Internacional

 

Brasil é mercado estratégico para a LIMAGRAIN

Empresa de sementes completa meio século de história e apresenta suas operações no centro da França, onde teve origem como uma pequena cooperativa

Texto e fotos Denise Saueressig* [email protected]

No ano em que comemora 50 anos de atuação, o grupo francês Limagrain projeta investimentos em mercados estratégicos nas suas áreas de atuação. Como um dos líderes da agricultura mundial, o Brasil tem forte potencial para o crescimento das operações na América do Sul. Nos últimos quatro anos, o País recebeu investimentos de R$ 100 milhões em estruturas de pesquisa e beneficiamento de sementes. A partir de 2011, por meio da associação com a Sementes Guerra e a aquisição da Brasmilho e de bancos de germoplasma de outras empresas, a Limagrain introduziu nas lavouras brasileiras a marca LG, que identifica mundialmente suas cultivares.

Curitiba é a sede do escritório da Limagrain América do Sul. As unidades de pesquisa no Brasil estão em Sorriso/ MT, Goiânia/GO e Cruz Alta/RS, e um quarto centro está sendo instalado em Londrina/ PR. A companhia ainda mantém uma UBS (unidade de beneficiamento de sementes) em Goianésia/GO e a fábrica de bolos da Jacquet Brossard, em Guarapuava/ PR. Esta é a primeira unidade fabril da marca fora da França.

O milho e o trigo são as principais culturas trabalhadas pela pesquisa da Limagrain no Brasil, mas a soja e o sorgo também fazem parte do portfólio de licenciamento e venda. “Vamos manter os investimentos para nos posicionarmos entre os líderes no mercado de sementes de milho no País nos próximos cinco anos”, declara Roberto Gajardoni, diretor Comercial da Área de Negócios Tropical Sul da Limagrain América do Sul. Hoje as cultivares de milho LG estão presentes principalmente em lavouras das Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mas um dos objetivos para os próximos anos é avançar também na Região Sul.

No trigo, as duas primeiras variedades disponíveis no mercado brasileiro são a LG Oro e a LG Prisma. “Além de ter alto potencial produtivo, a LG Oro é melhoradora e pode contribuir muito com o aumento da qualidade do grão nacional, atendendo essa que é uma grande necessidade da nossa triticultura”, destaca o executivo. Segundo Gajardoni, os estudos envolvendo novas cultivares vêm sendo realizados com intercâmbio de informações entre os centros da França e do Brasil.

Valorização do produtor — Líder na Europa em sementes de trigo e quarta maior produtora de sementes do mundo, a Limagrain teve início como uma pequena cooperativa e, em 2014, registrou faturamento de quase 2 bilhões de euros. O grupo tem subsidiárias em 42 países, 110 centros de pesquisa no mundo, emprega 8,6 mil pessoas e investe 13,5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento. Na América do Sul, a Limagrain atua em seis países com diferentes operações, desde o melhoramento até a venda de sementes, com destaque para os negócios no Brasil, na Argentina e no Chile.

Entre o final de junho e o início de julho, a empresa convidou um grupo de jornalistas de diferentes nacionalidades para conhecer algumas das suas estruturas na região de Auvergne, no centro da França, onde sua história teve origem. Nos arredores da cidade de Clermont- Ferrand, a Limagrain mantém campos experimentais, unidades administrativas, moinhos e indústrias panificadoras, ou seja, completa o ciclo da cadeia produtiva, trabalhando desde a pesquisa da semente até a distribuição do produto final. Em torno de 45 mil hectares são cultivados por 2 mil produtores ligados à empresa.

Junto à expansão das atividades, que incluem negócios mundiais com sementes de diversas culturas, plantas de jardim, farinhas e as fábricas de pães, o sistema cooperativista é mantido até hoje com os produtores fornecedores. “Nossa relação com os cooperados é a base para a qualidade das nossas sementes”, ressalta o diretor geral da Limagrain, Daniel Chéron. “Não queremos ampliar a área plantada, mas pretendemos elevar o valor da nossa produção, com respeito à diversidade dos cultivos agrícolas”, acrescenta.

Uma das unidades do grupo, a Limagrain Céréales Ingrédients (LCI) processa mais de 200 mil toneladas de cereais por ano e tem vendas de 120 milhões de euros. A linha de produtos voltados à alimentação humana abastece marcas conhecidas mundialmente, como Nestlé, Danone e Domino’s. O programa de melhoramento de plantas é conduzido direcionado para as demandas e necessidades das empresas clientes e do consumidor final, observa o diretor geral adjunto da LCI, François Viallet. “Mantemos atenção constante na inovação, mas também trabalhamos para a promoção da agricultura local”, assinala.

Roberto Gajardoni, da Limagrain América do Sul: estudos envolvendo novas cultivares são realizados com intercâmbio de informações entre os centros da França e do Brasil

Associado da cooperativa desde 1993, o produtor Christophe Cautier tem uma propriedade de 122 hectares na região de Auvergne, onde cultiva milho, trigo e beterraba. A área é irrigada, o que é fundamental para suportar o forte calor no atual verão europeu, com temperaturas próximas dos 40ºC. Nos últimos dias do mês de junho, prestes a iniciar a colheita do trigo, a produtividade esperada era de cerca de 9 mil quilos por hectare. A França é o maior produtor de trigo da União Europeia. A área plantada na safra 2015 ficou em torno de 5,3 milhões de hectares, enquanto a produção é estimada em cerca de 39 milhões de toneladas.

*A jornalista esteve na França a convite da Limagrain