio a julho, com uma perspectiva de alcançar volumes de 36 milhões de toneladas até o final do ano comercial, em janeiro. Molinari comenta que o atraso das chuvas em outubro não chegou a comprometer o potencial produtivo da safra verão, mas retardou a previsão de colheita em regiões importantes, como São Paulo, apenas para os meses de fevereiro e março, o que gera um ambiente positivo aos preços. Nesse momento, o analista salienta que a expectativa é de uma safra verão de 24 milhões de toneladas, frente a um consumo estimado entre 35 e 37 milhões. “Os estoques de passagem estão em poder dos produtores e não dos consumidores. Com isso, as cotações devem seguir elevadas até o momento que esses volumes forem negociados no mercado interno.”