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Gente da semente

Avanços e inovações em SEMEADORAS: tudo pela plantabilidade

Os aperfeiçoamentos visam à qualidade de semeadura: a deposição adequada das sementes e fertilizantes, e a distribuição de forma equidistante e na profundidade recomendada – e sem danificar o insumo

Prof. Dr. Paulo Roberto Arbex Silva, coordenador do Grupo de Plantio Direto (GPD) do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu/SP

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Semeadoras são máquinas agrícolas que realizam a operação de semeadura de espécies vegetais que se reproduzem por sementes, segundo razão de distribuição previamente estabelecida (Portela, 2001). Essas máquinas podem ser classificadas de diferentes maneiras, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), porém a principal classificação é quanto ao mecanismo dosador de sementes, sendo os mais utilizados:

* Semeadora de disco perfurado horizontal (mecânicas): são as mais comuns do mercado. Utiliza discos rotativos perfurados e anéis, que devem ser trocados conforme as dimensões das sementes e a quantidade a ser distribuída no solo.

* Semeadora pneumática ou a vácuo: são as semeadoras mais modernas no mercado atualmente. Utilizam a pressão do ar (vácuo) para prender as sementes até a saída pelo condutor. O vácuo é formado por uma corrente de ar soprada por uma turbina. Como o ar é aspirado, as sementes são presas na parte externa do disco dosador, sendo liberadas quando o vácuo é interrompido pelo obturador.

As semeadoras pneumáticas, comparadas às semeadoras de disco horizontal, têm como principais vantagens a maior precisão na dosagem de sementes uma a uma, pois esse sistema tem menores problemas quanto às diferenças de tamanhos de sementes; diminui os danos mecânicos na semente; e, principalmente, consegue trabalhar em maiores velocidades de deslocamento, mantendo a precisão na distribuição das sementes. As semeadoras de disco horizontal têm como vantagem um menor custo de aquisição e exigem menor potência do trator, além do menor custo de manutenção.

Inovações em semeadoras — No mercado nacional, o produtor tem à disposição o que há de melhor em semeadoras, podendo escolher conforme a demanda, os recursos financeiros, o tamanho da propriedade etc. Houve uma evolução surpreendente do segmento, com diversos lançamentos de marcas e modelos no mercado. A seguir, apenas algumas dessas inovações.

* Novos modelos de discos horizontais: existem algumas novidades no mercado com tecnologias de discos com orifícios de rampas estriadas e de discos com orifícios cônicos, ambos visando à redução dos erros de duplas e falhas na semeadura, obtendo sucesso na comparação aos discos convencionais. Esses equipamentos têm custo relativamente baixo ao analisar o benefício propiciado.

* Novos modelos de dosadores pneumáticos: há novos dosadores para semeadoras pneumáticas no mercado, que tem como principal objetivo aumentar a eficiência na distribuição de sementes e possibilitar a troca de cultura com maior facilidade, sem precisar desmontar o dosador inteiro.

Também houve outro lançamento recente de alguns modelos de condutores de sementes com correias de escovas, que têm como objetivo depositar a semente no fundo do sulco, minimizando o efeito de recocheteamento da semente no tubo condutor, melhorando a distribuição longitudinal em maiores velocidades.

* Sistema de monitoramento eletrônico de semeadura: outra inovação são os novos sistemas de monitoramento de sementes, que consistem em monitorar a passagem destas por meio de sensores fotoelétricos, instalados nos tubos condutores das semeadoras, ligados a um monitor localizado próximo do operador. Além de monitorar a saída de sementes pelo tubo de descarga, o monitor eletrônico fornece alguns outros dados, como, por exemplo, velocidade de população média de sementes, velocidade de deslocamento, área trabalhada, singulação etc.

* Agricultura digital (plataforma de gerenciamento de dados): a agricultura digital tem propiciado a coleta de dados dos monitores de sementes em tempo real e o envio para aplicativo via bluetooth, localizado dentro da cabine do trator, facilitando o gerenciamento das informações on-line. Isso propicia uma melhoria na tomada de decisão por parte dos responsáveis, podendo minimizar os erros na hora que estão acontecendo.

* Corte de seção linha a linha: outra tecnologia recente que algumas empresas de semeadoras conseguem oferecer ao produtor é o corte de seção linha a linha. Essa operação proporciona uma semeadura mais precisa, possibilitando o desligamento das linhas de plantio de maneira independente, por meio de acionamento elétrico. Caso seja bem empregada, a tecnologia reduz o desperdício de sementes ocasionado pela sobreposição em arremates e bordaduras, acarretando um menor custo de uso de sementes e melhorando o acabamento da área.

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O mecanismo dosador de disco horizontal e o mecanismo dosador pneumático, respectivamente

Todas as inovações buscam a melhoria da qualidade de semeadura. O termo que identifica essa melhoria da qualidade é a plantabilidade. Busca-se, na correta semeadura, a plantabilidade ideal – conseguida com a deposição adequada das sementes e dos fertilizantes, conforme a recomendação de cada cultura – e a distribuição de forma equidistante e nas profundidades recomendadas dentro do sulco de semeadura, não danificando as sementes e mantendo sua qualidade fisiológica.

