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ACÁCIA e EUCALIPTO: muito bem-vindos à integração

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A produção florestal, agrícola e de gado de corte na mesma área e ao mesmo tempo promove ganhos às três atividades. E em harmonia com o meio ambiente. Tudo isso com melhor uso da terra , maior rentabilidade e até redução de custos. E ainda possibilita a prática (rentável) da apicultura

Eng. florestal Flávio Pereira Silva, D.Sc. em Agronomia/Silvicultura, pesquisador científico da Empresa de Pesquisa de Minas Gerais (Epamig) e professor colaborador Universidade Federal de Viçosa (UFV), [email protected], estudante de Eng. Florestal Eduarda T.P.D. Ferreira, bolsista CNPq, UFV, [email protected]

Durante muitos anos o monocultivo de florestas de rápido crescimento no Brasil era restrito às grandes reflorestadoras. Mais recentemente tem-se despontado como atividade lucrativa para grandes, médios e pequenos silvicultores, apresentando rentabilidade 130% superior à bovinocultura e 75% superior à sojicultura. O sistema silviagrícola consiste no cultivo consorciado de espécies florestais de rápido crescimento, como o eucalipto e a Acacia mangium, com culturas agrícolas anuais ou bianuais, numa mesma área e ao mesmo tempo, compondo uma nova alternativa de sustentabilidade das propriedades agrícolas para reflorestadores, apicultores, agricultores e pecuaristas. Ele permite a obtenção de um número maior de produtos e/ou serviços a partir de uma mesma área do que nos monocultivos florestais ou agrícolas, refletindo no aumento e diversificação de renda por unidade de área, agregando receita agropecuária e reduzindo os riscos da atividade.

Mais recentemente esta prática tem sido tratada como uma nova alternativa que auxilia na sustentabilidade do campo, aumentando a produtividade das culturas, antecipando receitas e gerando benefícios ambientais. Se comparado com as monoculturas, o sistema silviagrícola proporciona uma maior biodiversidade ambiental tanto em nível de solos como de plantas. Esta associação proporciona benefícios ambientais e sustentabilidade ecológica como a redução da erosão dos solos, aumento do teor de matéria orgânica, manutenção da umidade do solo, aumento da infiltração de água e estabilização da temperatura do solo, entre outros benefícios.

Madeiras de florestas plantadas têm uso nobre, independente do sistema de cultivo. Entretanto, suas qualidades devem atender as exigências dos mercados consumidores, de forma a tornar a produção de madeira um negócio sustentável e ambientalmente correto. O Eucalyptus urograndis produz madeira de boa qualidade para serraria e vários outros usos, as árvores apresentam boa forma florestal, boa produtividade e excelente plasticiecológica. Os clones superiores desse híbrido de eucalipto e a espécie Acacia mangium apresentam-se como alternativas viáveis para a produção de madeiras para a fabricação de móveis, sendo que os clones já vêm sendo usados de forma tímida no Brasil para este fim, enquanto a A. mangium é usada intensamente no Sudoeste Asiático, para a mesma finalidade.

O consórcio da Acacia mangium e clones de eucalipto urograndis (Eucalyptus urophylla X Eucalyptus grandis) com culturas agrícolas anuais permite ao agricultor agregar maior valor à madeira, quando esta é destinada ao mercado moveleiro, para o qual são exigidas madeiras de boa qualidade e isentas de defeitos. Estas madeiras devem apresentar uniformidade, boa resistência mecânica, boa estabilidade e facilidade para beneficiamento. Também devem aceitar pregos sem apresentar rachaduras, colar e usinar facilmente, ser ausentes de bolsa de resina, rachaduras, entre outros defeitos. A obtenção de madeiras com tais características requer o emprego de práticas silviculturais adequadas, como espaçamento de plantio, podas, desbastes seletivos e eliminação de brotações, entre outras.

Preço até quatro vezes maior — O emprego de técnicas específicas nas operações de abate, transporte, desdobro e secagem constitui pré-requisitos fundamentais para uma boa aceitação das madeiras nas movelarias e marcenarias, enquanto a idade das árvores abatidas exerce papel decisivo sobre a qualidade das madeiras para móveis, garantindo matéria prima com pouco ou nenhum defeito e boa trabalhabilidade. Neste contexto, a produção de madeira no sistema silviagrícola e empregando-se práticas de manejo florestal adequadas é extremamente importante e promissor, uma vez que o preço de mercado de madeiras para serraria pode ser quatro vezes maior do que os preços das madeiras destinadas para celulose ou energia. Além de ser economicamente atrativa, a produção de madeira neste sistema, quando bem planejada e bem conduzida, permite uma boa densidade populacional de árvores e uma adequada penetração de luz para as culturas anuais intercaladas, aumentando a rentabilidade financeira das áreas cultivadas.

