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FEIRA DOS CERRADOS apresenta tecnologias e cresce 10%

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A AgroBrasília movimentou R$ 1,2 bilhão de negócios em sua 12ª edição, no mês passado, em Brasília, e se consolidou – ainda mais – como uma das principais feiras do circuito nacional do agronegócio

A 12ª edição da AgroBrasília – Feira Internacional dos Cerrados, no mês passado, em Brasília, movimentou R$ 1,2 bilhão – crescimento de 10% sobre a edição anterior – em negócios promovidos por 480 expositores e recebeu 115 mil visitantes. Mais do que isso, apresentou, em um mesmo ambiente, as melhores e mais avançadas técnicas, tecnologias e inovações disponibilizadas a produtores e criadores de uma das regiões mais desenvolvidas do agronegócio brasileiro – o Distrito Federal e partes de Goiás e Minas Gerais. “Estes números mostram que a AgroBrasília cumpre seu objetivo de fomentar os negócios entre os produtores rurais e as empresas que apresentam máquinas, equipamentos, insumos e novas tecnologias em geral de suporte às atividades do agronegócio. Mais do que isso, evidencia que a feira se consolidou como uma das mais importantes do Brasil e uma das maiores do mundo em tecnologia para a agricultura tropical”, destacou José Guilherme Brenner, presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa/DF), que promove a feira.

Entre os expositores, máquinas para todas as atividades agrícolas, de colhedoras de café a pulverizadores e equipamentos para adubação, tratores, utilitários e insumos. Na agricultura familiar, por exemplo, a Emater/DF instalou 11 circuitos tecnológicos para apresentar novas tecnologias no cultivo de flores, frutas, olerícolas e também na piscicultura e na bovinocultura, entre outras atidades. A Embrapa e a Emater apresentaram os resultados de suas pesquisas. O presidente do Comitê Gestor da feira, Ronaldo Triacca, ressaltou a aprovação do evento por produtores- -visitantes de todo o País. Ele lembrou que o espaço permite um intercâmbio de experiências e de debates de novas ideias, o que pode ser comprovado pela extensa e diversificada lista de palestras com vários temas, realizadas por instituições como Sebrae, Emater/DF, Embrapa, Senar, UnB, Crea e Adasa, além das promovidas pela própria feira.

A edição recebeu novamente comitivas de estrangeiros, a exemplo femininode embaixadores de países africanos aos quais serão destinados cursos de capacitação em assistência técnica e extensão rural promovidos por meio de parceria, firmada durante a feira, entre a Emater/DF e a empresa Campo Companhia de Promoção Agrícola. A Coreia do Sul também esteve presente, e o seu embaixador no Brasil, Doo Won Choi, disse que “participar da AgroBrasília é uma oportunidade para aprender um pouco mais sobre o agronegócio, tendo em vista que o Brasil é uma referência mundial no setor”. No Pavilhão de Negócios, uma empresa canadense apresentou uma linha de produtos à base de vírus para o controle de lagartas.

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O presidente do Comitê Gestor da feira, Ronaldo Triacca, ressaltou o intercâmbio de experiências e de debates de novas ideias e a aprovação por visitantes de todo o País

Segurança no agronegócio — Entre as palestras que a feira sediou, destaque para a do tema Boas Práticas de Inteligência Militar e Segurança no Agronegócio: a Informação é a Base da Prevenção, proferida pelo consultor Eugênio Moretzsohn, que discutiu a espionagem no agronegócio, as técnicas adotadas nos crimes como a guerrilha rural e os ataques noturnos, e os meios adotados, como fuzis e armas brancas. O evento abordou, ainda, a importância da elaboração de um plano de segurança e investimentos em infraestrutura que evitem o roubo de máquinas agrícolas, cargas, defensivos, transformadores e o combate ao abigeato. “O policiamento no campo precisa melhorar 1.000%, porque o campo, apesar de ser uma potência econômica, ainda não é uma potência política, e ele precisa ser. Somente quando tivermos uma força política conseguiremos mudar a estratégia que está sendo adotada”, lembrou Moretzsohn. “Queremos, com esse debate, criar sensibilidade na adoção de boas práticas de segurança para que debatam o assunto e vejam que as soluções são simples, não são caras, são soluções baratas, efetivas, rápidas, de fácil adoção e que, muitas vezes, estão calcadas apenas nas informações. Se você conseguir a informação certa, metade do caminho estará andado.”

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“A feira se consolidou como uma das mais importantes do Brasil e uma das maiores do mundo em tecnologia para a agricultura tropical”, destacou José Guilherme Brenner, presidente Coopa/DFO

Embrapa: novas cultivares — Duas novas cultivares de soja foram lançadas na vitrine de tecnologias da Embrapa. Uma delas é a BRS 7581RR, desenvolvida em parceria com a Fundação Cerrados, cujo grande diferencial é a resistência ao herbicida glifosato e a quatro raças do nematoide do cisto. “E o ponto principal é a alta produtividade, o ciclo precoce, em torno de 180 dias na região do cerrado. Isso permite ao produtor fazer a colheita e plantar uma segunda safra com milho”, mencionou o pesquisador André Ferreira, da Embrapa Cerrados. Já os produtores que optarem pela soja convencional, agora, têm como alternativa a BRS 7481, resistente a dois nematoides de galhas e indicada para o manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato. “Vale destacar que a soja convencional pode alcançar um valor 15% superior à transgênica, o que compensa, e muito, o custo de produção, em média 3,8% a 4% maior”, ressalta o coordenador do Instituto Soja Livre, Eduardo Vaz.


Fórum AgroMulher e o protagonismo feminino

DFO Fórum AgroMulher discutiu o engajamento feminino e o em-preendedorismo, evento que contou com a participação de Ronara Lasmar, coaching com foco em carreiras agro; Ângela Anversa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos (Abrasgrãos); Sandra Padilha, presidente do Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do Distrito Federal (Sindifhort); e Fátima Cabral, presidente da Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera). Participou, também, a presidente da Emater/DF, Denise Fonseca, a primeira mulher a assumir a presidência da instituição, que tem 41 anos.

Em sua palestra, Denise destacou o aumento da presença feminina no campo e o avanço das mulheres na conquista da liderança do trabalho no mundo do agronegócio, como agricultoras e assessoras técnicas. Segundo ela, a Emater é um exemplo desse avanço, na qual 40% dos cargos de chefia e coordenação de programas de trabalho são ocupados por mulheres. “Elas são metade do quadro de funcionários e possuem alto nível de qualificação, tendo mais da metade delas títulos de especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Isso é motivo de muito orgulho para mim. Isso mostra que competência não tem gênero. Sinto-me muito honrada em ser a primeira mulher a ocupar esse cargo. É uma sinalização clara da valorização feminina em uma empresa que já tem um histórico de combate ao preconceito e à desigualdade de gênero”, ressaltou.