Pulverização

Vantagens da ferramenta de BARRA ASSISTIDA A AR

Uma das principais ferramentas para a qualidade das aplicações é a barra assistida a ar ou Sistema Vortex, que propicia aumento do depósito de produtos nos terços médio e inferior das plantas, reduz o risco de deriva e possibilita a adequação do volume de pulverização com menor quantidade de calda

Eng. Agr. Walter Wagner Mosquini, especialista em Tecnologia de Aplicação da Jacto

As aplicações de agroquímicos tornaram- se uma das principais ferramentas para o controle fitossanitário, contribuindo para o aumento da produtividade das principais culturas em nível mundial. Com o aparecimento de problemas como a ferrugem asiática da soja Phakopsora Pachyrhizi no início dos anos 2000, a tecnologia de aplicação ganhou destaque como uma das principais operações dentro do sistema produtivo de grãos e cereais, pois a busca pela qualidade das aplicações tornou-se indispensável para o crescente aumento da produtividade.

Uma das principais ferramentas utilizadas para melhoria da qualidade das aplicações já é antiga, mas pouco conhecida: trata-se da utilização de barra assistida a ar ou Sistema Vortex, que tem como principal característica o aumento do depósito de produtos nos terços médio e inferior em plantas com alta densidade foliar, redução do risco de deriva e possibilidade de adequação do volume de pulverização com menor quantidade de calda quando comparado com as aplicações convencionais, detalhes que serão tratados de forma individualizada. Para utilizar o Sistema Vortex em toda sua potencialidade, é preciso entender os fatores relacionados à qualidade das aplicações como penetração, cobertura e redução da deriva, que são apresentados a seguir.

Penetração — Sempre que nos deparamos com um problema fitossanitário, deve-se primeiramente descobrir em que parte da área ou da planta encontra-se o alvo biológico. Em geral, quanto mais escondido o problema está, mais difícil se torna o seu controle, pelo simples fato de que o agroquímico utilizado não o atinge. É o que acontece, por exemplo, com problemas como a ferrugem da soja, a lagarta falsa-medideira e o mofo branco, que se localizam nos terços inferiores das plantas de soja e são considerados os principais problemas dessa cultura.

Nesses casos, deve-se compreender a melhor forma de depositar o produto nas áreas, e penetrar a massa foliar é o grande desafio. Para que o produto penetre a massa foliar, a gota deve desviar da parte superior da planta, esse fato acontece devido à movimentação do vento ambiente, que tem o papel de carregar essa gota.

No campo, muitas vezes há uma condição de vento “zero” na qual a probabilidade de penetrar a massa foliar diminui. Recomenda-se aplicar os agroquímicos com ventos de, no mínimo, 4 quilômetros/ hora. Quando se trabalha com o sistema Vortex, essa condição é criada “artificialmente”: o movimento da copa da planta faz com que a gota pulverizada se deposite nas partes baixas da planta, aumentando o controle de problemas localizados nessas áreas. Alvos que se localizam na face inferior das folhas podem ser melhor controlados com o uso do sistema Vortex, pois a deflecção do ar carrega consigo as gotas pulverizadas aumentando seu deposito nessa área.

Redução de deriva — A deriva, que é arraste do produto aplicado para um local indesejado pela ação do vento, escorrimento ou evaporação da calda de pulverização, ainda tira o sono de muitos produtores e tem lugar de destaque como um dos principais problemas para as aplicações de agroquímicos, pois além de reduzir a eficiência dos produtos, contribui para contaminação ambiental. O sistema Vortex reduz o efeito nocivo do vento-ambiente nas aplicações de agroquímicos. A cortina de ar gerada pelo sistema “protege” a gota pulverizada, impedindo que a mesma seja arrastada para um local indesejado, mesmo quando se escolhe trabalhar com classes de gotas menores.

Outro fator ambiental de extrema importância é a ação convectiva, que acontece quando se soma a ausência de vento ambiente, o aquecimento da superfície terrestre pelo sol e a sustentação das gotas pulverizadas pelo ar quente ascendente, impedindo que gota atinja o seu alvo. O sistema Vortex gera uma cortina de ar que sai ao lado dos bicos a cerca de 90 quilômetros/ hora, impulsionando as gotas pulverizadas em direção ao alvo, reduzindo, assim, o efeito da ação convectiva, aumentando a janela de aplicação e a eficiência operacional do equipamento.

Cobertura — A cobertura, geralmente expressada pela quantidade de gotas por centímetro quadrado, é um dos principais fatores relacionados ao sucesso das aplicações, pois indica a forma com que o produto foi distribuído na área. Para cada tipo de agroquímico, devemos respeitar a quantidade mínima dessas gotas para que o produto cumpra sua função de forma eficiente.

Para garantir a quantidade de gotas por tipo de agroquímico, é preciso entender que existem limitações ambientais e qual o papel do sistema Vortex para correção dessas variáveis. Assim, seguindo a premissa de que as gotas finas cobrem uma área maior que as gotas grossas para um mesmo volume pulverizado, devemos entender que o fator que limita seu uso são as condições de temperatura, umidade e vento. O Vortex permite que, mesmo em condições de ventos desfavoráveis para aplicação, seja possível utilizar classes de gotas mais finas, com baixo risco de deriva.

Sobre a redução do volume de aplicação, parte-se do princípio que torna possível o uso de gotas menores sem o risco de deriva, consegue-se adequar a necessidade de quantidade de gotas/centímetro quadrado com menor volume de aplicação, já que, como relatado anteriormente, as gotas menores têm maior capacidade de cobertura do que as gotas maiores. A utilização do sistema Vortex, como visto, tem como principal foco a melhoria das variáveis qualitativas da pulverização, além de foco na redução da contaminação ambiental e do operador.