Agribusiness

 

CAFÉ

Lessandro Carvalho - [email protected]

COLHEITA DE CAFÉ NO BRASIL GERA PREOCUPAÇÕES NO MERCADO

O mercado internacional de café teve um mês de julho de preocupações em torno da evolução da colheita da safra nova no Brasil. Os trabalhos estão atrasados este ano, em função de dificuldades climáticas, com o destaque das chuvas fora de época em meio à colheita, o que gerou apreensão em torno da evolução da “apanha” e da secagem dos grãos. A safra brasileira deste ano já é menor em função da falta de chuvas no ano passado e qualquer problema agora gera ainda maiores temores quanto às relações de oferta e demanda global. Entretanto, até o dia 20 o mês de julho foi negativo nas bolsas internacionais. A alta do dólar contra outras moedas, fatores técnicos e a pressão sazonal com a entrada da safra brasileira (apesar dessa apreensão) determinaram as perdas em Nova York para o arábica e em Londres para o robusta.

Na Bolsa de NY, o balanço mensal do arábica até o dia 20 mostrava perdas de quase 4%, tomando por base o contrato setembro. No Brasil, as cotações do arábica caíram menos que isso, sustentadas pela alta do dólar e pela oferta ainda retraída de grãos de qualidade da safra nova.

Na bolsa de Londres, no mesmo período, o robusta caiu ainda mais, superando 6% de perdas no contrato setembro. O conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, como referência, recuou próximo a 2% no comparativo, também sustentado pelo dólar e pela resistência do vendedor. As exportações totais brasileiras de café no acumulado fechado da temporada 2014/15 (julho/junho) chegaram ao recorde de 36,492 milhões de sacas de 60 quilos, aumento de 6,9%, quando os embarques foram de 34,136 milhões de sacas. A receita com essas exportações em 2014/15 foi de US$ 6,854 bilhões, com aumento de 28% no comparativo com igual período da temporada 2013/14 (US$ 5,355 bilhões).


ARROZ

Lessandro Carvalho - [email protected]

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO VOLTA A MOSTRAR FRAQUEZA

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial, voltou a mostrar fraqueza ao final da terceira semana de julho. A saca de 50 quilos em casca valia, em média, R$ 33,39 no dia 16. Confrontada com igual período do mês passado – R$ 33,58 -, havia queda de 0,6%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, era verificada uma baixa de 6,1%, quando o valor registrado era de R$ 35,55. Mesmo com a queda prevista para os estoques mundiais para a temporada 2015/16, os produtores gaúchos se ressentem da falta de uma decisão oficial sobre o preço mínimo do cereal, comenta Mahal Terra, analista de Safras & Mercado.

Um grupo de trabalho formado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e Instituto Riograndense do Arroz (Irga) vai discutir as tabelas dos custos de produção do arroz para trazer um ponto final na questão do preço mínimo da cultura. Essa foi uma das principais definições da reunião do setor com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, dia 14 de julho.

Sobre o valor de R$ 29,67 para o preço mínimo da saca, Henrique Dornelles, presidente da Federarroz, afirma que a ministra não ratificou esse número e que deixou aberto espaço para diálogo no sentido de buscar um valor mais condizente com a realidade dos produtores. As informações são da Federarroz. O relatório do mês de julho de oferta e demanda do Usda estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 480,34 milhões de toneladas para 2015/16. Para 2014/15, foi estimada safra de 476,28 milhões de toneladas.


SOJA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

EM 2015/16 BRASIL DEVE CULTIVAR MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA

Os produtores brasileiros de soja deverão cultivar 32,921 milhões de hectares em 2015/16, a maior área da história, crescendo 3,8% sobre o total semeado no ano passado, de 31,728 milhões. A projeção faz parte do levantamento de intenção de plantio de Safras & Mercado. Com um possível aumento de produtividade, de 3.025 quilos para 3.047 quilos por hectare, a produção nacional tem chance de se aproximar da casa de 100 milhões de toneladas, sendo estimada inicialmente em 99,809 milhões de toneladas, 4,5% superior à obtida em 2014/ 15, de 95,496 milhões de toneladas.

“Devido à melhor remuneração, a soja deverá roubar área do milho na safra de verão. Os produtores de milho deverão aumentar o foco no plantio da safrinha”, aponta o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque. “Algumas áreas de algodão vão migrar para soja também, mas essas são menos relevantes. Isso deve ocorrer, principalmente, na Bahia”, acrescenta. No Mato Grosso, que deve ter um aumento de área de 5%, o maior ganho de área é resultado da abertura de áreas novas no Leste e no Nordeste do estado, a região do Vale do Araguaia. A soja também deverá ocupar espaço de área de pastagem, principalmente na região do Matopiba e também no Pará.

O relatório de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou redução nas estimativas para os estoques finais americanos em 2015/16 e 2014/15. A projeção de produção para a atual safra foi elevada. A safra norte-americana está estimada em 3,885 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,794 bilhões. O Usda indicava em julho produção de 3,850 bilhões de bushels. Os estoques ficaram estimados em 425 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 378 milhões. O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 318,92 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 317,58 milhões.

