Notícias da Argentina

 

CONTAS QUE NÃO FECHAM

O peso dos diferentes impostos e a permanente intervenção do Estado são responsáveis pela contundente redução da renda no bolso do produtor. Segundo pesquisa da Fundação Agropecuária para o Desenvolvimento da Argentina (Fada), a fatia da renda agrícola que ficava nas mãos do Estado era de 74% no período entre 2009 e 2013. Atualmente, o percentual chegou a 93,5%. Ainda é preciso considerar o cenário de atraso cambiário, a inflação e a queda dos preços internacionais. Um exemplo é a soja, que hoje vale 55% do que valia em setembro de 2012. Isso significa que a renda gerada em um hectare vem caindo, enquanto a participação do Estado aumenta.

Os custos da intervenção, principal consequência das restrições à exportação (ROE) aplicadas pelo governo, geram importantes efeitos negativos nos mercados de trigo e milho. Hoje o milho é vendido a 78% do seu preço teórico no mercado interno (efeito ROE) e a 62% do seu preço internacional (efeito ROE + efeito dos direitos de exportação). Ao mesmo tempo, o trigo é negociado a 63% do seu preço teórico dentro da Argentina e a 48% do seu preço internacional. Toda essa situação, que praticamente inviabiliza a agricultura no país, vem motivando uma série de manifestações de entidades representativas de produtores.


TRIGO

Há muitas notícias sobre uma nova queda na área a ser cultivada com o cereal. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires fala de uma superfície em torno de 3,9 milhões de hectares. Muitas consultorias privadas indicam uma área ainda menor, como a Bolsa de Comércio de Rosário, que estima não mais do que 3,5 milhões de hectares.


SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires mantém uma estimativa de produção para a safra 2014/2015 de 60,8 milhões de toneladas. Com a colheita concluída, a produtividade média é calculada em 3.190 quilos por hectare no país.


LEITE

Com o mercado internacional em queda livre e uma cadeia que sofre intervenções localmente, os preços seguem sem mostrar grandes melhorias. O litro do leite ao produtor vale US$ 0,36 (dólar oficial) ou US$ 0,24 (dólar paralelo).


CARNE

Com poucas oscilações, os preços do novilho mantémse em uma faixa definida. Os valores ficam em torno de US$ 2,05 por quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1,35 por quilo vivo (dólar paralelo).


TRITICULTORES EM DÚVIDA

O Ministério da Economia anunciou a abertura de 1 milhão de toneladas adicionais para exportar trigo no ciclo 2014/2015. O volume total permitido agora é de 4,2 milhões de toneladas. Na outra ponta da cadeia, os preços desestimulam o produtor. No mês passado, a cotação futura para janeiro de 2016 ficou em US$ 136 a tonelada, ou seja, inferior aos US$ 146 a tonelada do mês anterior. A retração nos preços futuros pode significar a redução da intenção de plantio para a próxima safra.


PECUÁRIA DEPENDE DE MUDANÇAS

Na ponta do lápis, a atividade pecuária não é um bom negócio nesse momento, e todas as expectativas estão colocadas sobre a possibilidade de uma mudança no governo. Os dados do primeiro trimestre do ano mostram um aumento de quase 2% nos abates, provavelmente uma compensação do atraso nas engordas ocasionado pelas inundações do inverno passado. A projeção não indica falta de gado gordo para o restante do ano. E com a exportação em níveis tão baixos, só um aumento da demanda doméstica poderia afetar positivamente os valores do gado para o abate. Portanto, a única expectativa para a alta nos preços está centrada na renda da população e no impacto sobre o consumo. A história mostra que a carne bovina é eleita quando existe um incremento real nos salários. Durante 2014, o consumo diminuiu quase 5% em comparação com o ano anterior e, ao que parece, essa tendência não se modificou atualmente. É possível que um aumento do poder aquisitivo reverta essa situação.