Agribusiness

 

CAFÉ

Fábio Rübenich - [email protected]

MODESTO CRESCIMENTO DOS ESTOQUES NÃO TRANQUILIZA ABASTECIMENTO

Os estoques brasileiros de café terão um modesto crescimento em 2016/17 (julho- junho), mas permanecerão em níveis muito baixos. “O ritmo de exportação acelerado, com a disparada nos referenciais externos em 2014 e o rali no dólar em 2015, resultaram em recorde de embarques. Com isso, os estoques acumulados durante as temporadas 2012/13 e 2013/14 foram utilizados para abastecer a demanda internacional”, aponta o analista de Safras & Mercado Gil Barabach. A temporada 2015/16 foi encerrada com estoques em 3,15 milhões de sacas, e a relação estoque-consumo, que chegou a 67% em 2013/14, caiu a 15%.

O crescimento da produção e uma acomodação nas exportações por conta da valorização do real favoreceram a recuperação dos estoques, que devem fechar a safra atual em 3,75 milhões de sacas. “No entanto, a relação estoque-consumo deve ficar em 18%, seguindo em uma região perigosa em relação ao abastecimento, enquanto que a produção em 2017/18 vai cair”, alerta Barabach.

De acordo com projeção mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), a produção mundial em 2016/17 deverá totalizar 156,636 milhões de sacas de 60 quilos, contra 152,946 milhões de sacas na temporada anterior. Segundo o Usda, essa alta no volume da safra mundial de café acontece uma vez que a produção recorde de arábica no Brasil “mais do que compensa a queda na produção de robusta do próprio Brasil, além do Vietnã e da Indonésia”.

O consumo total de café em 2016/17, segundo o Usda, deverá atingir 153,255 milhões de sacas – recorde histórico, contra 152,022 milhões de sacas no ano anterior, o que resulta em um superávit de oferta de 3,381 milhões de sacas. Os estoques finais totais de café em 2016/17 deverão atingir 33,307 milhões de sacas, volume mais baixo dos últimos cinco anos.


ARROZ

PREÇOS EM CASCA FICAM FIRMES NO BRASIL

Rodrigo Ramos - [email protected]

Os preços do arroz em casca seguem firmes no Brasil. Segundo o analista de Safras & Mercado Elcio Bento, a saca do grão em casca foi cotada a uma média de R$ 49,71 no Rio Grande do Sul, no dia 19 de janeiro, a maior cotação desde o final de setembro. Comparado ao mesmo momento do mês anterior, a alta era de 1,22%. E, em relação ao mesmo período do ano passado, a elevação era de 18,73%.

“Mesmo com uma demanda pouco voraz, essa elevação recente é explicada pela escassez de oferta neste pico de entressafra. Estima-se que ao final da atual temporada o Brasil tenha estoques que atenderiam o menor período de consumo da história, por cerca de dez dias”, destaca Bento. O analista explica que, graças à dimensão continental do País, esse aperto no abastecimento ao final da temporada deixa as cotações extremamente sensíveis a qualquer interesse comprador.

Conforme Bento, porém, a proximidade da safra nova e a possibilidade de importação a preços competitivos são fatores limitadores para elevações mais consistentes. No dia 19 de janeiro, as alternativas internacionais de aquisição de arroz beneficiado estariam cerca de 6% mais acessíveis que a nacional. A Conab realizou seu primeiro leilão do ano para venda de arroz em casca dos estoques públicos. Na operação de venda, foram ofertadas 7,12 mil toneladas do cereal estocadas em armazéns situados no estado do Rio Grande do Sul, nas cidades de São Borja e Santa Vitória do Palmar. A última operação de venda do grão ocorreu em setembro do ano passado. A operação deste dia 19 negociou toda a oferta. O valor da operação ficou em R$ 6.659.871,38.


SOJA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

USDA REDUZ ESTIMATIVA DE SAFRA DOS ESTADOS UNIDOS

O relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) surpreendeu ao reduzir a sua previsão para a safra americana de soja em 2016/17. O mercado apostava em uma elevação. O Usda também cortou a previsão para os estoques finais, com redução maior do que a esperada. Para 2016/17 os estoques foram reduzidos de 480 milhões de bushels, ou 13,06 milhões de toneladas, para 420 milhões ou 11,43 milhões de toneladas. O mercado apostava em 468 milhões, equivalente a 12,736 milhões de toneladas. A safra foi reduzida de 4,361 bilhões, o equivalente a 118,68 milhões de toneladas, para 4,307 bilhões ou 117,21 milhões de toneladas.

As exportações foram mantidas em 2,050 bilhões de bushels. O esmagamento está projetado em 1,930 bilhão, também inalterado na comparação com o relatório anterior. O relatório projetou safra mundial em 2016/17 de 337,85 milhões de toneladas.

No relatório anterior, o número era de 338 milhões. Os estoques finais foram reduzidos de 82,85 milhões de toneladas para 82,32 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 117,21 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de 104 milhões de toneladas, acima dos 102 milhões de dezembro, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 86 milhões de toneladas, inalterado.

Os produtores de soja da Argentina estão calculando os prejuízos e revisando para baixo as estimativas para a safra 2016/17, devido às fortes chuvas, que causaram inundações em parte da região produtora das províncias de Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires na metade de janeiro. Inicialmente, a produção argentina estava estimada em torno de 57 milhões de toneladas. Para a Federação dos Agricultores da Argentina, esse número não deverá passar de 52 milhões de toneladas. A área atingida pelas inundações está estimada em 700 mil hectares, além de cerca de 1 milhão de hectares que deixou de ser semeado pelo excesso de precipitações.

