Agribusiness

 

TRIGO

AMPLA OFERTA MUNDIAL CONTÉM MAIORES GANHOS EM CHICAGO

Gabriel Nascimento – [email protected]

O mercado internacional de trigo avalia, desde 12 de maio, as primeiras estimativas oficiais para a safra 2015/ 16, divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) em seu relatório mensal para o grão. Os dados mais impactantes sobre o mercado foram a produção e os estoques finais – diretamente ligados à oferta e à demanda – dos Estados Unidos e do mundo. Apesar da importância dos números para 2014/15, o destaque ficou por conta das projeções para a próxima safra.

A produção global na próxima temporada foi estimada em 718,93 milhões de toneladas, abaixo das 726,45 milhões de toneladas indicadas para 2014/15. Os estoques finais mundiais de trigo em 2015/16 foram projetados em 203,32 milhões de toneladas, contra 200,97 milhões de toneladas de 2014/15. Os analistas esperavam as reservas em torno de 194,2 milhões de toneladas.

Com a produção e a oferta elevadas, a tendência é de baixa nos preços. Os contratos futuros cotados na Bolsa de Mercadorias de Chicago, por outro lado, vêm apresentando um movimento de recuperação nas últimas semanas. No começo de maio, o contrato de trigo com entrega em julho de 2015 chegou a ser cotado a US$ 4,60 por bushel. Nos últimos dias, o mesmo contrato oscilava próximo a US$ 5,20.

Já o mercado interno vem acompanhando a oscilação do dólar nas últimas semanas. As altas do câmbio elevam consideravelmente as paridades de importação do trigo. Um fator que poderia conter as elevações do mercado seria a baixa, ou nula, liquidez no mercado. No Rio Grande do Sul, com a quebra de safra na temporada atual, praticamente não há mais trigo disponível para comercialização.


ARROZ

MERCADO BRASILEIRO COM PEQUENA RECUPERAÇÃO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O oitavo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2014/15 de arroz indica produção de 12,399 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 2,3% sobre as 12,121 milhões de toneladas de 2013/14. No levantamento anterior, eram esperadas de 12,397 milhões de toneladas. A área plantada na temporada 2014/ 15 foi estimada em 2,331 milhões de hectares, ante 2,373 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade foi estimada em 5,320 mil quilos por hectare, superior em 4,1% aos 5,108 mil quilos por hectare na temporada passada.

O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,440 milhões de toneladas, equivalendo a avanço de 4%. A área prevista é de 1,125 milhão de hectares, ganho de 0,5% ante o 1,120 milhão de hectares de 2013/14, com rendimento esperado de 7.500 quilos por hectare, ante os 7.243 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, totalizando 1,057 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Mato Grosso, terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 577,1 mil toneladas, ante 579,1 mil toneladas calculadas para 2013/14.

O mercado brasileiro de arroz mostra uma pequena recuperação diante das fortes retrações dos últimos meses. No final de maio, o preço do arroz em casca irrigado estava cotado em R$ 35,13/saca. Os produtores, diferentemente do ano passado, procuram comercializar o grão sem tantas negociações. Segundo o analista de Safras & Mercado Mahal Terra, “as dificuldades em ter acesso ao crédito de comercialização e pré-custeio preocupam a maioria dos rizicultores, que têm grande parte dos seus custeios vencendo em junho”.


SOJA

USDA INDICA ESTOQUES DOS EUA ACIMA DO ESPERADO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicou estoques de passagem na temporada 2015/16 acima do esperado pelo mercado. A produção também superou as estimativas, mas ficou abaixo do colhido em 2014/15. A safra norte-americana está estimada em 3,850 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,825 bilhões. No ano anterior, a produção foi a maior da história, batendo em 3,969 bilhões de bushels.

O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 317,3 milhões de toneladas. Os estoques finais deverão somar 96,22 milhões de toneladas, acima do esperado pelo mercado, de 95 milhões. A primeira projeção do Usda para a temporada aposta em safra americana de 104,78 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 97 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 77,5 milhões de toneladas.

Em relação à temporada 2014/15, a safra mundial deverá ficar em 317,25 milhões de toneladas, com estoques de 85,54 milhões. A safra do Brasil está estimada em 94,5 milhões de toneladas e a da Argentina, em 58,5 milhões. Os chineses deverão importar 73,5 milhões de toneladas. Os primeiros indicativos do Usda para a safra americana e mundial em 2015/16 reforçaram o cenário negativo para os preços. Brasil e Argentina colheram as maiores safras da história e a sinalização é de que os Estados Unidos poderão repetir esse feito.