O Grupo de Plantio Direto (GPD) da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu/SP, que tem trabalhado com pesquisa e desenvolvimento envolvendo máquinas de plantio, semeadura e adubação há 20 anos, desenvolveu o Projeto IPS (Inspeção Periódica de Semeadoras), visando à análise na propriedade das semeadoras utilizadas em cada safra, com o objetivo de diminuir custos (sementes e adubo), apontar falhas e recomendar a melhor regulagem da máquina para cada situação. O principal conceito que dá suporte ao desenvolvimento do Projeto IPS é a busca pela excelência em plantabilidade. Em suma, o bom desempenho na plantabilidade é um fator decisivo na busca pela sustentabilidade do agronegócio no Brasil.


RiceTec e Adama lançam solução para o arroz

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A RiceTec e a Adama preparam o lançamento de uma nova solução para o arroz, a FullPage Rice Cropping Solution, tecnologia que deve chegar ao mercado já na próxima safra e que representa uma nova geração de sementes com melhor tolerância a herbicidas do grupo químico das Imidazolinonas (IMI). “Os híbridos FullPage mostram uma melhora acentuada na tolerância aos herbicidas IMI. Isso melhorou a resposta da cultura durante condições estressantes de crescimento, garantindo a expressão de seu potencial genético. Essa característica confere ao produtor o benefício de uma maior flexibilização da aplicação dos herbicidas, bem como do início da irrigação da lavoura”, descreve o engenheiro- agrônomo e diretor de marketing da Rice- Tec Inc, Leandro Pasqualli.


Basf lança sementes de algodão FiberMax com tecnologia inédita

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A Basf apresenta a primeira tecnologia em sementes de algodão com dupla tolerância a herbicidas e tripla resistência a lagartas do mercado brasileiro, resultado da associação das tecnologias GlyTol LibertyLink (GL) e TwinLink Plus (TP). As variedades GLTP são tolerantes aos herbicidas Liberty (glufosinato de amônio) e ao glifosato, e também oferece o que há de mais avançado no controle de lagartas. “Esse lançamento permite que o agricultor utilize o que há de mais moderno na sua lavoura para produzir mais e melhor de forma eficiente, tenha uma produção de algodão mais rentável, contribuindo, assim, para a longevidade do seu negócio”, explica Warley Palota, gerente sênior de Algodão da Basf.


“ORGULHO EM SER UMA EMPRESA ESPECIALISTA EM SEMENTES”

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Marcelo Salles, diretor regional Milho e Oleaginosas América do Sul da KWS

Como é a participação da KWS na agricultura brasileira?

A KWS iniciou no Brasil em 2012, a partir da compra da Riber Sementes e mais duas empresas de melhoramento genético. Mundialmente, é uma empresa focada no negócio de sementes que tem em seu DNA a busca do melhoramento genético acompanhado de boas parcerias para biotecnologia. No Brasil, atuamos nos negócios de sementes de milho, soja e sorgo.

Quais são os planos e as metas da empresa para o agronegócio brasileiro em 2019 e nos próximos anos?

Na questão de infraestrutura e investimentos, em 2019, teremos a inauguração da nossa nova unidade de produção e beneficiamento de sementes em Patos de Minas/MG, um investimento de mais de 10 milhões de euros que mais que dobra nossa capacidade de produção. E também a aquisição e a construção de mais uma nova estação de pesquisa no Nordeste do Brasil, outro investimento de mais de 2 milhões de euros, além das outras quatro estações de pesquisas que já temos. Em questão de portfólio de produtos, em 2018, já lançamos cinco novos híbridos de milho e uma variedade de soja. Para 2019, teremos mais três lançamentos para milho, mais três novas variedades de soja e um híbrido de sorgo. Inclusive, nesta safra 2018/19, estamos lançando o primeiro híbrido de milho exclusivo para silagem o K9822VIP3. Nossa meta é ter novos lançamentos todos os anos que vão sustentar nosso crescimento nos próximos dez anos. Resumindo, nosso plano para os próximos dez anos é ter um portfólio muito competitivo, investir em infraestrutura e capacitação técnica para nossos funcionários para chegar aos 15% de participação de mercado.

Quais os principais diferenciais dos produtos da KWS?
Como citei anteriormente, nosso DNA é o melhoramento genético

Temos orgulho de dizer que somos uma empresa especialista em sementes. Hoje, nossa estrutura de pesquisa nos permite cobrir todos os principais ambientes do Brasil, e, através do nosso banco genético amplo, queremos ter um portfólio completo para atender a todas as regiões, dando opção ao produtor escolher aquilo que ele realmente precisa na região que ele atua. Nossa meta é ter produtos para todas as condições de investimento e ambiente, que seja uma empresa muito bem posicionada tecnicamente e que gere rentabilidade ao nosso cliente. Queremos ser uma empresa reconhecida como parceira do agricultor, com sementes de muita qualidade e com a melhor equipe técnica de sementes do Brasil.

Como é a participação da KWS no mundo?

A KWS é uma empresa de origem alemã de mais de 160 anos, presente em mais de 70 países e a quarta maior do mundo em faturamento só do negócio de sementes. São mais de 120 milhões de euros investidos, anualmente, em pesquisa e desenvolvimento. A maior receita da empresa vem do negócio de beterraba açucareira na Europa e nos Estados Unidos, onde é líder, seguido pelo negócio de sementes de milho, no qual somos o segundo lugar na Europa em participação de mercado e com uma forte presença também nos Estados Unidos, através de uma joint venture. Na Europa, temos, no portfólio, alguns cereais, como trigo, cevada e aveia, além de batata e girassol. Na América do Sul, estamos presentes no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, sendo as sementes de milho o principal negócio.