Florestas

 

Segmento florestal cada vez mais EXPRESSIVO no RS

João Fernando Borges, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor)

O Rio Grande do Sul ocupa um lugar de importância entre os estados no que se refere à expressividade de sua cadeia produtiva de base florestal. A cadeia é formada por agentes econômicos ligados à produção, à distribuição e ao consumo de bens e serviços. No último ano, o setor de base florestal contribuiu com 4% do PIB do estado, 7% da geração de empregos, 3% da arrecadação de impostos e com 2% do valor de venda de produtos de base florestal exportados pelo estado. Esses dados são parte do Fotos: Ageflor Anuário Estatístico do Setor de Base Florestal, elaborado pela Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor) com consultoria da Pöyry, considerando como ano base 2014. O objetivo aqui é apresentar alguns dos números de destaque.

O estado gaúcho concentra o maior polo moveleiro do Brasil, situado na região de Bento Gonçalves. De acordo com a Associação das Indústrias de Móveis do RS (Movergs), em 2013, as empresas que fabricam móveis no estado representaram 14% do número de empresas brasileiras, e geraram nada menos que R$ 6,8 bilhões, com a produção de 93 milhões de peças. A indústria moveleira fomentou na região a instalação de importantes empresas produtoras de painéis de madeira, o que coloca o estado como o segundo maior produtor brasileiro de painéis de madeira, somente atrás de São Paulo.

A indústria gaúcha de celulose, que até o momento é relativamente pequena em comparação com outros estados, terá uma expansão relevante quando do início da operação da nova linha de produção da Celulose Riograndense, em Guaíba, que agregará mais 1,3 milhão de toneladas de celulose à produção anual do estado, alcançando o patamar de 1,8 milhão de toneladas.

Produção de cavacos — Outra indústria de destaque é a de produção de cavacos de madeira, que destina toda a produção ao mercado externo, para serem utilizados como insumo na fabricação de celulose e papel e na produção de pellets de madeira para exportação e utilização na geração de energia renovável. Os plantios de acácia que abastecem essa indústria são em sua maioria de pequenos produtores rurais que têm a floresta como opção de diversificação da renda, mas com algumas indústrias também estabelecendo alguns maciços florestais certificados.

Produtos não-madeireiros — Além dos produtos madeireiros, também se destaca a produção de produtos não-madeireiros, como o breu e a terebintina, obtidos a partir da resina de algumas espécies de pinus, os óleos essenciais e o tanino extraído da acácia, produtos largamente utilizados na indústria química, farmacêutica e de curtimento do couro.

A área de plantios somou 597 mil hectares, o que equivale a 8% da área com plantios florestais no Brasil e a 2% da área total do estado de 28 milhões, enquanto, a pecuária e a agricultura, ocupam respectivamente 33% e 25%. Os plantios de eucalipto representam 52%, enquanto o pinus representa 31% e a acácia, 17% da área plantada. Aproximadamente 300 mil hectares de área plantada são certificados pelo Forest Stewardship Council.

O setor de base florestal é o que mais contribui para a preservação de áreas naturais e a recuperação de áreas degradadas no estado. As empresas do setor mantêm 525 mil de hectares de áreas protegidas, nas formas de Reserva Legal (RL), Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), o que representa 25% da área de conservação do estado.

No Rio Grande do Sul são cerca de 2.300 empresas que integram a cadeia produtiva à base de plantios florestais, com destaque para o segmento de móveis de madeira, que concentra 95% delas, em polos como de Bento Gonçalves e de Lagoa Vermelha. Na região metropolitana de Porto Alegre encontramse as principais empresas de painéis de madeira e de celulose. Novos empreendimentos da indústria de base florestal anunciados possuem investimento superior a R$ 6 bilhões entre 2013-2020. Quando entrarem em operação, esses novos projetos industriais serão responsáveis pela geração de 12 mil empregos diretos e indiretos.

Outra indústria de destaque é a de geração de cavacos de madeira para o mercado externo, onde é utilizada como insumo na fabricação de celulose e papel e na produção de pellets

O consumo gaúcho de madeira de florestas plantadas totalizou 8,38 milhões de metros cúbicos em 2014, equivalente a 8% do consumo nacional. O segmento de painéis de madeira foi o principal consumidor de madeira in natura, com 2,96 milhões de metros cúbicos. Estima-se que a produção de casca de acácia para a extração do tanino atingiu 184 mil toneladas e que a produção de resina tenha sido 22 mil toneladas. Em 2014, os tributos arrecadados do setor gaúcho de base florestal corresponderam a R$ 1,84 bilhão. O PIB atingiu R$ 11,3 bilhões, o que representou 4% do valor adicionado ao PIB do estado. Esse resultado faz com que o RS seja o estado no qual a indústria de base florestal tem a maior participação relativa na geração de riquezas. Em outros com forte atividade florestal, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Mato Grosso do Sul, o valor adicionado ao PIB pelo setor não ultrapassa 2% do PIB estadual.

Diante dos dados apresentados, é inaceitável que nos últimos cinco anos mais de R$ 12 bilhões de investimentos ligados à indústria de base florestal tenham sido suspensos e mais de 10 mil empregos diretos deixaram de ser criados em decorrência principalmente de restrições colocadas pela legislação estadual e nacional. O Rio Grande do Sul vem sendo fortemente prejudicado pela falta de entendimento do potencial de desenvolvimento representado pela atividade florestal, em muitos casos também decorrente de uma visão distorcida sobre o setor de silvicultura, o que tem feito que investimentos tenham sido transferidos para outros estados e países.

Em 2014, foram colhidos 13 mil hectares de eucalipto, 7 mil de pinus e 20 mil de acácia. No entanto, a área replantada com essas culturas não chegou a 20 mil hectares, ou seja, 50% da área que foi colhida. No médio prazo, caso essa tendência continue, a área de plantios florestais poderá sofrer uma drástica redução, acarretando efeitos negativos à economia, à sociedade e à cultura local. No momento, o principal desafio do Rio Grande do Sul é criar condições para a retomada dos investimentos da indústria gaúcha de base florestal, por meio de soluções aos gargalos legais e institucionais que equivocadamente foram impostos ao setor.