Herbert & Marie Bartz

MEIO AMBIENTE X AGRICULTURA = PRESERVAÇÃO X LUCRO: MITO OU VERDADE?

Herbert

Após as turbulentas eleições, Herbert Bartz nos conta um pouco de como meio ambiente e agricultura podem caminhar juntos, que não são e não devem ser temas tratados em separado. De fato, sua própria história é exemplo disso, e ele nos ressalta pontos que devemos considerar e colocar mais atenção.

“Quando, em 1971, por ocasião do plantio de soja, vivenciei chuvas torrenciais, pelas quais fiquei traumatizado, fui dominado por uma única obsessão: como conviver ou controlar essa imensidão de água que a natureza despeja sobre as nossas terras. Na realidade, meu instinto de sobrevivência inspirava com cruel clareza: ou se encontra uma solução, ou seria o fim, teria que parar e seria impossível de se fazer agricultura. Mas a água é fonte de vida! Todos – as plantas e os animais, os seres vivos em geral – dependem da água, assim como do solo. Desesperadamente, fui procurando soluções e cheguei numa conclusão: a ciência e a pesquisa, naquela época, em nosso País, não ofereciam uma solução definitiva para resolver o meu problema. Seguindo então os palpites de um amigo chileno -alemão, fui viajar mundo afora, e, nessas andanças, encontrei o que procurava: uma forma menos agressiva de manejar o solo.

Se passaram 46 anos, e o que continua me causando preocupação são as águas... As não tratadas, principalmente nos centros urbanos, que acabam sendo limpas quando passam pelo campo. E as reservas de água potável, pois, já há vários anos, as chuvas não conseguem mais reabastecer as fontes subterrâneas e as represas na superfície em níveis suficentes para atender às demandas. O problema da erosão ainda é preocupante, mas, mesmo assim, a nossa agricultura tropical bate recordes de produção. No entanto, para os ambientalistas, os apontamentos ferrenhos são para o alto consumo de defensivos agrícolas, que, na realidade, se forem comparados de forma calibrada e igualitária com números em outros países, não refletem o quadro que é mostrado na mídia.

A nosso favor e do Brasil, temos as coberturas florestais e sistemas agrossilvopastoris (sistema plantio direto, integração lavoura-pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta etc.). Todos, quando manejados adequadamente, com ricas camadas de matéria orgânica e impressionantes sistemas radiculares, que favorecem não só a decomposição e a degradação dos resíduos químicos, mas ainda absorvem a água das chuvas, que cada vez são mais intensas, resultantes das mudanças climáticas naturais e intensificadas pela ação do homem. A esses sistemas, toneladas de CO2 são fixadas do ar e depositadas no solo, e, a respeito desse tema, pouco se fala e um estranho silêncio paira... Os agricultores procuram por produções mais elevadas, têm redescoberto que o manejo integrado de pragas representa um impressionante meio de conter e reduzir os gastos com defensivos agrícolas.

Meu filho, que administra nossa propriedade, se supreendeu com uma colheita recorde em 30% da área, em um talhão no qual somente usou o controle biológico e zero de defensivos agrícolas. Em bom português: uma agricultura ambientalmente correta e lucrativa. O pré-requisito mais exigido para atingir esses patamares é o conhecimento profundo no ramo dos instrumentos para combate e controle de pragas e doenças que a pesquisa e a iniciativa privada já nos oferecem há muitos anos e que, por sua complexidade, exigem um exímio entendimento das leis que regem nossa natureza. Isso implica uma atitude de elevada ética e moral, que se resume numa frase: a natureza não aceita propina!”

Herbert Bartz é produtor rural e precursor do plantio direto no Brasil, e pai de Marie Bartz, bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Positivo