Agribusiness

 

CAFÉ

Lessandro Carvalho - [email protected]

BRASIL PRÓXIMO DE RECORDE NOS EMBARQUES

As exportações totais de café (verde e solúvel) no acumulado dos 11 primeiros meses da temporada 2014/15, de julho de 2014 a maio de 2015, chegam a 33,754 milhões de sacas de 60 quilos, tendo incremento de 5,8% no comparativo com igual intervalo da temporada 2013/14, quando os embarques totais foram de 31,915 milhões de sacas. O País, assim, caminha para fechar o ciclo comercial com exportações entre 35,50 milhões a 36 milhões de sacas, o que confirmaria o recorde. A receita no acumulado desses 11 primeiros meses da temporada chega a US$ 6,417 bilhões, 32,9% a mais que em igual período da temporada 2013/14 (US$ 4,829 bilhões).

Tomando-se somente o mês de maio, as exportações foram de 2,896 milhões de sacas, queda de 2,2% contra maio de 2014, quando foram embarcadas 2,960 milhões. Em receita, os embarques de maio foram de US$ 479 milhões, 12,5% a menos que em maio de 2014 (US$ 547,5 milhões). No acumulado de 2015, de janeiro a maio, os embarques chegaram a 14,871 milhões de sacas, aumento de 2% no comparativo com o mesmo período de 2014 (14,578 milhões de sacas). A receita com as exportações no acumulado janeiro-maio de 2015 chega a US$ 2,691 bilhões, com aumento de 15,3% no comparativo com igual intervalo de 2014 (US$ 2,335 bilhões).

O indicador mensal de preço da Organização Internacional do Café (OIC) caiu em maio, diante de especulações em relação ao tamanho da safra do Brasil de 2015/16. O indicador teve recuo de 4,3% em relação a abril, atingindo 123,49 centavos de dólar por libra peso, nível mais baixo desde janeiro de 2014. O preço diário permaneceu relativamente estável durante a primeira metade do mês, mas então caiu subitamente, de mais de 130 centavos para uma mínima de 116 centavos, “na medida em que preocupações em relação à safra brasileira se dissiparam”.


ARROZ

Rodrigo Ramos - [email protected]

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO SEGUE CAINDO

No mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, os preços seguiam apresentando fraqueza ao final da terceira semana de junho. A saca de 50 quilos de arroz em casca valia, em média, R$ 33,43 no dia 18, ante R$ 33,53 registrados no dia 11. Confrontada com igual período do mês passado – R$ 35,12 –, a queda era de 4,8%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, era verificada uma baixa de 7,1%, quando o valor registrado era de R$ 36 a saca. Devido à defasagem sobre a política dos preços mínimos imposta pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), muitos produtores do Rio Grande do Sul veem suas receitas muito inferiores às despesas. O Irga avalia os custos entre R$ 38 e R$ 40 por saca. Por isso, um reajuste nos preços mínimos praticados nivelaria novamente o mercado e deixaria a maioria dos produtores mais seguros.

O nono levantamento da Conab para 2014/15 indica produção de 12,544 milhões de toneladas, 3,5% a mais sobre as 12,121 milhões de 2013/14. A área plantada na temporada 2014/15 foi estimada em 2,312 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade das lavouras foi estimada em 5,425 mil quilos por hectare, superior em 6,2% aos 5,108 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,624 milhões de toneladas, equivalendo a avanço de 6,3%. A área prevista é de 1,120 milhão de hectares, estável ante os 1,120 milhão de hectares de 2013/ 14, com rendimento esperado de 7.700 quilos por hectare, ante 7.243 quilos da safra anterior.


SOJA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

AMÉRICA DO SUL COLHE MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA

A safra de soja da América do Sul, que teve a colheita encerrada em meados de junho, deverá ser a maior da história e com números acima das mais otimistas projeções. Levantamentos recentes confirmam que a produção no Brasil e na Argentina ficou acima do esperado. O mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a safra brasileira em 2014/15 superou a casa de 96 milhões de toneladas. Houve um aumento de 1 milhão de toneladas na comparação com o levantamento anterior. Na Argentina, dados oficiais apontaram um movimento semelhante.

O boletim de junho do Ministério da Agricultura da Argentina (Minagri) confirmou o sentimento positivo sobre a produção daquele país. Conforme os dados oficiais, os produtores argentinos colheram 61 milhões de toneladas. No levantamento anterior, a previsão era de 60 milhões de toneladas. A boa safra da América do Sul ratifica o cenário de ampla oferta mundial da oleaginosa, que tem pesado sobre os preços internacionais. Após colher em 2014 a maior safra da história, de 108 milhões de toneladas, os Estados Unidos plantaram este ano uma área ainda maior. Se o clima favorecer, os americanos também terão uma safra cheia.

