Fitossanidade

 

Livre de pragas desde o PRINCÍPIO

As pragas de solo podem destruir as raízes, assim como os nódulos de fixação biológica de nitrogênio, reduzir o estande, o vigor e o desenvolvimento inicial das plantas

Os corós e o percevejo-castanho são pragas que atacam as raízes das plantas de soja, e dificilmente são controladas com medidas isoladas. O uso de inseticidas e a rotação com crotalárias são algumas das alternativas

Engenheiro agrônomo e MSc. José Fernando Jurca Grigolli, pesquisador de Fitossanidade da Fundação MS

Acultura da soja é de grande importância para o agronegócio no Brasil. Na safra 2014/15, a área plantada foi de aproximadamente 32 milhões de hectares, um aumento de mais de 5% em relação à safra 2013/14 (Conab, 2015). E diversos insetos podem atacar e comprometer o desenvolvimento e a produtividade das plantas no campo. Sobretudo os que atacam as raízes das plantas, com destaque no Centro-Oeste para os corós, também conhecidos como bicho-bolo ou pão-de-galinha (Ávila e Santos, 2009a), e o percevejo-castanho (Oliveira e Malaguido, 2004). Essas pragas causam danos mais severos no início do desenvolvimento das plantas e podem destruir suas raízes, os nódulos de fixação biológica de nitrogênio, reduzir o estande de plantas, o vigor e o desenvolvimento inicial das plantas e, consequentemente, a produtividade da cultura (Hoffman-Campo, 2002; Oliveira, 2002).

(FOTO DO GRANDE CAMPO/MATO)

Em áreas infestadas com corós, um dos métodos de manejo é a rotação de culturas com Crotolaria juncea e Crotolaria spectabilis

O ataque dos insetos ocorre normalmente em reboleiras, e quando presentes no solo em altas populações, podem causar danos significativos na cultura. Para reduzir os danos, é fundamental a amostragem e o monitoramento das áreas antes mesmo da instalação da cultura. No momento da amostragem, deve-se identificar as espécies presentes, o nível populacional e o estádio de desenvolvimento predominante de cada praga, pois estas ações possibilitam a tomada de decisão mais assertiva.

Os corós compreendem um grupo de espécies que causam danos às raízes da soja, com destaque para Phyllophaga cuyabana, Phyllophaga capillata, Lyogenis fuscus e Cyclocephala forsteri. Entretanto, há outras espécies que também causam danos e são popularmente chamados de corós. Além dos sintomas descritos acima, pode ocorrer murcha de plantas e ausência de raízes secundárias em função do ataque das espécies.

O percevejo-castanho, cuja espécie mais comum é o Scaptocoris castanea, tem sido relatado com mais frequência em solos arenosos, mas infestações desse inseto também podem ocorrer em solos argilosos. Em áreas de cultivo no sistema soja-milho consorciado com braquiária, pode ocorrer a espécie Atarsocoris brachiariae, praga que ataca preferencialmente as gramíneas. As diferentes espécies de plantas hospedeiras da praga apresentam variações na suscetibilidade ao ataque, de modo que o algodoeiro é a espécie mais suscetível, seguido por soja, milho, sorgo e arroz (Ávila e Grigolli, 2014). Áreas com alta infestação de percevejocastanho são facilmente reconhecidas pelo forte cheiro que esses insetos exalam quando o solo é movimentado nas operações de preparo ou de plantio.

Dentre as técnicas que podem ser utilizadas para o controle de corós e percevejo- castanho destacam-se a manipulação da época de semeadura, o preparo do solo com implementos adequados e a aplicação de inseticidas nas sementes ou em pulverização no sulco de semeadura (Ávila e Gomez, 2003; Ávila e Santos, 2009b). Já o revolvimento do solo única e exclusivamente para controle desses insetos em áreas de semeadura direta não é recomendado.

Alternativa das crotalárias e armadilhas — Em áreas infestadas com corós, pode-se fazer rotação de culturas com Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis Em áreas infestadas com corós, um dos métodos de manejo é a rotação de culturas com Crotolaria juncea e Crotolaria spectabilis e/ou algodão, que prejudicam o desenvolvimento das larvas. O sistema soja-milho favorece a multiplicação desses insetos na área, e dependendo da infestação, não deve ser recomendado. Além disso, os adultos dos corós apresentam normalmente forte atração pela luz. Assim, o uso de armadilhas luminosas durante o período de emergência dos insetos do solo pode capturar um número expressivo de adultos durante a noite, e contribuir para reduzir a sua infestação nos cultivos subsequentes (Ávila e Grigolli, 2014).

A aplicação de inseticidas nas sementes e no sulco de semeadura constitui alternativa promissora para o manejo de corós, especialmente em sistemas conservacionistas, como o plantio direto (Ávila e Gomez, 2003). Já no caso do percevejo- castanho, inseticidas aplicados nas sementes não têm se mostrado uma tática eficiente. Todavia, a pulverização no sulco de plantio com inseticidas químicos, especialmente quando o percevejo está localizado próximo da superfície do solo, pode proporcionar um bom controle da praga, dependo do produto e da dose empregada. É importante ressaltar que essas pragas de solo dificilmente serão controladas com medidas isoladas. É necessária a integração das alternativas de controle visando aumentar a eficiência de cada medida, uma vez que a localização dos insetos dificulta qualquer intervenção química (inseticidas) e mesmo biológica.