Agribusiness

CAFÉ

EXPORTAÇÕES EM BOM RITMO, MAS CONILON TEM FORTE REDUÇÃO

Lessandro Carvalo - [email protected]

Apesar da quebra da safra brasileira de café em 2016, diante das perdas na produção do conilon no Espírito Santo, especialmente, o Brasil chegou ao final do ano com um bom ritmo nas exportações. Isso graças às vendas externas do arábica, porque, em função dessa quebra, os embarques do conilon estavam muito abaixo do registrado em 2015.

Em novembro, o volume embarcado do café em grão totalizou 2.999.500 sacas de 60 quilos, com média diária de 150 mil sacas. O preço médio foi de US$ 178,70 por saca. As exportações em grão obtiveram receita de US$ 535,9 milhões em novembro, com média diária de US$ 26,8 milhões em 20 dias úteis. Em outubro, a receita tinha sido de US$ 512,60 milhões – média de US$ 25,6 milhões, através das exportações de 2.974.800 sacas, com média diária de 148,7 mil sacas.

O preço médio ficara em US$ 172,30 por saca. Na comparação entre novembro e outubro de 2016, as exportações subiram 4,5% no valor médio diário e 0,8% na quantidade média diária e o preço médio subiu 3,7%. O volume total de café verde exportado em novembro (2.999.500 sacas) subiu 0,8% contra outubro (2.974.800 sacas). Em novembro de 2015, a receita das exportações de café havia somado US$ 461,3 milhões (média diária de US$ 23,1 milhões), e o volume embarcado chegara a 3,116 milhões de sacas (média de 139,0 mil sacas/dia), com preço médio de US$ 155,80 por saca.

Houve, portanto, em novembro de 2016, aumento de 16,2% em receita média diária e uma baixa de 3,7% na quantidade média diária embarcada no comparativo com novembro do ano anterior. O preço médio diário nas exportações em novembro de 2016 foi 20,7% maior que o de novembro de 2015. As exportações em volume total de café verde em novembro de 2016 (2.999.500 sacas) foram 3,7% menores que o volume de novembro de 2015 (3.116.100 sacas).


MILHO

RITMO DE IMPORTAÇÃO DE MILHO DEVE CAIR NESTE ANO

Arno Baasch - [email protected]

Após um ano marcado por altos preços e por uma disponibilidade de oferta de milho bastante limitada no mercado interno, o Brasil deve encerrar o ano comercial 2016/17 com importações recordes. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, o País conseguiu se posicionar muito bem nas aquisições de milho no segundo semestre. “O Paraguai e a Argentina aproveitaram o momento brasileiro e colocaram grandes volumes do cereal no Sul do Brasil e no Nordeste. Essas vendas, entretanto, deverão diminuir no primeiro semestre de 2017, até em função da logística”, comenta.

Molinari destaca que, de janeiro a novembro, as importações ficaram em 2,44 milhões de toneladas, volume acima do esperado para 2016. “A atitude de tentar liberar a importação de milho norte-americano facilitou os negócios com os países vizinhos. Do total adquirido, 1,23 milhão de toneladas ingressou no Brasil com origem no Paraguai e 1,21 milhão de toneladas com origem na Argentina. Dos Estados Unidos, contudo, nenhuma importação foi registrada”, detalha.

O analista ressalta que o mercado interno retornará em janeiro com outro foco na comercialização. “Teremos fretes internos em elevação, redução na entrada das importações e dificuldade de logística com a colheita da soja. Por outro lado, haverá uma entrada de milho nos mercados regionais e o perfil de preços será definido dependendo da posição dos vendedores frente ao quadro de estoques dos consumidores”, disse. Para Molinari, ao longo do primeiro quadrimestre o mercado consumidor dependerá do ritmo de colheita da safra verão. “Pelo menos por enquanto o clima para o desenvolvimento das lavouras segue positivo, o que possibilitaria uma recuperação da produção”, finaliza.


SOJA

SAFRAS INDICA PRODUÇÃO BRASILEIRA EM 103,477 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja em 2016/17 deverá ficar em 103,477 milhões de toneladas, aumento de 6,5% sobre a safra da temporada anterior, de 97,150 milhões. A previsão faz parte do novo levantamento de Safras & Mercado. Na comparação com o relatório anterior, houve um pequeno ajuste para cima. Em julho, a estimativa era de 103,364 milhões de toneladas. Segundo o analista de Safras Luiz Fernando Roque, houve revisão nos números de área do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Safras indica uma área plantada de 33,537 milhões de hectares, crescendo 1,1% sobre o total cultivado em 2015/16, de 33,015 milhões de hectares.

A produtividade deverá passar de 2.943 quilos para 3.101 quilos por hectare. A produção do Mato Grosso deverá subir de 27,558 milhões para 29,240 milhões de toneladas, com aumento de 6%. No Paraná, o aumento será de 4%, passando de 16,595 milhões para 17,301 milhões de toneladas. A safra gaúcha deverá totalizar 16,098 milhões de toneladas, com queda de 1% sobre o ano anterior.

O relatório de dezembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) não trouxe alterações nas suas estimativas para o quadro de oferta e demanda americano em 2016/17. Para 2016/17, os estoques foram mantidos em 480 milhões de bushels ou 13,06 milhões de toneladas. O mercado apostava em 472 milhões de bushels, equivalente a 12,82 milhões de toneladas. A safra permaneceu projetada em 4,361 bilhões, o equivalente a 118,68 milhões de toneladas. As exportações foram mantidas em 2,050 bilhões de bushels. O esmagamento está projetado em 1,930 bilhão, também inalterado na comparação com o relatório anterior.

O Usda projetou safra mundial em 2016/17 de 338 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 336,09 milhões. Os estoques finais foram elevados de 81,53 milhões de toneladas para 82,85 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 118,69 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 102 milhões de toneladas – mesmo número de novembro –, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 86 milhões de toneladas, volume inalterado.


ALGODÃO

OFERTA ESCASSA SUSTENTA PREÇOS DOMÉSTICOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

A escassez de oferta no mercado doméstico de algodão e os vendedores mais retraídos, devido à expectativa de alta de janeiro em diante, voltaram a dar suporte aos preços de algodão. “Muitos vendedores aguardam cotações acima de R$ 2,80 por libra-peso para a virada do ano em diante”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. No Cif de São Paulo, a pluma estava sendo indicada a R$ 2,72 por libra-peso no dia 13. Quando comparado ao mesmo período do mês anterior, apresentava alta de 7,09%, quando a libra-peso valia R$ 2,54. Em relação ao ano anterior, a alta era de 21,43%. Destaque para o relatório de dezembro de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).

O departamento estimou a produção global de algodão em 104,24 milhões de fardos para a temporada 2016/17, ante os 103,28 milhões de fardos indicados no mês anterior. As exportações mundiais foram estimadas em 35,33 milhões de fardos para 2016/17, ante 35,21 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 111,91 milhões de fardos, ante 111,99 milhões de fardos indicados no relatório anterior. Os estoques finais foram projetados em 89,15 milhões de fardos, ante 88,31 milhões de fardos projetados no relatório passado.

A expectativa é que a China colha 21 milhões de fardos na temporada 2016/17, mesmo patamar do relatório anterior. A produção do Paquistão para a temporada foi prevista em 8,25 milhões de fardos, igual ao relatório anterior. O Brasil tem a safra 2016/17 estimada em 6,5 milhões de fardos, mesmo patamar do mês anterior. A produção indiana deve chegar a 27 milhões de fardos em 2016/17, mesmo nível do mês passado. Os norte-americanos deverão colher 16,52 milhões de fardos em 2016/17, ante 16,16 milhões no mês passado.


ARROZ

MERCADO TEM MELHOR MOVIMENTAÇÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado doméstico de arroz esteve mais movimentado no final da primeira quinzena de dezembro. Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, essa melhora do dinamismo pode ser creditada, em grande parte, à operação padrão dos fiscais da Receita Federal, que vem dificultando o ingresso do produto importado. “Sem conseguir internalizar o produto do exterior, os compradores de beneficiado recorrem ao mercado doméstico”, explica. Essa leve melhora na movimentação ainda não é suficiente para trazer grandes alterações no preço do arroz em casca. “Mesmo porque o produto importado está com preços 3,6% inferiores aos do brasileiro no Cif de São Paulo”, pondera Bento. “Há uma semana (primeira semana de dezembro), estava 2,6% abaixo”, lembra. Esse barateamento deve-se, basicamente, à recente queda do dólar em relação ao real.

“Com o cereal nacional acima da paridade de importação, mesmo com o ingresso externo abaixo do esperado, existe dificuldade em elevar as cotações”, comenta o analista. No dia 13 de dezembro, a média de preços no mercado gaúcho ficou em R$ 48,91 pela saca de 50 quilos do grão em casca. Frente a igual período do mês passado, acumulava perda de 0,71%, quando valia R$ 49,26. Ante o mesmo período de 2015, a elevação ainda era de 19,68%, quando valia R$ 40,87. Segundo a Equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado tinha 98,83% da área plantada com arroz na safra 2016/17 até o dia 8 de dezembro. Foram plantados 1.078.679 hectares. Na semana anterior, o percentual semeado era de 96,95%. A área total no estado deve ser de 1,091 milhão de hectares.


TRIGO

LEILÕES TÊM DEMANDA AGRESSIVA NO RS E FRACA NO PR

Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado brasileiro de trigo segue digerindo os resultados das duas primeiras intervenções governamentais para auxiliar o escoamento da produção e garantir preços mínimos aos produtores. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, nos leilões realizados até agora, a demanda tem sido agressiva no Rio Grande do Sul e muito baixa no Paraná. Com preços próximos a R$ 500 por tonelada no mercado gaúcho, a possibilidade de negociar R$ 644,20 por tonelada (preço mínimo) atrai os produtores que têm disputado os recursos ofertados via Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro).

“O resultado efetivo no Rio Grande do Sul foi uma leve alta nas cotações, que atualmente oscilam entre R$ 520/530. Esses preços ainda estão cerca de R$ 100 por tonelada abaixo dos valores negociados no mercado paranaense, o que tem atraído a indústria desse estado para o cereal gaúcho”, analisa Pinheiro. Em relação aos leilões de PEP, não houve demanda significativa para nenhuma região na qual houve oferta disponível.

No dia 9, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou seu relatório mensal para oferta e demanda dos Estados Unidos e do mundo. Conforme o Usda, a safra 2016/17 é estimada em 2,31 bilhões de bushels, mesmo volume estimado no mês anterior, contra 2,062 bilhões de bushels em 2015/16. Os estoques finais do país em 2016/17 foram projetados em 1,143 bilhão de bushels, mantendo a estimativa de novembro. O número para 2015/16 fica em 976 milhões de bushels.