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A FORÇA QUE NASCE DA COOPERAÇÃO

Protagonistas em seus locais de atuação, as cooperativas agropecuárias dão suporte a mais de 1 milhão de associados e responderam por 13,5% do PIB do agronegócio brasileiro em 2017. Para continuar crescendo em importância para o desenvolvimento regional e a economia nacional, o sistema amplia investimentos em projetos prioritários, como expansão de unidades, melhoria de estruturas, diversificação de atividades e intercooperação

Denise Saueressig
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Uma parte importante do protagonismo do agronegócio na economia brasileira deve-se às cooperativas do setor. Geração de alimentos, armazenagem, fornecimento de insumos, industrialização, venda da produção, assistência técnica, educacional e social: são inúmeras as atuações dessas instituições que, não por acaso, aparecem em rankings que relacionam as maiores empresas do agro no País.

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Produtor Edemar Burin e a piscicultura, uma das atividades da família em Palotina/PR. Ele é cooperado da C.Vale há 35 anos

No ano passado, as cooperativas agropecuárias responderam por 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, com um faturamento de mais de R$ 190 bilhões, resultado que representa um incremento de 4,5% em relação a 2016, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Sobre 2018, o diagnóstico ainda requer cautela, observa o analista técnico e econômico da OCB, João Prieto. Apesar da expectativa de um cenário positivo baseado na possível recuperação da economia, houve momentos em que o câmbio sofreu grandes oscilações. “Também devemos considerar a paralisação dos caminhoneiros, que desencadeou impactos diretos ao setor, trazendo, como um dos desdobramentos, a implementação do tabelamento de fretes. Além disso, atravessamos um processo eleitoral que gerou grandes oscilações no mercado”, sustenta.

Do total de 6.887 cooperativas existentes no Brasil, 1.618 são agropecuárias. Dos 14,2 milhões de cooperados nos 13 diferentes ramos do cooperativismo, mais de 1 milhão são representados pelas instituições do agro. No ano passado, as exportações das cooperativas chegaram a US$ 6,1 bilhões (cerca de 20% a mais sobre 2016), sendo que 99% desse total teve origem nas organizações do agro. O complexo soja respondeu por 28% das vendas; outros 26% foram do complexo sucroalcooleiro; 21%, da carne de frango; 11%, do café; e 6%, dos suínos.

Mas a relevância das cooperativas vai muito além dos números. O sistema colabora para a organização produtiva e econômica do produtor e ajuda a reduzir as assimetrias e imperfeições em um mercado cada vez mais concentrado, considera Prieto. “Amparando a diversificação de atividades e funcionando como vetor de transferência de tecnologias, as cooperativas têm propiciado caminhos para fixação do homem no campo, com incremento de renda e qualidade de vida”, declara.

Estrutura e gestão — Para continuar no caminho do crescimento, as cooperativas aplicam recursos em áreas estratégicas. Considerando as últimas cinco safras somadas aos cinco meses do ciclo 2018/19, os investimentos em modernização e ampliação dos parques agroindustriais que contemplam o processamento de grãos, carnes, frutas e insumos atingiram, aproximadamente, R$ 6 bilhões, o que pode ser visualizado a partir dos desembolsos realizados pelo Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), do BNDES. “Com a estabilidade de macrovariáveis econômicas e da retomada dos indicadores de confiança de diversos setores da economia – em especial, do Índice de Confiança do Agronegócio, realizado pela OCB e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) –, prevê-se a continuidade do ritmo de investimento, atingindo o valor de R$ 1,5 bilhão para 2019/20”, revela Prieto.

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Além de investimentos em estruturas e serviços, a busca por um maior profissionalismo em toda a rotina administrativa deve ser um processo contínuo nos negócios cooperativos, prossegue o dirigente. “Se a estrutura organizacional das cooperativas garante, por um lado, uma maior participação dos associados nos processos decisórios, por outro, acaba por ser um desafio constante para uma gestão adequada e eficaz”, argumenta.

São conhecidos dos produtores casos em que falhas na gestão ocasionaram crises que levaram até ao fechamento de cooperativas. Segundo o analista da OCB, o surgimento do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), em 1998, foi um grande divisor para o segmento no País. “Com o desenvolvimento das áreas de formação profissional e de monitoramento, houve uma forte melhoria nos aspectos de gestão, governança e inovação”, acrescenta. Um dos maiores desafios do cooperativismo no País é perenizar-se em mercados altamente voláteis e instáveis, conclui o dirigente. “É importante a busca da capacitação e profissionalização, construindo estratégias de longo prazo e aproveitando as melhores oportunidades. Uma melhor prestação de serviços a seu associado e a agregação de valor são também desafios permanentes”, diz.

