Agribusiness

 

CAFÉ

PREÇOS SOBEM COM PREOCUPAÇÕES COM A SAFRA BRASILEIRA

Lessandro Carvalho - [email protected]

A primeira metade de julho foi de grande volatilidade e de cotações mais elevadas no mercado internacional de café. O Brasil acompanhou essa movimentação, com os preços ao produtor também subindo. As preocupações com o tamanho final da safra brasileira deste ano, com informações dando conta de quebra de renda no beneficiamento dos grãos, determinaram altas tanto para o arábica, na Bolsa de Nova York, quanto para o robusta, em Londres. As notícias cada vez mais dão conta de que a safra ficará menor do que o imaginado anteriormente, com os produtores precisando de mais grãos para fechar uma saca de café beneficiado em função dos problemas climáticos enfrentados. Como já há um aperto na oferta global contra a demanda, qualquer problema maior com a produção brasileira vai se refletir em preços mais altos nas bolsas.

Em Nova York, os preços bateram na semana nos patamares mais elevados em dois meses. No balanço do mês de julho até o dia 14 de agosto, os contratos para dezembro em NY no arábica subiram 9,8%, saindo de 128,50 centavos de dólar por libra-peso no último dia de julho para 141,15 centavos no dia 14. Em Londres, o robusta subiu menos, 4,3% para o contrato novembro no mesmo comparativo. No Brasil, os preços dos cafés de melhor qualidade superaram a importante linha psicológica de R$ 500 a saca, o que atraiu mais os produtores para a venda e movimentou mais o mercado físico. O dólar no balanço mensal até o dia 14 acumulou alta de 1,7% no comercial, contribuindo para a sustentação das cotações do café em reais no Brasil. Assim, no balanço até a metade do mês, o arábica bebida dura no Sul de Minas Gerais subiu 12,1%, passando de R$ 455 para R$ 510. O conilon tipo 7, em Vitória/ES, avançou 5,5% no mesmo comparativo, subindo de R$ 308 para R$ 325 a saca.


ARROZ

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO REAGE COM DÓLAR ELEVADO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O preço do arroz em casca no Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, mostrava firmeza ao final da primeira quinzena de agosto. A saca de 50 quilos valia, em média, R$ 33,86 no dia 13, ante R$ 33,62 no dia 6. Confrontada com igual período de julho – R$ 33,37 -, havia ganho de 1,5%. Na comparação com o mesmo período de 2014, era verificada uma baixa de 4,8%, (então em R$ 35,58). Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, o dólar acima de R$ 3,50 aumenta o custo de importação, o que permite ao vendedor elevar suas pedidas. “Além disso, melhora a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional”, lembra. Com isso, espera-se uma elevação do superávit comercial do produto e, consequentemente, um enxugamento no quadro de abastecimento.

Uma recuperação mais expressiva das cotações ainda esbarra no baixo interesse comprador. “Os engenhos carregam bons volumes adquiridos no póscolheita a preços baixos”, pondera. Como têm encontrado dificuldade em repassar o produto beneficiado, adquirem apenas lotes pontuais a preços que consideram atrativos. “O sentimento que fica neste momento é de que o lado vendedor está em vantagem na atual queda de braço pela formação de preços”, frisa. “Assim, uma recuperação dos preços parece o único caminho”. Resta saber até quando os estoques em mãos dos compradores conseguirão adiar esse reajuste. No cenário internacional, destaque para o relatório de agosto do Usda, que estimou a produção mundial do beneficiado em 478,65 milhões de toneladas para 2015/16, ante 480,34 milhões no mês passado.


SOJA

USDA SURPREENDE E ELEVA ESTIMATIVAS DE SAFRA E ESTOQUES DOS EUA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de agosto do Usda surpreendeu ao elevar as projeções de safra e estoques finais dos Estados Unidos em 2015/16. O mercado apostava em corte. A safra norte-americana está estimada em 3,916 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,719 bilhões. O Usda indicava, em julho, produção de 3,885 bilhões de bushels. Os estoques ficaram estimados em 470 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 305 milhões. No relatório anterior, a previsão era de 425 milhões de bushels. Para 2014/15, o Usda reduziu a sua estimativa de 255 milhões para 240 milhões de bushels. O mercado apostava em número de 247 milhões.

Segundo o Usda, as exportações em 2015/16 deverão somar 1,725 bilhão de bushels, contra 1,775 bilhão de julho. O esmagamento em 1,86 bilhão, contra 1,84 bilhão do ano anterior. A produtividade foi elevada de 46 bushels para 46,9 bushels/acre. A área teve projeção reduzida de 85,1 milhões de acres para 84,3 milhões. A colhida é estimada agora em 83,5 milhões, contra 84,4 milhões. Como reflexo do relatório, os contratos futuros despencaram em Chicago. Em meados de agosto, os contratos com vencimento em futuro atingiram níveis abaixo de US$ 9/bushel. Os patamares eram os menores em mais de seis anos.

O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 320,05 milhões de toneladas (318,92 milhões no relatório anterior). Os estoques finais foram reduzidos de 91,8 milhões de toneladas para 86,88 milhões, abaixo do esperado pelo mercado, de 90,8 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 106,59 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de 97 milhões. A China deverá importar 79 milhões de toneladas, contra 77,5 milhões estimados em julho. Em relação à 2014/15, a safra mundial deverá ficar em 319,36 milhões de toneladas, com estoques de 80,57 milhões. A safra do Brasil está estimada em 94,5 milhões de toneladas. Os chineses deverão importar 77 milhões de toneladas, contra 74 milhões do relatório anterior. As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 52,25 milhões de toneladas em 2016, com avanço de 4% sobre 2015, com embarques estimados em 50,2 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado.