A produção florestal e agrícola numa mesma área e ao mesmo tempo tem despertado o interesse de um grande número de produtores florestais, por permitir a exploração harmoniosa das florestas e das culturas agrícolas com o meio ambiente, otimizando o uso da terra e a rentabilidade dos investimentos. Este sistema presta relevantes contribuições para a redução dos custos de produção, garantindo significativa produtividade florestal e agrícola, redução do uso de mão de obra e minimização dos impactos ambientais produzidos pelas monoculturas e atividades antrópicas. E vem sendo empregado com sucesso no noroeste de Minas Gerais, onde diferentes espécies e clones de Eucalyptus sp. são consorciados com arroz, feijão ou soja, produzindo grãos e madeiras de expressiva qualidade para serraria, boa rentabilidade financeira e boa preservação ambiental. O sistema pode ser desenvolvido por todas as classes de produtores rurais, desde que garantam o uso sustentável dos solos, colhendo apenas os produtos comercializáveis e incorporando os resíduos ao sistema.

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Segundo Eduarda e Silva, as espécies florestais no Brasil quando bem manejadas podem ter produtividade de até 75 metros cúbicos/hectare/ ano

Assim, o sistema silviagrícola contemplando Acacia mangium e clone de eucalipto representa uma alternativa para a sustentabilidade financeira e ambiental das propriedades agrícolas por serem adaptadas às diferentes condições ecológicas, fácil cultivo, produzirem madeiras de excelente qualidade para móveis e elevado valor comercial, antecipando receitas, melhorando o fluxo de caixa e diversificando as atividades da propriedade rural.

Sistema silviagrícola em silvipastoril — O consórcio de culturas agrícolas anuais com espécies florestais seguidas pela introdução de pastagens nas entrelinhas de plantio da floresta e exploração da bovinocultura, possibilita a redução dos impactos ambientais, maximiza a biodiversidade, recompõem parcialmente os componentes florestais, aumenta o ciclo orgânico e dos nutrientes, oferece fonte de alimento e abrigo para animais silvestres, fornece madeira, oferece pasto de melhor qualidade no período seco do ano, proporciona um ganho adicional de peso de até 12% nos animais criados neste sistema; permite o controle e redução dos sub-bosques, diminui os riscos de incêndios florestais, entre outros benefícios.

Assim, o estabelecimento de pastagens nas entrelinhas de plantios florestais, seguido pela criação de animais de corte ou de leite, tem reduzido os custos de manutenção destas áreas, sem prejudicar o crescimento e sobrevivência das árvores. Neste caso, a pastagem deverá ser composta por gramíneas e leguminosas produtivas, bem adaptadas às condições locais e tolerantes ao sombreamento para que o futuro sistema silvipastoril proporcione a obtenção de um número maior de produtos e/ou serviços e menores riscos.

O sistema silviagrícola resultará em benefícios diretos e indiretos para o produtor rural, por permitir a utilização de áreas marginalizadas, protegerem as nascentes, recuperar e proteger os solos, produzir madeira e postos de trabalho. A médio prazo, proporcionará retorno pela não compra de madeiras e pela venda do excedente de madeira produzida na fazenda. A floresta resultante pode ser manejada por desbaste, cujas madeiras oriundas desta operação e do corte final, deverão ser classificadas e destinadas a diferentes usos como móveis, celulose, moirões de cercas tratados, postes, energia, aglomerados ou MDF.

O sistema permite ainda a exploração paralela da apicultura, a produção de sementes florestais, óleos essenciais, produção de tanino e forragem, diversificando e aumentando a renda das propriedades. E ainda atende a reposição florestal prevista em lei, aproveita os solos impróprios para a agricultura, amortiza os custos de implantação e manejo dos povoamentos, antecipa receitas, melhora o fluxo de caixa das empresas e constitui fonte de adubação natural para as culturas agrícolas consorciadas.

Rentabilidade econômica comparativa — As espécies florestais de rápido crescimento mais intensamente cultivadas no Brasil são em sua maioria de grande precocidade, e quando bem manejadas podem apresentar produtividade de até 75 metros cúbicos/hectare/ano. Entretanto, constituem investimentos de retorno mais demorado do que as monoculturas anuais. Contrariamente, os rendimentos do sistema silviagrícola têm início com a colheita da primeira cultura agrícola e da exploração da apicultura no componente florestal. Para sua implantação, as culturas agrícolas devem ser pouco exigentes em solos e produzirem muita matéria orgânica para o enriquecimento e melhoramento das propriedades do solo para o desenvolvimento satisfatório de uma segunda cultura agrícola a ser cultivada na área.