Seriedade para investir — Uma gestão consciente também depende de investimentos projetados e realizados de acordo com a demanda e a escala de produção. “Não podemos e não queremos investir sem rumo. As decisões são tomadas com os pés no chão”, assinala o presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, José Aroldo Galassini.

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Coamo: atuação em três estados, mais de 28 mil associados, 7,5 mil funcionários e receitas de R$ 11 bilhões em 2017

Em 2016, foi aprovado um aporte entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão até 2018. O principal projeto, que deverá receber entre R$ 650 milhões e R$ 700 milhões, é uma indústria de esmagamento de soja em Dourados/MS. A previsão é de que o empreendimento entre em funcionamento no segundo semestre de 2019 com capacidade de processamento de 3 mil toneladas ao dia para produção de farelo e óleo. No mesmo local, uma refinaria terá capacidade para 720 toneladas/dia de óleo de soja refinado. A nova unidade permitirá a ampliação da capacidade diária de processamento de soja da cooperativa de 5 mil para 8 mil toneladas/dia. Já a capacidade de refino passará de 660 toneladas/ dia para 1,38 mil toneladas de óleo/dia.

O planejamento da Coamo, que tem sede em Campo Mourão/PR, também inclui quatro entrepostos novos – três no Mato Grosso do Sul e um no Paraná – e melhorias em estruturas já existentes nos três estados de atuação (além de MS e PR, também Santa Catarina). Para os próximos anos, os planos incluem a instalação de uma fábrica de ração para peixes, aves e suínos. “Hoje, só fornecemos a matéria- -prima, mas esse projeto ainda depende de análise de viabilidade econômica”, informa Galassini.

A Coamo completou, no mês passado, 48 anos de história. A cooperativa, que tem mais de 28 mil associados e 7,5 mil funcionários, é uma das maiores da América Latina, respondendo por 3,5% da produção nacional de grãos e fibras e por 16% da safra paranaense. As receitas alcançaram R$ 11,07 bilhões em 2017, e a estimativa é de que fiquem entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões em 2018. “O produtor conseguiu vender melhor sua safra neste ano, e continuamos otimistas quanto ao mercado, especialmente em relação à soja”, aponta o dirigente.

Qualidade para a produtividade — O bom desempenho na comercialização da colheita também deverá impactar positivamente nos números da Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial, de Não-Me-Toque/RS. O faturamento – que, no ano passado, ficou em R$ 1,735 bilhão – deverá chegar aos R$ 2,1 bilhões em 2018. “Além dos preços favoráveis das commodities, podemos creditar nossos resultados à grande fidelização e ao crescimento de cerca de 20% no número de associados, fruto da credibilidade, segurança e imagem da nossa marca”, ressalta o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica. Hoje, a cooperativa soma 7,68 mil cooperados que representam uma área cultivada de 600 mil hectares no Rio Grande do Sul. As novas adesões vêm ocorrendo principalmente em municípios do Norte do Estado, região onde a atuação se iniciou mais recentemente.

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Unidade de beneficiamento de sementes da Cotrijal: investimento faz parte de um pacote de R$ 200 milhões

Nos últimos dois anos, foram investidos cerca de R$ 200 milhões em diferentes projetos, como ampliação de estruturas de armazenagem, aumento de frota e abertura de lojas agropecuárias. A obra mais grandiosa foi a nova unidade de beneficiamento de sementes (UBS), com capacidade para 1 milhão de sacas. “É uma das estruturas mais modernas da América Latina. Investimos porque acreditamos na importância da qualidade da semente para o aumento da produtividade no campo”, justifica Mânica.

Entre os planos para o próximo ano está um centro de distribuição e a ampliação da capacidade de armazenagem, que, atualmente, é de 900 mil toneladas. A cooperativa vai comemorar, em 2019, a 20ª edição da Expodireto Cotrijal, feira realizada em Não-Me-Toque e agendada entre 11 e 15 de março. “Todos os espaços dos 84 hectares do parque já estão preenchidos. Temos um ambiente de otimismo para o Brasil e perspectiva positiva para a safra, e, por isso, esperamos resultados que superem todos os anos anteriores”, afirma o dirigente. Em 2018, o evento recebeu 265 mil visitantes, reuniu 527 expositores e contabilizou negócios de R$ 2,2 bilhões.