ALGODÃO

USDA SURPREENDE E PREÇO DISPARA EM NOVA YORK

Gabriel Nascimento – [email protected]

O surpreendente relatório do Usda fez o preço do algodão disparar em NY. Enquanto analistas esperavam um aumento na produção e nos estoques norte- americanos, o Departamento cortou as duas estimativas. O contrato dezembro de 2015 subiu quase 5% naquela data, encerrando cotado a 64,69 centavos de dólar por libra-peso. E no dia seguinte, o contrato voltava a subir mais de 2%, sendo precificado acima de 66 centavos de dólar. O Usda estimou a produção do país em 2015/16 em 13,08 milhões de fardos, ante 14,50 milhões de fardos no relatório passado. Para a safra 2014/15, eram esperados 16,32 milhões de fardos; e as exportações, em 10 milhões em 2015/16, ante 10,8 milhões do relatório anterior. O consumo interno, em 3,7 milhões de fardos para 2015/16, ante 3,75 milhões do mês passado. Os estoques finais norte-americanos foram previstos em 3,1 milhões de fardos para a temporada 2015/16, ante 4,2 milhões do mês passado.

No mercado doméstico, o preço no Cif São Paulo era de R$ 2,18 por librapeso dia 13, ante R$ 2,16 dia 6. Quando comparado a igual período do mês anterior – R$ 2,11 -, acumulava ganhos de 3,32%. E, em relação ao ano passado – R$ 1,65 -, a alta era de 32,12%. O mercado encerrou a primeira quinzena com melhor liquidez, diante do que vinha apresentando nas últimas semanas. “A pluma esteve valorizada em razão da firmeza da moeda norte-americana e da pouca oferta de algodão para o mercado spot”, explica o analista de Safras Cezar Marques da Rocha Neto. “A indústria de grande porte tem demonstrado interesse na procura pelo produto e já se mostrou mais sociável para entrar em negociação com os preços atuais”, lembra. As pequenas e médias indústrias continuaram demandando.


MILHO

SAFRA DOS EUA PODE IMPACTAR NO MERCADO INTERNO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho havia ingressado na segunda metade de agosto com um quadro bastante favorável aos preços. Para o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, o efeito do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) do mês, apontando para uma safra de 13,686 bilhões de bushels naquele país, acima das expectativas de analistas e traders, ainda não havia trazido reflexos às cotações do cereal no mercado interno. Mas isso pode mudar para frente.

Molinari destaca que os preços internos do milho seguiam aquecidos na segunda metade de agosto, mesmo em plena colheita de uma grande safrinha, pela expectativa de incremento na demanda externa e as indicações de um câmbio favorável, o que levou o mercado, até então, a tentar prolongar ao máximo a comercialização do cereal. Para os produtores do Sul e do Sudeste, que não plantarão milho no verão e que apostam no primeiro semestre de 2016 como um fator especulativo, a retenção de venda talvez seja válida. No entanto, para os demais estados que dependerão de espaço nos armazéns para a entrada da safra 2016 de soja, a partir de janeiro, essa decisão talvez não seja a mais indicada.

Na avaliação de Molinari, os produtores podem estar apenas trocando uma pressão de venda atual por uma futura, em novembro e dezembro, quando os armazéns, necessariamente, precisarão ser esvaziados para o recebimento da oleaginosa. Além disso, com uma produção maior que a esperada nos Estados Unidos, Molinari alerta que as cotações do milho no mercado internacional poderão entrar em uma curva descendente nas próximas semanas, especialmente a partir de setembro e outubro. “Com um quadro desfavorável previsto à frente, restará apenas o câmbio como um fator positivo para que o Brasil consiga exportar os volumes que deixaram de ser embarcados até agora”, ressalta.


TRIGO

BAIXA LIQUIDEZ NO BRASIL E USDA APONTA AUMENTO NA OFERTA GLOBAL

Gabriel Nascimento – [email protected]

Enquanto o mercado brasileiro de trigo aguarda a entrada da safra nova e a volta de negócios mais expressivos, o destaque para o grão fica por conta do mercado internacional. Na Argentina, o plantio foi finalizado no começo de agosto, e a safra é esperada em 10 milhões de toneladas. Em relação a 2015, a produção e a área são menores, refletindo os problemas com o clima. O Usda divulgou dia 12 o relatório para os EUA e no mundo. A safra 2015/16 dos EUA deve ser maior em relação à anterior, em 2,136 bilhões de bushels.

O relatório apontou, ainda, uma elevação na estimativa de estoques do país. As reservas ao final da temporada devem ficar em 850 milhões de bushels – contra 842 milhões estimadas em julho. A elevação da oferta mundial de trigo pressionou os preços na Bolsa de Chicago. A safra mundial 2015/16 foi estimada em 726,55 milhões de toneladas, acima das 721,96 milhões de julho e das 725,25 milhões da safra passada. No Brasil, o mercado apresenta preços pouco alterados e apenas reportes pontuais de movimentações financeiras com trigo.

Segundo o analista de Safras Jonathan Pinheiro, “o baixo volume negociado é consequência de uma indústria retraída e bem abastecida, aguardando a entrada do produto de safra nova para voltar a negociar”. “Os compradores esperam preços mais atrativos, ocasionados pela pressão baixista do período de maior oferta”, ressalta.