Segundo previsões oficiais e privadas, os prejuízos em decorrência das chuvas deverão ficar entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,75 bilhão.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

MOVIMENTAÇÃO GANHA RITMO EM JANEIRO

A movimentação no mercado de algodão em janeiro tem aumentado gradativamente, pois muitas indústrias já retornaram das férias coletivas. “Contudo, a maior comercialização ainda é das pequenas e médias indústrias para a aquisição imediata. As de grande porte deverão continuar abastecidas até o começo de fevereiro devido ao maior volume de aquisição no começo de dezembro”, avalia o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. No mercado spot, já há maior flexibilização pelas tradings e maior disponibilidade de algodão de boa qualidade. “Assim, a maior oferta pressionou as cotações”, explica o analista. No Cif de São Paulo, a pluma era indicada a R$ 2,72 centavos/libra-peso no dia 19 de janeiro. Quando comprado ao mesmo período do mês anterior, apresentava estabilidade. Em relação ao ano anterior, a alta era de 10,57%.

Até a última semana de janeiro na Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), foram realizadas vendas pelo produtor da safra 2016/ 17 de 306.571 toneladas. Desse total, foram destinadas para o mercado interno 92.768 toneladas; para exportação, 119.670 toneladas e, por fim, para o mercado interno com opção do mercado externo (contratos Flex), 94.133 toneladas. A área cultivada de algodão no Brasil deve ser de 910 mil hectares em 2016/17, queda de 5% ante o ano anterior, segundo estimativas do adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). A redução é explicada pela queda maior que a esperada na área de algodão no Mato Grosso, principal estado produtor. As exportações devem atingir 3 milhões de fardos, contra 4,384 milhões em 2015/16. A produção deve crescer para 6,5 milhões de fardos, contra 5,9 milhões, resultado de ganhos de produtividade proporcionados por boas condições climáticas. O consumo interno deve atingir 2,85 milhões de fardos, contra 2,95 milhões de fardos no ano anterior.


MILHO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho se aproximou do final de janeiro e registra um quadro de preços em baixa em parte do País, principalmente na Região Sul, onde o avanço da colheita da safra verão ganha força. Na Região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo, os trabalhos iniciaram também, mas os produtores agora concentram as atenções na colheita e escoamento da soja, o que acaba contribuindo para uma valorização das cotações do cereal.

Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, a situação de preços do milho nas próximas semanas dependerá do fluxo de colheita e também das questões envolvendo a logística para a colheita da soja, a disponibilidade de fretes e os espaços nos armazéns. “Nos locais em que a colheita de milho está evoluindo, o produtor tem abastecido bem os mercados regionais e os preços vão cedendo. Mas a pressão nas cotações, caso seja excessiva, pode levar os produtores a armazenar o milho ou a atrasar a colheita do cereal, o que favoreceria um movimento de alta nas cotações”, explica.

No que tange à segunda safra, como a colheita de soja deste ano vem sendo antecipada em algumas regiões, Molinari explica que a janela para o plantio está praticamente perfeita e os trabalhos evoluem bem, com o clima beneficiando o desenvolvimento inicial das lavouras. Em termos de mercado internacional, as preocupações no momento estão com o indicativo de perdas na produção da Argentina, que previa uma safra recorde, entre 38/39 milhões de toneladas, agora revista para volumes entre 35/36 milhões de toneladas.

“Por conta dos volumes excessivos de chuvas, cerca de 290 mil hectares foram alagados e ainda não se sabe que prejuízos poderão ser registrados nestas áreas em termos de produção. Com isso, pode haver um quadro de volatilidade no cenário internacional em torno do clima e das condições dessas lavouras pelo menos até março”, sinaliza.


TRIGO

Gabriel Nascimento - [email protected]

IMPORTAÇÕES TRAVAM ESCOAMENTO DO GRÃO BRASILEIRO APESAR DE LEILÕES

O mercado brasileiro de trigo segue com a comercialização lenta e as atenções voltadas aos leilões de subvenção do grão. As operações apresentaram boa demanda na terceira semana de janeiro e voltaram a ser realizadas no dia 25. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, porém, os agentes devem ficar atentos ao câmbio, que atualmente segue em baixa, favorecendo as importações. Os grandes volumes importados até o momento na temporada acabam diminuindo o efeito dos leilões de escoamento da produção interna. “Assim, mesmo havendo volumes consideráveis sendo escoados das principais regiões produtoras do País, o trigo que ingressa do mercado externo tende a seguir pressionando as cotações internas brasileiras”, analisa Pinheiro.

A Conab realizou no último dia 18 os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). No leilão de Pepro foram ofertadas 137,5 mil toneladas de trigo. A distribuição dos lotes era a seguinte: 30 mil toneladas para o Paraná, 100 mil para o Rio Grande do Sul e 7,5 mil para Santa Catarina. Foram adquiridos 82,18% da oferta ou 113 mil toneladas, sendo que toda oferta do Rio Grande do Sul foi negociada. No Paraná, foram negociadas 11,829 mil toneladas e em Santa Catarina, 1,17 mil toneladas. As médias simples e ponderada para a operação ficaram em R$ 0,2378 e R$ 0,2276 por quilo, respectivamente. Para PEP, foram ofertadas 52,50 mil toneladas: 30 mil toneladas para o Rio Grande do Sul, 15 mil para o Paraná e 7,5 mil para Santa Catarina.