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União de Frísia, Castrolanda e Capal criou a marca Unium, que representa cerca de 5 mil famílias

União para o fortalecimento — Em 2018, o volume investido pela Frísia Cooperativa Agroindustrial deverá somar R$ 56,2 milhões, R$ 11 milhões a mais do que o montante de 2017. Nos últimos quatro anos, a instituição realizou seus principais investimentos em 93 anos de história. Entre os projetos contemplados estão a Unidade Produtora de Leitões, em 2015; o entreposto em Paraíso do Tocantins/TO, em 2016; a construção da nova sede em Carambeí/ PR e o entreposto em Tibagi/PR, ambos em 2017. Outros planos prioritários envolvem pesquisa e tecnologia, destaca o superintendente da Frísia, Emerson Moura. “Há dois anos, apostamos em uma feira, a Digital Agro, totalmente voltada à agropecuária digital, conectando produtores rurais com empresas e startups que desenvolvem aplicativos, sites e mecanismos para melhorar a produtividade e reduzir custos”, descreve.

Outra novidade, implementada neste ano, foi o e-commerce SuperCampo, loja virtual que disponibiliza mais de mil itens agropecuários. A expectativa é de que os investimentos realizados pela Frísia colaborem para um incremento de 5% no faturamento, que foi de R$ 2,4 bilhões em 2017. Para Moura, o sistema cooperativista é uma das formas mais democráticas e eficientes de gestão e organização do mundo. “Não sou apenas eu que digo: a movimentação somente das cooperativas agrícolas do Paraná comprova isso. Segundo a Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), em 2017, elas, insujuntas, faturaram R$ 58,4 bilhões. Com números como esse, temos total confiança que as perspectivas para o cooperativismo são as melhores possíveis”, indica.

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Show Rural Coopavel estará na 31ª edição em 2019 e deverá injetar R$ 60 milhões nas economias de Cascavel/PR e de municípios vizinhos

Em conjunto com outras duas paranaenses, a Castrolanda e a Capal, a Frísia faz parte de um projeto de intercooperação, que é um dos sete princípios do cooperativismo e que norteiam essas instituições desde que foi fundada a primeira cooperativa da história, em 1844. “É uma evolução do cooperativismo, pois une a força das cooperativas para um objetivo em comum. No caso do que acontece nos Campos Gerais, foi a união de três instituições com origens e interesses semelhantes”, define Moura.

No ano passado, a iniciativa passou a ser conhecida pela marca Unium, que responde por mais de R$ 7 bilhões em faturamento anual, por cerca de 5 mil famílias cooperadas, produção de 3 milhões de litros de leite ao dia e processamento de 120 mil toneladas de carne suína e 121 mil toneladas de trigo por ano. “Toda a vez que o consumidor adquire um produto originário da intercooperação, verá o selo da Unium. Além do fortalecimento das cooperativas e dos cooperados, essa união gerou uma estrutura para que nós competíssemos de igual para igual no varejo, controlando toda a cadeia”, complementa o dirigente.

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Indicadores positivos — Nos últimos cinco anos, a Coopavel Cooperativa Agroindustrial, de Cascavel/PR, investiu entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões por ano. O volume vem sendo aplicado principalmente em projetos que envolvem as áreas de grãos, insumos e carnes de frango e suína. A previsão para 2019 é de outros R$ 100 milhões. Desse total, R$ 60 milhões serão aportados no segmento de suínos e R$ 40 milhões, em armazenagem e insumos. “Estamos ampliando a capacidade do frigorífico de 1,5 mil suínos ao dia para 3 mil animais ao dia. Já na área de insumos, estamos construindo uma filial nova e promovendo a ampliação e a modernização de outras filiais. Teremos uma nova filial em Santa Izabel do Oeste/ PR”, explica o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

A cooperativa deverá crescer em torno de 20% em 2018, com faturamento estimado em R$ 2,55 bilhões. Esse desempenho, na avaliação do dirigente, deve-se, sobretudo, aos resultados positivos nas áreas de grãos e insumos, que, além de abastecer o consumo interno, são destinados também para mercados da América Latina (insumos), Europa e Ásia (farelo e óleo de soja). Do total da carne de frango industrializada, cerca da metade é vendida para o exterior, enquanto 30% da carne suína é embarcada para outros países.

