Expointer

 

Mais pesquisas, menos COMPRAS

Mesmo com bom movimento de público, feira realizada em Esteio/RS refletiu cenário econômico com redução dos negócios envolvendo máquinas agrícolas

O momento de retração econômica não afastou os produtores da 38ª Expointer, tradicional feira agropecuária realizada em Esteio/RS, entre 29 de agosto e 6 de setembro. Mais de 500 mil pessoas passaram pelo Parque Assis Brasil nos nove dias da exposição.

A visita, no entanto, foi mais direcionada à pesquisa de preços e a ver de perto as novidades em tecnologias que estarão nos campos a partir da próxima safra. Os custos mais altos da lavoura, a liberação mais demorada do crédito e as incertezas sobre os rumos da economia nacional frearam a decisão por novos investimentos de alto valor, como é o caso dos equipamentos agrícolas.

As propostas entregues e a comercialização de itens como tratores, colheitadeiras e implementos somaram R$ 1,69 bilhão, um recuo de 37,4% em relação à Expointer de 2014. Os negócios realizados contaram com a criatividade dos fabricantes, que, além da apresentação de lançamentos, ofereceram atrações e condições especiais durante a feira.

Por parte dos produtores, a necessidade de modernizar processos e trabalhar pela rentabilidade ajudou na definição na hora da compra. O produtor Alexandre Kusler trabalha com os pais na propriedade da família em Entre- Ijuís/RS e aproveitou a Expointer para encaminhar o pedido de um trator de 75 cv de potência. “Estamos há muito tempo sem adquirir novas máquinas e temos necessidade de economia de combustível, durabilidade e boa assistência técnica para a ferramenta de trabalho”, observa. O trator escolhido, que tem preço em torno de R$ 92 mil, será adquirido por meio do Mais Alimentos, com prazo de 10 anos para o pagamento.

Kusler espera utilizar o novo equipamento na próxima safra de verão, quando pretende cultivar 97 hectares com soja, 10 hectares com pastagens e três hectares com milho voltado à produção de silagem para as vacas leiteiras.

Em alta - A venda de animais seguiu o caminho inverso das máquinas na Expointer. O incremento nos negócios foi de 23,8% este ano. O volume chegou a R$ 15,38 milhões, com destaque para os bovinos, equinos e ovinos. No encerramento da exposição, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, destacou que a mostra foi uma experiência “exitosa, otimista e realizada com os pés no chão”.

Um dos espaços mais concorridos do evento, o Pavilhão da Agricultura Familiar, bateu novo recorde neste ano. A venda das agroindústrias nos nove dias chegou a R$ 2,2 milhões, crescimento de 12,67% em comparação a 2014. O número de expositores presentes no espaço cresceu 17% este ano, chegando a 239 estandes.

A necessidade de incorporar modernidade à propriedade da família fez com que o produtor Alexandre Kusler aproveitasse a feira para encaminhar o pedido de um trator

Custos em elevação - O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, comemorou os resultados alcançados na 38ª Expointer. Para ele, a palavra que marca esta edição é superação. A federação divulgou durante a feira um levantamento apontando que a correção dos valores da safra 2015/2016 do arroz e da soja será a mais alta dos últimos 21 anos, desde a criação do Plano Real, em 1994. Conforme pesquisa realizada em parceria com a Esalq/USP e o Cepea, o arroz registra aumento de 15% nos custos de produção.

Somente o desembolso para a lavoura ficará em R$ 35,83 por saca. O custo total, considerando o gasto com terra, sobe para R$ 43,64. Em relação à soja, a correção será ainda mais alta. O desembolso da próxima safra aumentará 19%, totalizando R$ 45,04 por saca. São quatro os vetores de alta apontados na pesquisa: a taxa de câmbio, que influencia no preço dos fertilizantes e agroquímicos, o maior valor da energia elétrica, a alta do diesel e o aumento dos juros. No geral, os custos com irrigação cresceram 38%, puxados pelo aumento da tarifa de energia elétrica de 102% nos últimos 12 meses. “Estamos muito preocupados com o custo de produção para a próxima safra e entendemos ser um momento importante para passar essa informação aos produtores para que possam considerá-la no momento de fazer o seu planejamento”, ressalta Sperotto.

Incentivo à cadeia leiteira - Apesar da instabilidade econômica, a Expointer continua pujante, avalia o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, que participou da cerimônia de abertura oficial da exposição, no dia 4 de setembro. “É uma feira que a cada ano está mais organizada. Nós que somos da classe rural ficamos apreensivos com a situação que o País vive, mas vemos que o evento continua sendo de qualidade e com frequência assídua das pessoas”, frisou.

Também presente na cerimônia da abertura oficial e no desfile dos animais grandes campeões, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, lançou o Cadastro Único Nacional Vitivinícola, que visa fomentar o crescimento sustentável e otimizar a fiscalização sanitária da uva, vinho, sucos e derivados. O cadastro único vai integrar bancos de dados que são mantidos pelo ministério, pela Embrapa, pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul e pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), formando um sistema único de informações sobre a cadeia produtiva. A ministra ainda anunciou a liberação de R$ 86,6 milhões para impulsionar o setor de lácteos no Rio Grande do Sul. A medida vai beneficiar 18 mil propriedades rurais de 132 municípios gaúchos.

O recurso faz parte do Programa de Melhoria da Competitividade do Setor de Lácteos Brasileiro, que vai contemplar 80 mil propriedades nos principais estados produtores de leite: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

Mais sobre a Expointer em Novidades no Mercado, na página 70.