Glauber em Campo

OS DESAFIOS DA ERA BOLSONARIANA

Glauber

GLAUBER SILVEIRA

A expectativa em prol do desempenho do presidente eleito é muito grande. Os eleitores, ao votar em Jair Bolsonaro, colocaram em uma pessoa toda uma aposta de mudanças, seja na estagnação da corrupção, seja no resgate de valores familiares, seja no enfrentamento de questões éticas e de combate à violência. Fica claro que o desafio do presidente eleito é gigantesco. A pergunta que fica é se ele realmente irá conseguir romper a velha política impregnada em todos os cantos do Executivo e do Legislativo, vícios de governo e moral que estão até impregnados no Judiciário.

Bolsonaro, neste período de transição, continua dando sinais de sua atitude sempre extremista de direita, seja na questão do armamento, seja na questão da educação. Tanto que deu seus palpites e recado nas questões do Enem. Já no processo de transição, apresentou seus enfrentamentos com o Ministério da Educação e também com o Ministério da Saúde, tanto que já fez milhares de médicos do programa Mais Médicos em parceria com Cuba retornarem à sua terra natal.

Nota-se que o presidente eleito continua usando as redes sociais para, inclusive, definir seu quadro de ministros. O Twitter passou a ter uma importância jamais vista para a maioria dos brasileiros, inclusive para a imprensa. É notória a atenção dada às redes sociais para qualquer postagem do presidente eleito. Ou seja, pelas redes, ele dita regras e, inclusive, desmente ou corrige mal-entendidos. Fica evidente que o presidente não tem nenhum problema em recuar ao fazer anúncios se o que foi dito não agradou seus milhares de seguidores.

Alguns analistas e cientistas políticos preveem alguma dificuldade no futuro do presidente em sua articulação com o Congresso, pois a política bolsonariana de não fatiar cargos parece ter um bom efeito neste início, devido a todo o apelo popular que o presidente eleito nutre neste momento. Porém, ao assumir realmente, as relações começam a mudar, e o Congresso, que, neste momento, namora com as atitudes “militarianas" do presidente, pode não continuar tão compreensivo. Afinal, parlamentares também têm seus interesses políticos e de poder.

O setor produtivo continua bem alinhado com o presidente. A indicação da atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a deputada Tereza Cristina, para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) teve uma ótima aceitação pelo setor produtivo e seus representantes. Afinal, ela tem sido muito combativa e fez os enfrentamentos necessários no Congresso. Haja vista sua postura na aprovação da lei do alimento mais seguro, em que foi bombardeada pelas ONGs, mas se manteve firme na busca da aprovação da nova lei dos defensivos agrícolas.

Os produtores têm uma grande expectativa com relação ao presidente Bolsonaro. Líderes de classe e parlamentares esperam que temas ambientais sejam realmente saneados, tanto que o presidente quase fundiu o Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura. Mesmo tendo recuado, nada indica que ele não fará mudanças importantes quanto à atual política do Ibama, que é totalmente ideológica. Os produtores esperam que, de uma vez por todas, o novo Código Florestal seja implementado e os produtores possam vir a produzir em paz.

A segurança pública é, sem dúvida, a grande expectativa deste governo, assim como o combate à corrupção. E isso se torna mais forte ainda ao se ver o juiz Sérgio Moro no comando do Ministério da Justiça. Ou seja, o recado à sociedade foi dado, e, ainda por cima, o presidente Bolsonaro coloca em cargos estratégicos militares renomados pela sua forte atuação no combate ao tráfico de drogas e à violência. A esperança é que, com esse recado, os ratos pulem do barco, ou vão receber chumbo grosso.

Como podemos ver, as peças estão se mexendo para que a era bolsonariana seja de êxito. A questão é se realmente ele vai ter toda a articulação no Congresso Nacional para efetivar mudanças fundamentais ao crescimento do Brasil. Afinal, apesar da grande renovação do Congresso, velhas raposas ainda conseguiram se reeleger e dão algum sinal de que a vida do presidente não será um mar de rosas, e será preciso sentar e negociar.

O presidente Bolsonaro tem o grande desafio da Previdência. Sem a reforma adequada, o País fica estagnado e não avançará na realização de investimentos, principalmente em infraestrutura, que é necessária à retomada do crescimento do País. A era bolsonariana é conduzida na era da modernidade das redes sociais. Foram elas que elegeram o presidente e talvez elas sejam a principal arma para neutralizar velhos caciques e maus hábitos brasileiros para vermos os sonhos dos 55 milhões de eleitores de Bolsonaro se realizarem.

A questão é: até quando as redes sociais terão o poder de influenciar parlamentares e, com isso, fazer, de forma jamais vista, a influência popular realmente promover mudanças? Pois, apesar de se dizer que o Congresso representava a sociedade, não era realmente isso que se via. Agora, talvez, as redes façam o exercício da cidadania chegar a Brasília e os benefícios retornarem ao povo. Afinal, o exército bolsonariano está atento às redes.

Presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio/MT, presidente da Câmara Setorial da Soja, presidente da Associação de Reflorestadores do MT, vice-presidente da Abramilho e Diretor Conselheiro da Aprosoja