Fitossanidade

Milho sem a prejudicial concorrência de DANINHAS

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O objetivo do produtor de milho na atualidade é produzir mais com menos recursos investidos, pautado na sustentabilidade ambiental e econômica. Para isso, os tratos culturais devem seguir premissas de uso inteligente das ferramentas de manejo da cultura. Dentro desse contexto, as plantas daninhas, como fator redutor de produtividade, devem ser manejadas com eficácia, e, sendo o controle químico, através de herbicidas, o principal método de manejo, buscam-se opções que sejam de residual adequado, eficácia sobre folhas largas e gramíneas, seletivo para a cultura, com flexibilidade de aplicação e que evite a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Para isso, é necessário estabelecer um programa de manejo de sistemas de produção, integrando não apenas com as práticas do período de cultivo do milho, mas também com as da cultura antecessora, e continuar na cultura em sucessão. Na atualidade, o cultivo do milho é principalmente realizado em segunda safra (chamada, popularmente, de “safrinha”), e, como o próprio nome nos remete, é uma cultura na qual os investimentos são menores quando comparados com o milho cultivado na safra. Assim, o manejo de plantas daninhas na cultura de milho é, geralmente, de custo relativamente baixo, baseado, principalmente, no uso de atrazina como ferramenta de manejo.

A atrazina pode ser associada ou não ao glifosato, pois mais de 50% da área cultivada de milho no Brasil é representada por milho resistente ao glifosato. Entre os cuidados que o produtor deve tomar no uso da atrazina, destacam-se estádio da planta daninha e da cultura de milho no momento da aplicação, geralmente até o início do perfilhamento das gramíneas e as folhas largas até três a quatro folhas. Também é importante atentar para a questão da dose de atrazina a ser utilizada, que é função do residual pretendido, bem como do estádio de desenvolvimento da planta daninha no momento da aplicação. Formulações contendo bons adjuvantes devem ser também empregadas para uma boa eficácia do herbicida.

É importante lembrar que se a atrazina é associada ao glifosato no manejo de plantas daninhas de forma seletiva na cultura do milho, há necessidade de ajustes na dose do glifosato em função do efeito antagônico desse herbicida. Essa associação é interessante, pois agrega dois mecanismos de ação de herbicidas no sistema, sendo o glifosato um inibidor da EPSPs e a atrazina, um inibidor do fotossistema II, o que contribui para reduzir a pressão de seleção por plantas daninhas resistentes, principalmente ao glifosato.

A atrazina tem sido utilizada pelos produtores de milho também como uma forma de “desinfestação” da área onde existe um banco de sementes abundante de buva (Conyza spp) e/ou capim- -amargoso (Digitaria insularis). Quando aplicada em doses máximas de recomendação, ou aplicações sequenciais na cultura, a atrazina pode contribuir para uma menor infestação dessas plantas daninhas resistentes ao glifosato no próximo ciclo das culturas subsequentes. É comum que o produtor utilize duas aplicações sequenciais de atrazina, cada uma na dose de 1,5 quilo/hectare de ingrediente ativo, assim terá a área “desinfestada” no período invernal subsequente à colheita do milho (especialmente após o milho safrinha).

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Christoffoleti: na safrinha, o manejo das invasoras é, geralmente, de custo relativamente baixo, baseado, principalmente, no uso de atrazina

Milho + braquiária — Outra prática que tem sido adotada com grandes benefícios agronômicos, e de manejo de plantas daninhas, é a integração da produção de milho com capim-braquiária intercalar. Para isso, o produtor precisa planejar adequadamente o momento de realização das operações e as práticas de condução da cultura. Densidade e momento correto de semeadura do capim-braquiária, variedade de milho adequada para o sistema, aplicação eventual de herbicidas para o retardamento do desenvolvimento da braquiária (herbicidas a base de nicosulfuron ou mesotrione). Também é fundamental que o produtor tenha programação adequada de dessecação do capim-braquiária após a colheita do milho. Esse sistema tem sido vantajoso, não somente no aspecto agronômico de formação de palhada de maior longevidade, mas também de manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato, como a buva e o capim-amargoso.

Após a colheita do milho, plantas voluntárias de milho podem constituir um desafio de manejo – em especial, quando a cultura subsequente ao milho é a soja ou o algodão. Assim, há necessidade de práticas de manejo nessas culturas, principalmente se o cultivar de milho utilizado é resistente ao glifosato. Para o controle das plantas voluntárias de milho, os principais herbicidas utilizados são os inibidores da ACCase, usados tanto em condições de pré-semeadura da cultura quanto em pós-emergência da cultura. Entre os principais herbicidas inibidores da ACCase destacam-se clethodim, haloxyfop e quizalofop, sendo o clethodim utilizado em fases mais iniciais de desenvolvimento das plantas de milho (até V3), e os demais utilizados para milho em estádios mais avançados de crescimento.

O manejo de plantas daninhas na cultura do milho é, com certeza, uma prática necessária para garantir sustentabilidade econômica para a cultura, evitando, assim, perdas de produtividade causadas pelas plantas daninhas. Para isso, opções de controle de forma econômica e seletiva são buscadas pelo produtor, no entanto, essas opções devem estar pautadas no manejo adequado, não se esquecendo que a cultura do milho faz parte de um sistema de produção cada vez mais complexo e diversificado.