Outro indicador a ser comemorado pela Coopavel é o incremento de cooperados, que foi de 30% nos últimos cinco anos, em um total de 5,5 mil pessoas. “É um número bastante expressivo, porque não há novos produtores no campo. Considero que isso ocorreu porque fazemos um trabalho forte em insumos, com excelente assistência técnica, e na área de grãos, cada vez mais próximo do produtor, que demanda esse trabalho para aumentar a sua produtividade”, avalia Grolli. “Também é um fator favorável a localização estratégica da cooperativa próxima da propriedade. Hoje, são 26 filiais em 17 municípios no Oeste e Sudoeste do Paraná”, completa.

Entre 4 e 8 de fevereiro, a Coopavel realiza o tradicional Show Rural, evento que, em 2019, estará na 31ª edição e tem expectativa de atrair 250 mil pessoas e injetar em torno de R$ 60 milhões nas economias de Cascavel e de municípios vizinhos. Serão 520 expositores e estimativa de movimentação financeira entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. Para os produtores e demais visitantes, é a oportunidade para ver de perto o que existe de mais inovador em tecnologias para as cadeias do agronegócio.

Adequações e novidades — Projetos arrojados são necessários para a manutenção da solidez dos negócios, destaca o presidente da Cooperativa Agroindustrial Alfa (Cooperalfa), Romeo Bet. A instituição, que tem sede em Chapecó /SC, também tem unidades no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul. No estado do Centro-Oeste, a atuação completou três anos em 2018, e os projetos incluem aquisição de três unidades armazenadoras e melhorias nas estruturas. “Este foi um ano conturbado econômica e politicamente, mas estamos encerrando de forma positiva, com nossas características de diversidade e segurança, cumprindo o papel do verdadeiro cooperativismo”, constata o dirigente. O faturamento previsto para o ano é de R$ 3,3 bilhões e, se for confirmado, representará um crescimento de 17,8% sobre 2017.

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Na última década, o investimento anual médio da Cooperalfa foi de 4,5% do faturamento. A cooperativa tem 19,4 mil associados


Confiança e transparência

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No contexto de um sistema formado essencialmente por pessoas, é natural que histórias de famílias estejam relacionadas diretamente à realidade das cooperativas. Para os Scheffel, de Lagoa dos Três Cantos/ RS, a ligação com a Cotrijal teve início na década de 1970. O produtor Breno Francisco Scheffel, 69 anos, é associado da cooperativa há mais de 40 anos. Agora, os filhos Daniel e Leila, frutos do casamento com Loni Rejane, também são. O envolvimento vai além dos negócios e inclui a rotina. Por exemplo, ouvir o programa de rádio produzido pela cooperativa todos os dias é um hábito adotado há bastante tempo.

Breno e Daniel foram líderes de núcleo em Linha Glória, onde a família trabalha e mora. “Fui líder durante seis anos e, agora, estou no segundo mandato no Conselho Fiscal”, conta Daniel, que se associou em 2004, depois de concluir o curso de Técnico Agrícola. Para ajudar os pais no campo, ele buscou ainda mais qualificação nos cursos superiores de Administração de Empresas e de Gestão Ambiental. Na propriedade de 32 hectares, a família Scheffel cultiva soja e milho, e tem criação de frango e de vacas leiteiras. O trabalho nas diferentes atividades é voltado a resultados de alto rendimento. Na lavoura de soja, a produtividade média das últimas safras ficou acima das 80 sacas por hectare.

Sempre que pode, Daniel vai a palestras e a outros eventos técnicos realizados pela cooperativa na região. No ano passado, toda a família participou do Programa D-Olho na Qualidade Rural, uma parceria da Cotrijal com a Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), Senar/ RS e Sebrae/RS. A proposta da iniciativa é melhorar os resultados nas propriedades com a abordagem de temas como planejamento e gestão.

O produtor, que é casado com Elineia e pai da pequena Kauani, reflete que a Cotrijal tem uma importância fundamental para a família. Ele cita fatores que considera prioritários para a prosperidade dos negócios e que contribuem para a boa relação entre associados e cooperativa. “Temos a confiança de que nossa produção poderá ser depositada lá e comercializada no momento em que decidirmos. Estamos sempre atualizados com as informações técnicas fundamentais para o desempenho da nossa atividade, podemos contar com os melhores preços na hora de comprar insumos e temos acesso a números de faturamento e de sobras pela transparência que existe na gestão”, enumera.


