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TERRAÇOS: mais que indispensáveis, como fazer

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A escolha do perfil de terraço é muito importante e, inclusive, precisa do apoio de um profissional. A estrutura tem a função de armazenar a água do escoamento superficial quando a intensidade da chuva supera a capacidade de infiltração

Engenheira agrícola Graziela M. de Cesare Barbosa, pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)

Fazer terraços agrícolas é realmente essencial nas áreas de lavoura em nossos solos tropicais? Essa é uma pergunta recorrente dos produtores rurais que veem essas estruturas como um empecilho ao uso de máquinas agrícolas no manejo das culturas. Para responder a essa pergunta, o produtor precisa saber a importância de um sistema de terraceamento no manejo das culturas implantadas e na conservação do solo e da água. O terraceamento é uma prática conservacionista utilizada para diminuir o comprimento de rampa e, consequentemente, a velocidade das águas. Tem a função de reter e armazenar a água do escoamento superficial através da sua interceptação quando a intensidade da chuva superar a capacidade de infiltração de água no solo. Outro entendimento errôneo é de que o plantio direto reduz o processo erosivo e que, portanto, os terraços tornam-se desnecessários. Já foi comprovado que o plantio direto é uma excelente prática conservacionista, reduzindo significativamente a perda de solo, porém a perda de água no sistema não reduz na mesma proporção.

A escolha do tipo de terraço a ser utilizado pelo produtor também é 41muito importante e ne-cessita de auxílio de um profissional competente, pois essa escolha deverá levar em conta o tipo e as características do solo, a topografia do terreno (de-clividade), o regime hídri-co da região, a cultura que o produtor irá implantar (lavouras temporárias de grãos, lavouras permanen-tes, pastagens, reflorestamento, ou ou-tras) e as práticas de manejo (plantio direto, convencional, mínimo). Dessa forma, essa não é uma decisão simples e rápida. Todas essas variáveis devem passar por uma análise criteriosa que irá determinar qual terraço utilizar entre os vários tipos existentes e ve-rificar qual a que mais se adequa às condições da propriedade rural.

Composição — O terraço é com-posto de duas partes: canal coletor, de onde é retirado o solo e onde fica armazenada a água durante os eventos climáticos, e o camalhão ou dique, construído com o solo reti-rado do canal. Se os terraços forem construídos em nível (de infiltração), terão a função de receber a enxurrada e permitir que a água seja retida e infiltre lentamente no canal de arma-zenamento. São recomendados para solos com boa permeabilidade. E, caso sejam construídos em gradiente (de drenagem), ou seja, em desnível, acumulam a água excedente e a conduzem lentamente para fora da lavoura até os canais escoadouros vegetados ou bacias de captação. São recomendados para solos com redução da infiltração de água ou solos rasos. Com o passar do tempo e o uso intensivo dos solos agrícolas, o camalhão do terraço pode sofrer rebaixamento, e o canal pode acu-mular sedimentos, sendo necessária a sua manutenção para que a área de acumulação de água não seja reduzi-da e se torne menor do que o que foi previsto no projeto.

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Graziela adverte: “Outro entendimento errôneo é de que o plantio direto reduz o processo erosivo e que, portanto, os terraços tornam-se desnecessários”

Outra questão impor-tante na escolha do tipo de terraço é a topografia (declividade) do terreno e a cultura (anual ou pe-rene) a ser implantada. Os terraços de base es-treita apresentam uma movimentação de terra de até três metros de lar-gura (12%-18% de de-clividade), e os de base média, uma movimentação de terra de três a seis metros de largura (8%-12% de declividade). Esses ter-raços, normal-mente, são utilizados em áreas com culturas permanentes. Os terraços de base larga, por sua vez, movimentam uma faixa de seis a 12 metros de largura (2%-8%) e são recomendados para áreas com culturas anuais.

Com esses cuidados no manejo do solo e das culturas implantadas, ma-nutenção quando necessário, os ter-raços terão duração por muitos anos, e a produtividade das lavouras tende a aumentar devido à maior retenção de água no sistema e à redução da perda da camada superficial do solo. Portanto, para ter sucesso na conser-vação do solo e da água, o agricultor deve plantar, colher e realizar os tratos culturais sempre em nível, ou seja, seguindo o traçado dos terraços. Diante de todas essas argumentações, será que ainda temos dúvidas quanto à eficiência dos terraços nos nossos solos tropicais?