Os estoques finais foram reduzidos de 93,22 milhões de toneladas para 91,8 milhões, abaixo do esperado pelo mercado, de 92,3 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 105,73 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 97 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 77,5 milhões de toneladas.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

RARIDADE DE EXPORTAÇÃO SUSTENTA PREÇO

O algodão brasileiro encerrou a terceira semana de julho com preços mais firmes, sustentado pela paridade de exportação, com a alta acumulada do dólar frente ao real. O preço do algodão no CIF São Paulo estava em R$ 2,12 por libra-peso no dia 16 de julho, ante R$ 2,10 na semana anterior. Quando comparado a igual período do mês anterior, acumulava ganhos de 0,95%. E, em relação ao ano passado, acumula alta de 17,78%. No cenário internacional, destaque para o relatório de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que estimou a produção global de algodão em 111,46 milhões de fardos, ante os 118,98 milhões de fardos indicados para 2014/ 15. No relatório passado, eram esperados 111,32 milhões de fardos para 2015/16.

As exportações mundiais foram estimadas em 34,05 milhões de fardos para 2015/16, ante 33,80 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 114,44 milhões de fardos, ante 115,31 milhões de fardos indicados no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 108,14 milhões de fardos, ante 106,08 milhões de fardos projetados no relatório passado. A expectativa é que a China colha 27 milhões de fardos na temporada 2015/16, mesmo patamar do mês anterior.

A produção do Paquistão para 2015/16 foi prevista em 10 milhões de fardos, mesmo nível do mês passado. O Brasil tem a safra 2015/16 estimada em 6,75 milhões de fardos, mesmo patamar do relatório anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 29,5 milhões de fardos em 2015/16, mesmo nível do relatório passado. Os norte-americanos deverão colher 14,5 milhões de fardos em 2015/16, mesmo patamar do mês anterior.


MILHO

Arno Baasch - [email protected]

PREVISÃO DE CORTE NAS SAFRAS MUNDIAL E DOS EUA PODE FAVORECER BRASIL

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de julho com novas perspectivas de melhoria nas exportações, a partir das perspectivas de corte nas projeções de safra dos Estados Unidos e mundial na temporada 2015/ 16. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, essas previsões de queda na produção não poderiam ter ocorrido em melhor momento para o mercado brasileiro, e já têm contribuído para uma retomada dos negócios na exportação. Ele explica que a alta de preços do milho na Bolsa de Mercadorias de Chicago, o câmbio desvalorizado (ao redor de R$ 3,20 por dólar) e os preços nos portos entre R$ 30 e R$ 33 a saca, vêm possibilitando uma movimentação favorável para o escoamento da safrinha 2015, bem como uma negociação muito boa, de forma antecipada, para a safrinha 2016.

Molinari informa que o perfil externo vem oferecendo janelas importantes para as vendas brasileiras de milho. “Tivemos um quadro de excesso de chuvas nos Estados Unidos e de estiagem na Europa, o que já favorece uma absorção de lotes do Brasil para a safrinha 2016”, lembra.

“A expansão do risco tem levado muitos importadores a antecipar suas compras futuras, encontrando ofertas disponíveis no Brasil, com oportunidades de embarque após setembro, levando em conta que a programação de embarques para julho, agosto e setembro está praticamente consumada”, analisa. Internamente, o mercado segue pressionado pelo avanço da colheita de milho safrinha, muito embora os preços não tenham recuado tanto em função do cenário internacional. Além disso, as chuvas nas últimas semanas no Paraná e no Mato Grosso do Sul atrasaram o andamento da colheita e reduziram a oferta de milho no mercado disponível.


TRIGO

Gabriel Nascimento – [email protected]

INDÚSTRIA BRASILEIRA SEGUE RETRAÍDA E MANTÉM MERCADO EM RITMO LENTO

O mercado de trigo brasileiro nas últimas semanas tem se mantido estável, sem expectativa de fortes oscilações nos preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a indústria permaneceu retraída por estar bem estocada nas principais regiões produtoras do País. Além disso, a proximidade da safra e a pressão baixista ocasionada pela entrada do produto no mercado mantêm os moinhos na espera por melhores oportunidades. No decorrer de junho o produto brasileiro ganhou ainda mais competitividade no âmbito internacional devido à elevação do dólar acima dos R$ 3,10. Entretanto, o mercado não respondeu ao estímulo, visto que a baixa liquidez continuou minimizando a tendência.

No final do mês, os moinhos começaram a apresentar dificuldade na comercialização da farinha, reduzindo seu ritmo de moagem, o que alongou ainda mais os estoques. “Agora a indústria apresenta possibilidade de esperar a entrada da próxima safra para voltar a negociar, atenta à pressão baixista do período”, disse o analista. Após a elevação dos preços registrada no começo do ano, movida por fatores externos – como o preço nas bolsas americanas e o dólar –, a quebra na safra gaúcha e a baixa qualidade do grão comercializado reduziram drasticamente o volume de trigo disponível no Brasil. Resultado dos últimos meses de oscilação, o mercado interno chegou a registrar baixa nas cotações e atualmente permanece estável – mas com preços menores em relação ao início de 2015.