Na última década, o investimento anual médio da Cooperalfa foi de 4,5% do faturamento. Ao longo de 2018, o aporte ficará entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões. A construção de uma unidade armazenadora na região de Guaraciaba/ SC e de uma loja e mercado agropecuário em Papanduva/SC estão entre as obras em andamento. Ainda no final do ano passado, foi inaugurada em Canoinhas/SC uma unidade de beneficiamento de sementes.

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C.Vale tem projeto para expansão da produção de frangos, que, hoje, está em 530 mil aves/dia, o que vai depender da recuperação do mercado interno

“No Rio Grande do Sul, compramos sete unidades que eram da Sementes Estrela e mais uma em um leilão que era da antiga Cotrel. E, agora, por serem bastante antigas, estamos adequando essas estruturas e melhorando o padrão para poder atender à região cada vez melhor”, detalha Bet.

Para a região de Chapecó, há um plano pronto para uma nova unidade industrial, em um investimento de mais de R$ 200 milhões que terá capacidade para processamento de 32 mil sacas de soja ao dia. “Nesse mesmo local, já temos uma estrutura da Nutrisoja com capacidade de 10 mil a 12 mil sacos/ dia, além de uma pequena indústria de milho. Então, vamos ter um incremento importante nessa área, onde projetamos movimentar umas 250 carretas ao dia no transporte da matéria-prima e do produto acabado”, revela.

A Cooperalfa trabalha em sete atividades principais: milho, feijão, soja e trigo e, por meio da Coopercentral Aurora Alimentos, operações com suínos, aves e leite. No total, são 23 tipos de negócios e 19,4 mil cooperados, 76% enquadrados na economia familiar. Cerca de 100 mil horas/ano são destinadas a treinamentos dos 3,4 mil funcionários.

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Família Burin: Renato, Inês, Edemar e Rafael (da esq. para a dir.) trabalham com soja, milho, peixes e aves

Planejamento e alternativa de renda — A implantação do sistema de integração para a produção de tilápias é o investimento mais recente realizado pela C.Vale Cooperativa Agroindustrial, que tem sede em Palotina/PR. Com capacidade para processar 150 mil tilápias ao dia, o abatedouro consumiu a maior parte dos R$ 110 milhões aplicados pela organização em 2017. “Para 2019, temos previsão de construir uma nova unidade de recebimento de grãos em Alto Piquiri, no Noroeste do Paraná”, salienta o presidente da C.Vale, Alfredo Lang.

O dirigente recorda que o Plano de Modernização lançado na década de 1990 previa a diversificação de atividades. Era preciso reduzir a dependência da produção de grãos, já que é uma atividade de alto risco climático. “Isso deixava a cooperativa muito vulnerável, porque as receitas variavam muito. Como você vai fazer um grande investimento se não tem um mínimo de previsibilidade quanto ao que vai faturar?”, questiona.

Outro motivo que levou à diversificação foi a necessidade de criar alternativas de renda para os associados. “Começamos com frango, depois mandioca, incentivamos a produção de leite e suínos, e, por último, apostamos na piscicultura. Em 23 anos, elevamos o faturamento industrial de 0,5% para uma faixa de 20% a 25%. Nosso quadro de associados passou de 6 mil para quase 21 mil, e o de funcionários cresceu de 800 para 9,4 mil”, informa Lang.

Nesse mesmo período, a área de atuação foi ampliada de dois para cinco estados (PR, SC, RS, MS e MT), além do Paraguai. “Uma maior expansão vai depender das oportunidades que surgirem. Em 2009, incorporamos a Coopermibra, do Paraná, ,e em 2015, compramos a cerealista Marasca, do Rio Grande do Sul. Esse avanço nos permitiu ampliar a escala de produção de grãos”, menciona o presidente da cooperativa.

Os planos mais imediatos da C.Vale incluem o aumento da produção de tilápias de 65 mil para 90 mil/dia até abril de 2019. Também há projeto para a expansão da produção de frangos, que, hoje, está em 530 mil aves/dia, o que vai depender da recuperação do mercado interno. No mês passado, a C.Vale comemorou 55 anos de uma história que se iniciou com um armazém para 60 mil sacas e que chegou a 68 milhões de sacas e mais de R$ 8 bilhões em faturamento em 2018.


