Agribusiness

 

CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA 2016/17 DO BRASIL ESTÁ EM 37%

Lessandro Carvalho – [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2016/17 (julho/junho) está em 37% da produção total estimada, relativa ao final de julho. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, e conta com números colhidos até 15 de agosto. Junho havia chegado ao final com 32% da safra comercializada. Com isso, já foram comercializados pelos produtores brasileiros 20,42 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a projeção de Safras de uma safra 2016/17 de 54,9 milhões. A comercialização está adiantada contra a média dos últimos cinco anos para este período, que é de 32%; e está no mesmo ritmo no comparativo com 2015, que também tinha 37% da safra negociada.

Segundo o analista de Safras Gil Barabach, embora as vendas tenham sido mais cadenciadas, a comercialização andou bem em julho. “O produtor aproveitou o repique de preço, quando em meados de julho o preço do café duro girou entre R$ 530 e R$ 540 a saca em Minas, para acelerar um pouco as vendas, o que repercutiu sobre o resultado comercial”, afirmou. Ele observou ainda que o avanço da oferta física no disponível também foi fator positivo às vendas. “E segue como destaque a agressividade da indústria local, o que deu vazão “às vendas de bebidas mais fracas”. As exportações em grão obtiveram receita de US$ 271,4 milhões em julho, com média diária de US$ 12,9 milhões em 21 dias úteis. O volume embarcado foi de 1.737.400 de sacas, com média diária de 82,7 mil/s. O preço médio foi de US$ 156,20 por saca em julho. Na comparação entre julho de 2016 e junho de 2016, as exportações caíram 6,3% no valor médio diário e 11,8% na quantidade média diária e o preço médio subiu 6,3%. O volume total de café verde exportado em julho (1.737.400 sacas) caiu 15,8% contra junho (2.064.300 sacas).


ARROZ

CEREAL GAÚCHO MOSTRA LEVE FRAQUEZA POR COMPETIÇÃO COM IMPORTADO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado doméstico de arroz apresentou leve fraqueza nos referenciais de preços ao final da terceira semana de agosto. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca do grão em casca era cotada a R$ 50,46 no dia 18. Em relação ao mesmo período do mês passado, acumulava baixa de 0,79%. Na comparação com igual momento do ano passado, porém, a elevação ainda era de 51,2%. Conforme o analista de Safras Élcio Bento, desde o início de julho o cereal ingressou em um canal lateral entre R$ 50 e R$ 51 por saca no estado. “Acima desse nível, os compradores nacionais retraem-se, diante da dificuldade de competir com o produto importado”, explica. “Na outra ponta, de olho na escassez de oferta na atual temporada, os vendedores não demonstram interesse em negociar abaixo desse suporte de R$ 50 por saca”, pondera.

O ciclo comercial 2016/17 iniciou em março com 1,488 milhão de toneladas em estoques. A produção nacional é estimada em 10,535 milhões de toneladas. “Assim, a oferta interna será de 12,023 milhões de toneladas, recuando 2,210 milhões de toneladas em relação ao ano anterior e praticamente igual ao consumo interno”, frisa Bento. “Esse volume de estoque na atual temporada depende da geração de um déficit na balança comercial do produto”. Se as compras externas superarem as vendas em 800 mil toneladas, o País encerrará o ciclo com 873 mil toneladas. “São esses os fundamentos que mantêm os preços elevados na atual temporada”, ressalta. Como contrapeso, existe a recente desvalorização do dólar e a queda dos preços internacionais, que devem tornar o mercado brasileiro atrativo às importações.


SOJA

EXPORTAÇÕES DE MAIS DE 52 MILHÕES DE TONELADAS EM 2016/17

Dylan Della Pasqua - [email protected]

As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 52,5 milhões de toneladas no ano comercial 2016/17, recuando 1% na comparação com o ano anterior. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado. O esmagamento deverá subir 1%, somando 40,9 milhões de toneladas. A oferta total deverá subir 7% na temporada, passando para 104,935 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 96,5 milhões de toneladas, repetindo o ano anterior. Desta forma, os estoques finais deverão subir 564%, passando de 1,271 milhão para 8,435 milhões de toneladas.

