Etanol

 

ETANOL de milho: alternativa com muitas utilidades

A proposta de biorrefinarias para geração de etanol, ração e biofertilizantes a partir do milho poderia demandar milhões de toneladas do grão

Francisco Mallmanm, presidente da USI - Usinas Sociais Inteligentes S/A

Termo muito em voga – sustentabilidade – é hoje fator decisivo para qualquer tipo de empreendimento. “O desenvolvimento sustentável serve, ao mesmo tempo, para atender as necessidades da geração presente, sem prejudicar a capacidade de futuras gerações de suprir as suas”. Essa Copercampos definição é da Comissão Brundtland, que em 1987 caracterizou a questão como forma de equilibrar o mundo de hoje com a capacidade de sobrevivência das espécies. Essa visão mostra um conflito estrutural entre a oferta e a demanda de recursos naturais. Em outras palavras, a humanidade pode consumir tanto para que sobre o suficiente para futuras gerações, supondo-se que os recursos são finitos e que a demanda cresce mais do que o estoque desses recursos.

Ciente dessa questão, as Usinas Sociais Inteligentes S/A (USI), empresa que se dedica à pesquisa, à produção e à comercialização de etanol, entra no mercado de biocombustíveis, apresentando um modelo de negócio que vai ao encontro dos desafios que esse complexo fenômeno da sustentabilidade sugere. A USI surge em uma fase da economia brasileira onde o tema principal em discussão é a matriz energética, fator básico e, como se sabe, decisivo para o desenvolvimento socioeconômico. É preciso ter claro que os desafios e o potencial de soluções para o fenômeno da sustentabilidade estão diante de nós. É com esse enfoque que o setor primário, representado pelo agricultor, vem buscando alternativas que viabilizem as suas atividades e permita maior segurança para si e para quem consome, tendo sempre na mira o não-esgotamento dos recursos naturais e com o aprimoramento das tecnologias envolvidas.

Mallmann: a proposta é agregar valor à saca de milho produzida no MT, pois uma saca do cereal gera 23 litros de etanol e 16 quilos de DDGs

Nesse contexto, a USI estruturou a sua iniciativa com o desenvolvimento de tecnologia de ponta, o que lhe permite construir usinas com capacidade, atualmente, de até 200 mil litros/dia. A matéria- prima para a obtenção do etanol combustível também ganhou contornos de pioneirismo, isso porque foi proposto à Embrapa a preparação de uma nova variedade de arroz destinada particularmente para essa finalidade. Batizado de “Gigante”, pelo seu tamanho (o dobro em comparação com o arroz comercial) e pelo alto teor de amido, essa nova variedade já é uma realidade no Rio Grande do Sul, tendo sido realizada a sua primeira colheita no município de São Vicente do Sul/RS, neste ano.

Cronologicamente, deve-se considerar o “Gigante” como uma primeira fase implementada pela USI que, agora, também volta a sua atenção para o centro do Brasil, onde o milho é a principal atração. Abundante, sobretudo no Mato Grosso, o milho pode ter o seu valor agregado ganhando novos patamares, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, principal produtor de etanol combustível utilizando o milho como fonte exclusiva.

Resumidamente, a USI propõe utilizar matérias-primas que não interfiram na produção de alimentos, como é o caso do arroz “Gigante” e o aproveitamento dos excedentes do milho, tão desvalorizado no Centro-Oeste, e que agora ganha novas destinação, muito mais rentáveis. A proposta é agregar valor à saca de milho produzida no MT. Por exemplo: uma saca do cereal gera 23 litros de etanol e 16 quilos de DDGs (para ração animal); 1 litro de etanol = R$ 1,50, que resultará em = R$ 34,50 (1 saca x 23 litros x R$ 1,50). Já 1 quilo de DDGs = R$ 0,45, que resultará em = R$ 7,20 (1 saca x 16 quilos x R$ 0,45). Ao final, o produtor vai receber bruto por saca de milho cerca de R$ 41,70. Uma usina que vai produzir 100 mil litros/dia precisa de, aproximadamente, 4.350 sacas/dia ou 1,5 milhão de sacas/ano.

Em outras palavras, o projeto da USI propõe oferecer, através das usinas, a produtores, cooperativas, associações e empresas, uma solução para o aumento da renda com a produção de etanol (combustível renovável), alimentação animal e biofertilizantes, buscando uma atividade sustentável e com preservação do meio ambiente.

Sabe-se, de outra parte, que todo o empreendimento ganha porte quando os parceiros engajados têm respaldo, não só pelo seu poderio econômico, mas especialmente pela credibilidade já firmada em todo o mundo. Esse é o caso das parcerias conquistadas pela USI e, entre elas, destacam-se a CHS e a Novozymes. A CHS é uma cooperativa norte-americana e que atua no Brasil com a venda de fertilizantes e, agora, parceira da USI, vai realizar a compra e a distribuição do etanol, resolvendo o tema de comercialização e Divulgação logística para o produtor rural.

A empresa fará o recolhimento diretamente das usinas e também garantirá a comercialização do combustível. Nesse arranjo comercial, a CHS poderá fornecer os insumos diretamente ao produtor para que ele tenha mais uma facilidade na hora de plantar. Já a Novozymes, empresa dinamarquesa com larga experiência, fornecerá todo o suporte enzimático necessário para a transformação das matérias-primas em etanol combustível.

Com essa parceria, a USI quer proporcionar um aumento da renda líquida e sustentável ao produtor, consorciando a produção rural com o resultado da biorrefinaria. E para melhorar ainda o pacote tecnológico e comercial, a USI oferece o assessoramento em todas as etapas necessárias para o licenciamento da biorrefinaria junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e completo acompanhamento para a obtenção de financiamento junto ao BNDES, através do fornecimento de todo o plano de viabilidade financeira. Mesmo com essa perspectiva altamente favorável, deve-se continuar cuidando, da melhor forma possível, dos recursos naturais, evitando desperdícios e concentrando uma maior racionalidade no uso da terra e da água, mantendo o planeta em patamares positivos para que haja, de fato, sustentabilidade.