Ambiente favorável aos investimentos

O Brasil será comandado, a partir de 2019, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro e por uma equipe ministerial totalmente reformulada. As mudanças geram expectativas e, de uma forma geral, otimismo entre os representantes das cooperativas:

“Esperamos que o novo Governo consiga equilibrar as contas públicas para que a União volte a ter condições de incentivar o setor produtivo, afinal, a maior parte do crédito para investimentos tem origem em recursos do Governo. O agronegócio tem grandes condições para alavancar a recuperação da economia. Precisamos apenas que o novo Governo nos dê o mínimo de condições para fazer os investimentos.” Alfredo Lang, presidente da C.Vale

“O que a Frísia espera é o mesmo que todo o setor almeja: previsibilidade para trabalhar e investir. Precisamos ter um horizonte claro para, efetivamente, conseguirmos colocar em prática o que planejamos, gerando emprego, renda, pesquisa e tecnologia. O caminho para um 2019 de sucesso está na possibilidade de vermos onde estamos caminhando para enxergarmos os resultados positivos.” Emerson Moura, superintendente da Frísia

“As expectativas para o Governo são excelentes. Precisamos de um Governo que vise dar abertura para nossos produtos no exterior, com visão global de economia e não restrita a ideologias de determinados países. As ideias do presidente comungam com os interesses das cooperativas, que é direito à propriedade e oportunidades para a abertura de mercados. Temos ligação de ideologia com a nova equipe econômica, de termos um Governo mais enxuto e de economia pujante.” Dilvo Grolli, presidente da Coopavel

“O Governo eleito é uma novidade muito positiva para os brasileiros. Podemos dizer que renasceu a esperança com a expectativa de um ambiente com maior segurança jurídica, combate à corrupção e apoio integral ao agronegócio. Sabemos que as mudanças não ocorrem da noite para o dia, mas acreditamos que haverá mais seriedade e, quem sabe, em duas gerações, poderemos ter um País bem melhor.” Nei César Mânica, presidente da Cotrijal

“O Brasil passou por momentos de insegurança e intranquilidade. Agora, parece que o presidente eleito tem boa vontade de fazer o melhor para o País. Parece que haverá combate ferrenho à corrupção. Esperamos que seja possível a realização das reformas que são necessárias, até para salvar a nossa economia. Que os recursos arrecadados sejam bem aplicados em educação, saúde, segurança, no meio rural, nas agroindústrias, na infraestrutura.” Romeo Bet, presidente da Cooperalfa

“Sou sempre otimista em relação à produção de alimentos, porque a demanda mundial continuará aumentando. Sobre o novo Governo, acredito que teremos uma liderança com mais ‘pé no chão’. Precisamos gerar empregos, crescer e deixar de lado o paternalismo.” Aroldo Galassini, presidente da Coamo


Saudável diversificação — Um trabalho 100% voltado para a C.Vale. Assim o produtor Edemar Burin define a realidade da família que tem propriedade na localidade de Linha Água Branca, em Palotina. Nos 140 hectares cultivados com soja e milho, nos aviários e na criação de peixes, a rotina é compartilhada com a esposa, Inês, e com os filhos Rafael e Renato, todos associados da cooperativa. “Sou cooperado há 35 anos e procuro participar sempre das palestras e dos dias de campo, nos quais recebemos informações que são essenciais para a qualificação das atividades”, relata Burin, que também integrou um dos Comitês Educativos mantidos pela cooperativa, estruturas que têm a tarefa de levar reivindicações à diretoria e de auxiliar na difusão das ações da organização junto aos associados.

Pela grande oferta de água que existe no local, o investimento da família Burin na piscicultura se iniciou há quase 20 anos, portanto, antes da entrada da C.Vale no negócio. “Vendíamos os peixes para uma empresa de Umuarama/ PR, mas, agora, ficou mais fácil e mais lucrativo, já que a cooperativa fornece os alevinos, a ração e a assistência técnica, além de se responsabilizar pela retirada dos peixes”, detalha o produtor. “Ao mesmo tempo, muita gente é beneficiada, porque essa diversificação gera empregos e gira ainda mais a economia”, acrescenta Burin. Hoje, os açudes da família têm capacidade para 350 mil tilápias que permanecem em ciclo de engorda por um período entre oito e dez meses.

A avicultura de corte, que também é manejada totalmente em sistema de integração com a cooperativa, ocupa sete galpões que podem fornecer 200 mil cabeças por lote. Burin calcula que os três negócios, ou seja, a lavoura e as criações de peixes e de frangos, representam cada uma em torno de um terço da renda da propriedade. No total, as atividades geram sustento para 17 pessoas, entre os familiares e os funcionários.