Bienal

 

INSEGURANÇA no campo em discussão

O tema foi um dos mais abordados na terceira edição da Bienal do Agronegócio

Durante a terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central, em Campo Grande, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, mais de duas mil pessoas passaram pelos estandes, eventos paralelos e painéis da vitrine do agronegócio, participantes procedentes de cinco estados e do Distrito Federal. O público foi formado basicamente por produtores, profissionais e estudantes, lideranças políticas e rurais. A Bienal da Agricultura realiza-se a cada dois anos, rotativamente nas capitais do Centro-Oeste, e é organizada pelas federações de agricultura e pecuária de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

A insegurança jurídica do campo foi abordada em praticamente todas as falas na abertura oficial do evento, motivada pelos últimos acontecimentos ocorridos no município de Antônio João/MS, onde indígenas invadiram várias propriedades. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Mauricio Saito, os gargalos debatidos no evento perdem força quando entra em pauta o direito de propriedade. ”Queremos que o Governo Federal cumpra o seu papel de defesa do cidadão brasileiro, seja índio ou não índio”, afirmou Saito.

A Bienal da Agricultura proporcionou aos participantes informações de especialistas sobre competitividade, sustentabilidade, tecnologia e inovação. No painel “Entraves para a Competitividade da Agricultura do Centro-Oeste”, o embaixador especial da FAO para as cooperativas e exministro da Agricultura Roberto Rodrigues associou o agronegócio ao futebol: “O Centro-Oeste é o Maracanã onde será jogada a final da Copa do Mundo da alimentação”. Outro painel debateu a educação no campo como fator de transformação das pessoas e da realidade na agricultura, debate que teve a participação de especialistas como o doutor em Economia e professor universitário Claudio de Moura Castro, e o especialista sênior do Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento Profissional da Organização Internacional do Trabalho (Cintefor/ OIT), Fernando Vargas, além do secretário executivo do Senar, Daniel Carrara. Castro propôs aos presentes uma viagem histórica na educação profissional global e fez uma analogia aos investimentos na atividade agropecuária. “A formação profissional é semelhante à propriedade rural que investe na compra de maquinários e tecnologia. Sabe que o dinheiro investido vai demorar para apresentar retorno, mas entende que é necessário para aumentar a produtividade e os ganhos futuros”, detalhou.

Aprendizado e capacitação — Os participantes avaliaram positivamente a programação e os assuntos abordados nos dois dias do evento. Para o vice-presidente do Sindicato Rural de Joara/MT, Etso Rosolin, a Bienal alcançou todas as expectativas que um produtor procura. “Achei a Bienal fantástica e uma ótima ideia de todos que apoiaram e acharam por fim reunir grandes nomes para debater assuntos do momento. Transferência de informações de ambas as partes com participação de vários convidados de regiões como Goiás, Brasília, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e também desses jovens que estão aqui para aprender e se capacitar para o futuro”, ressaltou Rosolin.