O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) projetou safra mundial em 2015/16 de 317,6 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 317,3 milhões. Os estoques finais foram reduzidos de 96,22 milhões de toneladas para 93,22 milhões, abaixo do esperado pelo mercado, de 96,3 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 104,78 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 97 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 77,5 milhões de toneladas. O Usda manteve as estimativas do mês anterior. Em relação à temporada 2014/15, a safra mundial deverá ficar em 318,25 milhões de toneladas, com estoques de 83,7 milhões. A safra do Brasil está estimada em 94,5 milhões de toneladas e a argentina, em 59,5 milhões, um milhão acima da projetada em maio. Os chineses deverão importar 73,5 milhões de toneladas.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

ESCASSEZ DE PLUMA DE BOA QUALIDADE SUSTENTA PREÇO

O mercado brasileiro de algodão mostrou preços mais firmes ao final da terceira semana de junho. Segundo o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto, a cotação busca suporte na escassez de oferta de produto de boa qualidade. “O que também reduz a liquidez do mercado”, frisa. O preço do algodão no Cif São Paulo valia R$ 2,10 por libra-peso no dia 18 de junho, ante R$ 2,05 registrados no dia 11. Quando comparado a igual período de maio, acumula ganhos de 0,96%. E, em relação ao ano passado, a alta acumulada é de 11,7%.

No cenário internacional, destaque para o relatório de junho de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que estimou a produção global de algodão em 111,32 milhões de fardos para a temporada 2015/16, ante os 118,86 milhões de fardos indicados para 2014/15. No relatório passado, eram esperados 111,25 milhões de fardos para 2015/16. As exportações mundiais de algodão foram estimadas em 33,80 milhões de fardos para 2015/16, ante 33,66 milhões no mês passado.

A estimativa para o consumo mundial é de 115,31 milhões de fardos, ante 115,29 milhões de fardos indicados no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 106,08 milhões de fardos, ante 106,29 milhões de fardos projetados no relatório passado. A expectativa é que a China colha 27 milhões de fardos na temporada 2015/16, mesmo patamar do mês anterior. A produção do Paquistão para 2015/16 foi prevista em 10 milhões de fardos, mesmo nível do mês passado. O Brasil tem a safra 2015/16 estimada em 6,75 milhões de fardos, mesmo patamar do relatório anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 29,5 milhões de fardos em 2015/16, mesmo nível do relatório passado. Os norte-americanos deverão colher 14,5 milhões de fardos em 2015/ 16, mesmo patamar do mês anterior.


MILHO

Arno Baasch - [email protected]

COLHEITA DA SAFRINHA INICIA E TRAVA NEGÓCIOS

O mercado de milho chegou à segunda metade de junho sentindo os efeitos do início da colheita da safrinha no Centro- Sul do Brasil. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, até a primeira quinzena do mês os trabalhos estavam concentrados apenas no Mato Grosso e no Paraná, representando apenas cerca de 2% dos 9,327 milhões de hectares cultivados no País. Mesmo assim, os efeitos da colheita já influenciam o mercado brasileiro de milho, deixando os negócios bem travados. O analista explica que os compradores mostramse retraídos, no aguardo do ingresso de maiores volumes do cereal para retomar as aquisições e esperando encontrar preços mais baixos. Já os vendedores ainda não se mostram dispostos a reduzir as cotações do milho enquanto não houver uma oferta maior proveniente da segunda safra.

Molinari acredita que a tentativa de segurar os preços do milho não irá durar muito tempo, uma vez que a colheita da safrinha tende a ganhar ritmo nos próximos dias em todo o Centro-Sul. Além disso, neste momento, há pouca disponibilidade nos portos para embarque imediato de parte das 52,781 milhões de toneladas de milho previstas para esta segunda safra. “Devido aos atrasos registrados neste ano, ainda há muita soja para ser escoada. Também há volumes significativos de oleaginosa armazenados em todo o País, o que pode atrapalhar a estocagem do milho a ser colhido”, explica. O analista alerta ainda que, diante do fraco ritmo de exportações de milho até o momento, com previsão de embarques entre 300 mil e 350 mil toneladas em junho e de 2 milhões a 2,5 milhões de toneladas em julho, será preciso realizar exportações recordes entre outubro e fevereiro de 2016 para evitar um grande excedente de oferta no mercado interno.


TRIGO

Gabriel Nascimento – [email protected]

RELATÓRIO USDA SUPERA EXPECTATIVA E PRESSIONA MERCADO

Com a baixa liquidez das negociações do trigo brasileiro, que espera a entrada da próxima safra no mercado, o destaque dos últimos dias ficou por conta do mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou, no último dia dez, seu relatório de oferta e demanda para o trigo mundial. Analistas consultados por agências internacionais, antes da divulgação, estimavam a safra norte-americana de trigo 2015/16 em torno de 2,096 bilhões de bushels. O Usda indicou um volume maior, chegando a 2,121 bilhões de bushels, ficando acima do estimado em maio – 2,087 bilhões de bushels – e do volume produzido na temporada anterior – 2,026 bilhões de bushels.

Os estoques finais dos Estados Unidos em 2014/15 eram estimados em 715 milhões de bushels, mas foram indicados oficialmente em 712 milhões de bushels. As reservas ao final de 2015/ 16 foram estimadas pelo Usda em 814 milhões de bushels, acima dos 791 milhões de bushels esperados por analistas. Para as reservas mundiais, os analistas esperavam uma leve redução no volume referente à 2014/15. Os estoques eram previstos em 200,6 milhões de toneladas, mas foram indicados pelo Usda em 200,41 milhões de toneladas. Para 2015/16, o Usda estimou 202,4 milhões de toneladas – abaixo das 202,9 milhões de toneladas esperadas pelos analistas.