Novas Cooperativas

 

Reunião de OBJETIVOS

Junto ao universo das históricas cooperativas que somam décadas de história, novos empreendimentos são criados para atender demandas dos produtores

Denise Saueressig [email protected]

O crescimento da agropecuária brasileira nas últimas décadas revela a necessidade de trabalhar também pela organização e pelo escoamento da produção. É nesse contexto que surgem cooperativas e grupos que buscam o associativismo como diferencial para incrementar a renda diante de um mercado cada vez mais competitivo. “As cooperativas do setor prestam um serviço que inicia antes da porteira, como uma das maiores redes de fornecimento de insumos, bens e serviços do País”, destaca o coordenador do Ramo Agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Paulo Cesar Dias do Nascimento Junior.

O trabalho dessas organizações segue na propriedade, com a assistência técnica, e vai até o armazenamento, classificação e venda da produção. A estimativa é de que as cooperativas respondam por entre 21% e 25% da capacidade de armazenagem de grãos no Brasil. “Os últimos anos foram voltados para modernização e agregação de valor dos produtos gerados pelo sistema. Existe um esforço em direção à especialização e ao aumento da renda do produtor”, acrescenta Nascimento.

O Brasil, segundo dados da OCB, tem 1,6 mil cooperativas no ramo agropecuário, com cerca de 1 milhão de cooperados. Em 2010, o número era de 1,5 mil empreendimentos e 943 mil associados, em uma atividade que também é marcada por fusões e incorporações. O segmento tem modelos de cooperativismo consolidados, especialmente nos estados do Sul. Nos últimos anos, no entanto, houve a expansão de unidades de empreendimentos tradicionais para outras regiões, como o Sudeste e o Centro-Oeste. Ao mesmo tempo, ao lado de organizações que têm, em média, 50 anos de atuação, surgem novas cooperativas a partir de demandas específicas de produtores. “São alternativas economicamente interessantes em relação às negociações que normalmente são realizadas com tradings da área”, sustenta o executivo da OCB.

Competitividade e troca de experiências — A Cooperativa dos Cotonicultores de Campo Verde/MT (Cooperfibra) foi criada a partir da mobilização de um grupo de 25 produtores. Fundada em maio de 2001, a organização presidida pelo produtor José Carlos Dolphine tem 228 associados, mas 135 deles atuam de forma participativa atualmente.

“A motivação para trabalhar em conjunto partiu da necessidade de obter melhores condições para a compra de insumos e da possibilidade de negociar a safra com melhores preços”, informa o contador da Cooperfibra, Antonio Josué dos Santos. Segundo ele, depois de enfrentar algumas dificuldades inerentes ao mercado, o empreendimento se tornou referência e cresceu de forma surpreendente. Agora, além de atuarem juntos por melhores resultados nos negócios, os associados contribuem para a troca de experiências e adquirem conhecimento sobre tecnologias e serviços.

A Cooperfibra representa uma área cultivada de quase 370 mil hectares de algodão, soja e milho no entorno de Campo Verde. Além de fornecer insumos, a organização atua na comercialização de pluma, caroço e fibrilha. O processamento do fio do algodão é feito em uma unidade industrial própria, assim como a classificação é realizada em um laboratório próprio. A venda com a marca Cooperfibra atende clientes no Brasil e no exterior. Em 2014, foram recebidas 79 mil toneladas de pluma e caroço de algodão, volume que superou em quase 10 mil toneladas o que foi entregue em 2013. Para 2015, a estimativa é de que o recebimento fique entre 60 mil e 70 mil toneladas.

Mercado e acesso à tecnologia — As dificuldades para efetivar a venda da produção serviram de estímulo para que um grupo de 20 agricultores decidisse criar a Cooperativa Agrobusiness Brasiliense dos Produtores Rurais de Brasília e Região (CoopagroDF). “Nos últimos anos, a produção local vem aumentando, mas percebemos que muitos agricultores ainda não têm estrutura para registrar seus processos e efetivamente comercializar o resultado da sua colheita”, relata o presidente da cooperativa, Lindomar Dias de Souza.

Fundado em janeiro de 2015, o empreendimento passa pelo processo de estruturação para iniciar o trabalho, que pretende gerar facilidades para que a produção dos agricultores familiares possa chegar de forma competitiva no varejo. Inicialmente, entre os produtos que serão incluídos nas negociações estão os hortigranjeiros e as frutas. “Na região existem produtores que trabalham em áreas com 10 hectares, até 2 mil hectares. É um perfil bem diversificado, em que muitos agricultores também cultivam grãos”, assinala Souza.

Com experiência na compra e na venda de produtos e insumos agrícolas, o presidente da CoopagroDF espera concretizar o trabalho ao longo deste ano e, a partir daí, promover oportunidades para que mais produtores possam atuar junto à organização. Outro objetivo é facilitar o acesso dos associados a tecnologias e informações que ajudem a melhorar a situação econômica das propriedades.