Notícias da Argentina

 

TRIGO: EM BUSCA DE UMA SAÍDA

“Este ano é o pior dos últimos quatro, mas também estou seguro de que será o pior dos próximos quatro anos. E por isso é necessário fazer engenharia comercial para adiar as vendas de trigo e milho para o próximo ano”, enfatizou o analista de mercado de grãos Enrique Erize, durante um tradicional evento do setor. Diante do asfixiante intervencionismo sobre o mercado de trigo, o especialista sugere negócios a partir da soja. “Não há como fixar preços para o trigo neste ano: com as vendas da soja é possível financiar a comercialização do cereal. Seja quem for o próximo presidente do país, a década sabotada do trigo – uma alusão ao período Kirchner – vai chegar ao seu fim, não tenho dúvidas”, ressaltou. O atual governo mantém artificialmente pressionado o preço do trigo, inclusive em níveis em que não há sentido o cultivo, sob o pretexto de “defender a mesa dos argentinos”. “É mentira que para isso seja necessário manter uma quota interna de 6,5 milhões de toneladas. Temos que aproveitar a demanda sulamericana: esse é o nosso mercado para o trigo. Mas agora o Brasil decidiu mudar de fornecedor e foi buscar o cereal nos Estados Unidos”, lamentou Erize. A informação é de que entre os anos de 2013 e 2014 a Argentina perdeu US$ 2,1 milhões por vendas não concretizadas ao Brasil.


TRIGO

Os prognósticos para o cereal não são bons. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu a área da campanha 2015/2016 em cerca de 7%, para 4,1 milhões de hectares. Muitas consultorias privadas consideram esse número conservador.

SOJA

No início de junho, 90% da área plantada havia sido colhida. A estimativa final de produção, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, é de 60 milhões de toneladas.

LEITE

Não é possível identificar melhorias substanciais no preço do leite pago aos produtores. Os valores do litro ficam em torno de US$ 0,35 (dólar oficial) e US$ 0,23 (dólar paralelo).

CARNE

O mercado se mantém calmo e ainda não se nota a esperada falta de terneiros devido aos problemas climáticos do ano passado. O quilo do novilho jovem é cotado a US$ 2,12 (dólar oficial) ou US$ 1,38 (dólar paralelo).


NÚMEROS PESADOS

A Fundação Produzir Conservando divulgou dados que revelam o prejuízo gerado ao agronegócio argentino nos últimos anos em função de políticas oficiais que apenas tiveram como objetivo gerar receita ao governo. Segundo o economista Juan Llach, a Argentina deixou de exportar US$ 150 bilhões em produtos do campo nos últimos dez anos. O valor exato pode ser discutível, mas não há dúvidas de que o país desperdiçou a mais extraordinária conjuntura histórica de preços internacionais para seus principais produtos de exportação.


DENÚNCIA

Diante das mudanças no sistema de comercialização de leite cru, com o adiamento nos prazos de pagamento implementado por algumas indústrias e reduções nos preços determinadas por outras empresas, a CRA (Confederações Rurais Argentinas) denunciou novamente a ineficiência das políticas leiteiras aplicadas pelo governo e que prejudicam a produção primária. Os produtores de leite do país seguem em uma situação de lenta e sofrida descapitalização e endividamento. O resultado é que ocorrem semanalmente leilões de lotes nas principais regiões produtivas do país, o que faz com que, desde 2003 até agora, mais de 5 mil estabelecimentos leiteiros tenham fechado suas portas em toda a Argentina.