A partir do terceiro ano de plantio das espécies florestais, estas poderão ser submetidas a um desbaste seletivo das árvores, cuja madeira produzida poderá ser transformada em produtos mais nobres, antecipando receitas e melhorando o fluxo de caixa da empresa, enquanto a exploração da apicultura contribuirá para aumentar a rentabilidade do consórcio.

Resultados de pesquisas de um sistema silviagrícola conduzido no noroeste de Minas Gerais durante 11 anos apresentaram produtividade de 385 estéreos/ hectare de madeira, dos quais 231 foram destinados para energia e os 154 restantes foram destinados a serrarias, enquanto o componente agrícola produziu 43 sacas de soja durante as duas primeiras safras anuais. A mesma área foi transformada em sistema silvipastoril, com a introdução de pastagem entre as fileiras florestais, seguindo-se exploração da pecuária de corte até os 11 anos, resultando na venda do quarto lotes de novilhos engordados na área e corte final das árvores.

outra pesquisa conduzida no município de Ervália/MG, onde foi estabelecido um consórcio de Acacia mangium com eucalipto urograndis, arroz de sequeiro e feijão carioca, no primeiro ano a safra de arroz rendeu 2.800 quilos por hectare. No segundo ano, o componente florestal foi consorciado com feijão carioca, no período das águas, rendendo 560 quilos por hectare. No período do mesmo ano, uma segunda safra do mesmo feijão (safra da seca), apresentando produtividade de 700 quilos/ha. Avaliação das espécies florestais com um ano de idade mostrou crescimento médio de sete metros de altura, com boas possibilidades para exploração suplementar da apicultura em nectários extraflorais da acácia consorciada.

Os resultados das diferentes pesquisas florestais e apícolas realizadas em diferentes sistemas de exploração no Brasil, envolvendo a Acacia mangium permitiu a elaboração da tabela (nesta página) de estimativas de rentabilidades financeiras que podem ser obtidas com a exploração da espécie, desde que seja cultivada em condições edafoclimáticas favoráveis a espécie e manejadas por podas e desbastes, entre outras práticas silviculturais. Vale lembrar que madeiras serradas, de boa qualidade, de espécies florestais semelhantes à Acacia mangium, na região Sudeste, em 2017, tiveram seus preços oscilando entre R$ 700 e R$ 1.200/ metro cúbico FOB fazendas produtoras, enquanto as madeiras para energia (galhos) oscilaram entre R$ 45 e R$ 70/metro cúbico. A tabela ilustra os múltiplos produtos e múltiplos usos da Acacia mangium e fornece estimativas das rentabilidades brutas, em R$, possíveis de serem obtidas com a exploração integrada da espécie com desbastes intermediários e corte final aos nove anos de idade.


Por que a ILPF é vantajosa?

O consórcio de culturas anuais com espécies florestais seguidas pela introdução de pastagens nas entrelinhas das árvores e exploração da bovinocultura possibilita a redução dos impactos ambientais, maximiza a biodiversidade, recompõe parcialmente os componentes florestais, aumenta o ciclo orgânico e dos nutrientes, oferece fonte de alimento e abrigo para animais silvestres, fornece madeira, gera pasto de melhor qualidade no período seco, proporciona um ganho adicional de peso de até 12% nos animais criados neste sistema.

O que o produtor ganha?

O sistema silviagrícola resultará em benefícios diretos e indiretos ao produto, por permitir a utilização de áreas marginalizadas, proteger as nascentes, recuperar e proteger os solos, produzir madeira e postos de trabalho. A médio prazo vai promover o retorno pela não compra de madeiras e pela venda do excedente de madeira produzida na fazenda. Além disso, a floresta pode ser manejada por desbaste, cujas madeiras oriundas desta operação e do corte final, deverão ser classificadas e destinadas a diferentes usos como móveis, celulose, moirões de cercas tratados, postes, energia, aglomerados ou MDF.

E quais os ganhos “paralelos”?

O sistema permite ainda a exploração da apicultura, a produção de sementes florestais, óleos essenciais, produção de tanino e forragem, diversificando e aumentando a renda das propriedades. E ainda atende a reposição florestal prevista em lei, aproveita os solos impróprios para a agricultura, amortiza os custos de implantação e manejo dos povoamentos, antecipa receitas, melhora o fluxo de caixa das empresas e constitui fonte de adubação natural para as culturas agrícolas consorciadas.