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VAMOS REZAR PARA QUE AS COISAS ACONTEÇAM? OU QUE NÃO ACONTEÇAM?

ALYSSON PAOLINELLI

Saiu enfim o tão esperado Plano Agrícola 2015/16. Ficou demonstrado que, até agora, no anúncio, a nossa ministra da Agricultura, Kátia Abreu, de fato está sendo ouvida. Com exceção para o seguro e os investimentos. Programaram mais lenha para a fogueira. Só que agora a ministra terá de demonstrar a sua força, ou melhor, a nossa força do setor agrícola, fazendo com que as coisas de fato aconteçam. Por essa razão, devemos alertar e muito o Governo para que esse plano não volte a ser uma frustração como foi o do ano anterior.

Se no ano anterior o clima era de se gastar e de se ganhar a eleição, neste ano, ao contrário, o clima é de pagar as contas que, parece-nos, foram bem maiores que as anunciadas. Só agora estamos vendo realmente os efeitos das “contabilidades criativas” e das “famosas pedaladas” que gastaram o que não imaginávamos. Talvez esteja aí a origem do arrocho no chamado “ajuste” ou “plano econômico” que foi projetado. Afinal, não fomos nós quem provocamos tudo isso. Ao contrário, pelas análises do cumprimento do Plano Agrícola anterior, muito ficou para trás. O Plano Agrícola totalmente executado, por um lado, gera gastos no orçamento programado, mas de outro, graças a Deus, cria riquezas nacionais acima de R$ 1 trilhão e cerca de US$ 100 bilhões de dólares na balança comercial por ano.

Esse é o único trunfo que podemos apresentar em um país em que a quebradeira, o desemprego, a inflação e a abertura econômica são gerados em nossa economia. Por falar em ajuste econômico, é bom que se observe na realidade dos cortes e das metas pretendidas o que estamos vivendo. Repito, é um dos mais drásticos planos econômicos entre os sete que vivemos anteriormente, inclusive o Plano Real. Se nesse a âncora cambial foi um dos seus principais trunfos que arrebentou com o setor produtivo, no de agora, ela não foi ainda necessária porque temos uma elástica quantidade de dólares gerados pelo nosso setor agrícola e que estão sendo usados para o suap cambial. Enquanto isso funcionar como remédio, tudo bem, mas se chegarmos à necessidade da âncora cambial, a vaca vai para o brejo.

Aí está o x da questão. Vamos ou não vamos rezar para que as coisas aconteçam no lado do Plano Agrícola? Ou que não aconteçam no estouro do ajuste econômico? A verdade é que o País está parado. Inclusive no seu agronegócio. Áreas novas, nem pensar. Os custos da produção estão triplicando em função do paradeiro e do atraso nas compras e vendas e dos preços reais de nossos produtos caindo em função do ajuste. O desemprego já está sendo notado, inclusive no próprio setor agrícola. As metas de contratação nesta época estão sendo pífias. As compras de fertilizantes e sementes estão paradas ou muito atrasadas, o que leva a crer que vamos ter uso menor de tecnologia e produtividade.

Já se fala abertamente em subida nos preços dos combustíveis que, nesta safra, passarão a ser uma das maiores despesas do produtor rural. A safra foi grande, pois São Pedro ajudou tanto a maioria das áreas produtoras, então vamos começar a rezar para ele não penalizar o Centro- Sul neste ano e continuar a ajudar o Oeste e o Sul. Afinal, em um país onde a produção agrícola é o que sustenta a sua economia, até agora não sabemos se vamos rezar para que as coisas aconteçam ou não como o Governo quer.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura