Florestas

 

Mais que floresta plantada, árvores ENERGÉTICAS

Engenheiro Florestal Giordano Marques Corradi, do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás – ER), [email protected]

A Região Oeste do Paraná tem vocação predominantemente agrícola e conta com apenas com 1,09% da área de florestas produtivas do estado. As propriedades rurais na região são em sua maioria familiares com uma média de 32 hectares. A maior parte é dedicada à produção de proteína animal e de grãos. Apesar do pequeno porte das propriedades rurais, a região é uma das maiores produtoras de grãos no Brasil. Grande parte dessa produção é destinada às cooperativas agroindustriais, que recebem, processam e comercializam os produtos. Por isso, são grandes consumidores de madeira, principalmente sob a forma de lenha e de cavaco, que utilizam para a secagem de grãos, aquecimento de aviários e queima em caldeiras.

Para garantir o estoque de lenha e o fornecimento de cavaco para as indústrias, algumas cooperativas contam com seu próprio programa florestal. Esses programas consistem, em sua maioria, no fornecimento de mudas para os cooperados. Contudo, essas mudas são plantadas muitas vezes sem qualquer subsídio técnico ou planejamento, o que pode causar uma quebra significativa no abastecimento de madeira previsto pelas cooperativas. Além disso, nem sempre são contempladas no planejamento de fomento florestal as previsões de expansão da produção industrial, o que impacta diretamente no volume de madeira consumido.

Tal fato expõe a vulnerabilidade dos sistemas de produção agroindustriais em relação à matriz energética, principalmente relativos à energia térmica, remetendo à perspectiva de um “apagão florestal”, em que a madeira, quando disponível, apresenta preços tão altos que inviabilizam o negócio que dela depende.

Como forma de propor uma solução sustentável para o problema da região, está sendo desenvolvido pelo (Centro Internacional de Energias Renováveis- Biogás (CIBiogás), Itaipu Binacional e Embrapa Florestas, o projeto “Florestas Energéticas”. Seus grandes desafios são a produção de lenha e cavaco em grande escala e o desenvolvimento de tecnologias de conversão de biomassa em energia. Dessa forma, para viabilizar essa produção foram levadas em conta algumas premissas, como as seguintes:

utilização de Terras de Vocação Florestal (TVF): essa metodologia visa estimular a utilização de terras que devido a algum motivo não estejam sendo utilizadas para o uso intensivo;

? utilização de clones de rápido crescimento;

? plantio adensado: densidade de plantio superior a 3.333 plantas/hectare;

? uso de biofertilizante: abundante na região pelo fato de ser uma das maiores produtoras de proteína animal, esse insumo influi na diminuição no custo de implantação da floresta;

? ciclo curto: corte raso a partir do segundo ano e até no máximo quatro anos, com condução de rebrota por dois ciclos.

Unidades de Demonstração Florestais — Para geração de informações e validação de dados, foram implantadas Unidades de Demonstração Florestais em áreas de pequenos produtores, levando em conta a realidade de cada um e suas limitações. Em análises preliminares, essas áreas estão demonstrando ótimos resultados, quando avaliadas questões de produtividade florestal e qualidade da biomassa, com Incremente Médio Anual de 50 metros cúbicos por hectare ao ano e densidade média 400 quilos por metro cúbico (dados coletados aos dois anos de idade). Isso indica a viabilidade técnica e econômica do corte, já no segundo ano, para uso da biomassa com teor de umidade a 20%.

Considerando o déficit de biomassa florestal para fins energéticos no agronegócio, o modelo fundiário da região, o sistema de integração e a disponibilidade de Terras de Vocação Florestal, Floretas Energéticas é uma alternativa para a regularização do balanço de oferta e demanda de biomassa florestal.

Além disso, o projeto colabora para a diversificação de renda dos pequenos produtores e a descentralização da responsabilidade de geração de oferta de energia.