Eduardo Almeida Reis

 

CELEBRIDADES

Meu provedor de Internet só pensa em celebridades. Se Juliana Paes almoça com a família no Rio, o mundo inteiro fica sabendo e vê a foto de Juliana entrando no restaurante de short curto, como veria se Juliana Couto Paes, carioca nascida no dia 26 de março de 1979, casada desde 2008 com Carlos Eduardo Baptista e mãe de Pedro Paes Baptista, estivesse de saia comprida ou calça jeans.

Por acaso, o almoço em família – notícia importantíssima – envolveu atriz, marido, filho e outros parentes, em uma época em que a onda midiática tem sido voltada para o orgulho gay. Todos criticamos a homofobia, o racismo e os demais preconceitos criminosos, de mesmo passo em que o lobby gay atua de forma avassaladora em todas as frentes.

Os autores de determinada novela são gays e vivem há muitos anos, na maior felicidade, com os seus parceiros. Tudo bem, nada contra, salvo pelo fato de o primeiro capítulo da tal novela começar com um beijo gay entre duas atrizes idosas. Mais adiante, famoso jornal tem uma “cronista” que só escreve asneiras. Você vai apurar e a “cronista” é viúva de uma senhora que morreu ano passado. Assim também com outro jornal e um canal de tevê a cabo mantenedores de uma idiota só porque é lésbica assumida. Não digo que o lesbianismo seja defeito, mas está longe de ser qualidade para contratar uma imbecil de nome italianado.

Os autores de determinada novela são gays e vivem há muitos anos, na maior felicidade, com os seus parceiros. Tudo bem, nada contra, salvo pelo fato de o primeiro capítulo da tal novela começar com um beijo gay entre duas atrizes idosas. Mais adiante, famoso jornal tem uma “cronista” que só escreve asneiras. Você vai apurar e a “cronista” é viúva de uma senhora que morreu ano passado. Assim também com outro jornal e um canal de tevê a cabo mantenedores de uma idiota só porque é lésbica assumida. Não digo que o lesbianismo seja defeito, mas está longe de ser qualidade para contratar uma imbecil de nome italianado.

Na espécie humana, o fenômeno dá margem para uma infinidade de estudos, que não cabem na melhor e mais antiga revista agropecuária brasileira, mas com os bovinos a solução foi muito fácil: mandei o tourinho para o açougue.

Presumo que o fenômeno fosse problema de “cheiro”, pois é sabido que as vacas no cio se deixam montar pelas outras. Novidade absoluta para um sujeito que mexe com bois e vacas há meio século foi a notícia da chegada aos nossos campos das vacas célebres – merecedoras de divulgação no provedor da Internet talqualmente os almoços de Juliana Paes.

Visitando a fazenda de um amigo, dia desses, tive a subida honra de ser apresentado a duas celebridades, vacas Brahman que pertenceram à apresentadora Ana Maria Braga Maffeis (São Joaquim da Barra, SP, 1º de abril de 1949), senhora Carlos Madrulha de 1997 a 2002.

A célebre apresentadora, cujo ferro tem o formato de um coração, faz que o seu ferrete transforme em celebridade e valorize o Brahman nascido em sua belíssima fazenda paulista, que conheci em um vídeo de seis minutos via Google, quando fiquei sabendo que o celebérrimo Roberto Justus e sua nova companheira adoram a piscina da apresentadora. Procurando adjetivo para a elegante piscina da criadora de Brahman encontrei bragante, que não combina com a excelente senhora, pois significa “que ou quem tem maus costumes; libertino, patife, velhaco”.

Claro que Ana Maria nada tem de libertina, patife e velhaca. É celebridade que dialoga na tevê com o chatíssimo Louro José onipresente nas salas de espera dos consultórios médicos, ganhou seu dinheiro honestamente, mostra seu gado no vídeo de seis minutos e dá uma aula de Zootecnia, que, sabemos todos, é a ciência da produção, criação, trato, domesticação ou manejo de animais, isto é, ciência que objetiva o aumento da produtividade e da rentabilidade na criação de animais economicamente úteis, além de ser voltada para o aperfeiçoamento genético dos animais.

A fazendeira inventou o ramo zootécnico das celebridades a partir do ferrete em brasa aplicado no couro de suas vacas, permitindo que o produtor rural brasileiro sonhe com um banho na piscina que já foi honrada pelos mergulhos de Roberto Justus, ao visitar a bela propriedade rural em que se cria o gado a partir do sêmen Brahman importado da América do Norte.

Tendo a sorte de visitar a fazenda em um dia em que a apresentadora esteja por lá, você vai aprender que a bougainvíllea, da família das nictagináceas, é uma trepadeira ótima para compor um cercado dentro do qual Ana Maria Braga Maffeis gosta de fazer higiene mental. E sai de lá sabendo que as raças de corte se destinam, em última análise, aos açougues em que compramos os nossos bifes.