Safras trabalha com uma produção de farelo de soja de 31,1 milhões de toneladas (+1%). As exportações deverão cair 2%, para 15 milhões , enquanto o consumo interno está projetado em 16,1 milhões (+2%). Os estoques deverão permanecer em 608 mil toneladas. A produção de óleo de soja deverá ficar em 8,1 milhões de toneladas. O Brasil deverá exportar 1,4 milhão de toneladas, caindo 2% sobre o ano anterior. A previsão é de que 2,65 milhões de toneladas sejam disponibilizadas para a fabricação de bio-diesel, com aumento de 2%. O consumo interno deve crescer 2% para 6,6 milhões, contando o uso para o biodiesel. A previsão é de aumento de 25% nos estoques para 606 mil toneladas. O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevou as suas estimativas para produção e estoques finais norte-americanos para a temporada 2016/17.


ALGODÃO

DE OLHO EM NOVA YORK, MERCADO TEM MOROSIDADE NOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão fechou a primeira quinzena de agosto com baixo volume de negócios. Segundo o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto, a instabilidade do dólar diante do real – e também do mercado internacional – limitou o interesse de players em negociar. “A desvalorização da moeda norte-americana frente ao real fez com que os agentes, em grande parte, ficassem afastados do mercado, com receio de tomarem posições equivocadas”, explica o analista. Já na Bolsa de Nova York, os preços despencaram após a elevação na estimativa de produção e estoques dos Estados Unidos.

Nesse contexto, compras de recomposição de estoques prevaleceram. No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado dia 12, que estimou a produção de algodão dos EUA na temporada 2016/17 em 15,88 milhões de fardos, ante 15,8 milhões no relatório passado. Para a safra 2015/16, eram esperados 12,89 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 11,5 milhões de fardos em 2016/ 17, mesmo nível do relatório anterior. O consumo interno foi previsto em 3,6 milhões de fardos para 2016/17, mesmo patamar do mês anterior. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 4,7 milhões de fardos para a temporada 2016/17, contra 4,6 milhões do relatório anterior.

A finalização da colheita no Brasil trouxe um aumento na oferta. Esse cenário, no entanto, não provocou uma queda consistente nos preços domésticos. No final de agosto, os preços acumulavam desvalorização de 1,5% na comparação com a cotação média de julho.


MILHO

MERCADO SE ABASTECE, MAS HÁ PREOCUPAÇÃO COM OFERTAS NO FUTURO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda metade de agosto sinalizando uma mudança na dinâmica de preços, que começam a ceder após o período de alta agressivo registrado em julho. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, as ofertas da safrinha, enfim, começaram a surgir de forma mais intensa, com o avanço da colheita entre a segunda metade do mês passado e a primeira quinzena de agosto. “O fato de as tradings terem direcionando excedentes não exportados ao mercado interno com a valorização do real frente ao dólar também permitiu um abastecimento dos consumidores no curto prazo”, comenta.

Molinari alerta, porém, que os compradores necessitam ficar atentos quanto ao futuro da oferta de milho, uma vez que as importações seguem ocorrendo de forma cadenciada, mas dentro da normalidade. “No mercado interno, a oferta disponibilizada está bem menor nesse ano, pois se nota que, ao contrário dos últimos anos, não há silos lotados, milho armazenado a céu aberto ou inúmeros silos-bolsa nas fazendas para estocar o cereal”, analisa. Além disso, as exportações têm avançado de forma surpreendente, o que pode, mais adiante, trazer problemas de abastecimento. O estoque de passagem de milho seguirá baixo nos próximos meses, pois não há uma visualização de corte na demanda que possa afetar de forma acentuada as necessidades de oferta até a entrada do verão. “Também não existe uma solução definitiva em termos de abastecimento”, informa. Molinari destaca que a importação de milho de países como Argentina e Paraguai, que se acentuou em julho e em agosto, pode não durar muito tempo. “Esse cenário torna o quadro de oferta interna bastante complicado”.