Diante deste cenário, os preços recuaram na Bolsa de Mercadorias de Chicago. No final de maio, as cotações atingiram os menores patamares desde outubro do ano passado. Além da expectativa de ampla oferta mundial, pesa sobre as cotações o fato de os Estados Unidos perderem competitividade no mercado exportador. Os compradores, principalmente a China, começam a concentrar suas aquisições no mercado sul-americano. As importações de soja em grão da China totalizaram 5,31 milhões de toneladas em abril, com queda de 18,34% sobre abril de 2014. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a China já adquiriu 20,941 milhões de toneladas, com baixa de 4,14% sobre o mesmo período de 2014. O Brasil liderou as vendas para a China no mês, com 3,4 milhões de toneladas, mas com baixa de 13% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as compras da China no Brasil somam 3,968 milhões de toneladas, com baixa de 20,5%.

ALGODÃO

SAFRA 2014/15 SERÁ 13,2% MENOR

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A safra brasileira de algodão em pluma na temporada 2014/15 está estimada em 1,505 milhão de toneladas, recuo de 13,2% na comparação com as 1,734 milhão de toneladas indicadas na safra 2013/14. Os números fazem parte do oitavo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2014/15. No levantamento anterior, eram esperadas 1,509 milhão de toneladas. A produtividade das lavouras está estimada em 1.540 quilos de algodão em pluma por hectare, ante 1.546 quilos na temporada 2013/14, baixa de 0,4%. A área plantada na temporada 2014/15 está estimada em 977,6 mil hectares, retração de 12,8% na comparação com os 1,121 milhão de hectares anteriores.

O Mato Grosso, principal produtor, deverá colher uma safra de 864,6 mil toneladas, número que representa um recuo de 14% ante 2013/14, quando foram produzidas 1,005 milhão de toneladas. A Bahia, segundo maior produtor de algodão, deve colher 434,1 mil toneladas de pluma, retração de 10,2% sobre 2013/14 (483,3 mil toneladas). Goiás deverá ter uma safra 2014/15 de 53,7 mil toneladas, com decréscimo de 35,3% sobre 2013/14, que foi de 83 mil toneladas.

O mercado interno tem apresentado poucos negócios, com pequenas variações nos preços, devido à fraca demanda por parte das indústrias. Na avaliação de Safras & Mercado, esse quadro é consequência da redução de vendas de produtos têxteis e do fato de as indústrias estarem estocadas até a próxima safra. As fábricas têm dado férias coletivas para tentar diminuir os custos devido à baixa de receita. O preço não se sustenta mais e as comercializações têm ocorrido abaixo do indicador Cepea/Esalq, R$ 2 libra/ peso – R$ 2,05 libra/peso.


MILHO

SAFRINHA DEVERÁ PRESSIONAR MERCADO INTERNO

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Arno Baasch - [email protected]

O mercado de milho aproximou-se do final de maio com um cenário que apontou para uma forte pressão ao longo dos próximos 90 dias. O analista de Safras & Mercado Paulo Molinari destaca que o cenário baixista ocorre pelo quadro amplamente favorável ao plantio e ao desenvolvimento das lavouras de milho nos Estados Unidos (o que tem mantido as cotações abaixo de US$ 4 por bushel em Chicago). Além disso, o Brasil se prepara para colher, a partir de junho, uma grande safrinha de milho, da ordem de 52 milhões de toneladas.

Molinari afirma que ainda existem boas ofertas da safra verão no mercado interno, o que já pressiona o setor neste momento, e que os compradores mostram-se distantes dos negócios, aguardando justamente a colheita da segunda safra na tentativa de encontrar preços mais atrativos para o cereal. “Até agora, somente o estado de Goiás se mostra bem vendido na safrinha. Os demais ainda registram uma comercialização fraca, tentando vender o cereal colhido da safra verão, sem ter, entretanto, uma demanda favorável”, alerta.

O analista entende que os grandes volumes de milho a serem disponibilizados necessitarão ser direcionados ao mercado internacional, mas que haverá certa dificuldade para a efetivação de embarques entre julho e agosto, tendo em vista o fluxo de embarques da soja, que ainda deverá estar elevado no período. Diante desse quadro, Molinari acredita que os embarques de milho deverão estar mais concentrados somente após setembro, mantendo um indicativo de queda nos preços do mercado brasileiro. “Até lá, somente fatos novos, como uma disparada na taxa de câmbio ou mesmo uma eventual quebra na safra de milho dos Estados Unidos, serão capazes de amenizar a forte pressão esperada para o mercado interno”, finaliza.


CAFÉ

SAFRAS ESTIMA 1% DE AUMENTO NA SAFRA 2015/16

A safra brasileira de café 2015/16, que está em processo inicial de colheita, deve ficar em 50,4 milhões de sacas de 60 quilos. É o que apontou a primeira estimativa de Safras & Mercado para a produção 2015/16, realizada através de consulta entre agrônomos, cooperativas, produtores, exportadores, comerciantes, armazenadores e Secretarias de Agricultura. A safra 2014/15, antes indicada por Safras & Mercado em 48,9 milhões de sacas, foi revisada para cima para 49,8 milhões de sacas.

Assim, Safras estima um aumento de 1% na produção 2015/16 contra 2014/15. Segundo o analista de Safras Gil Barabach, responsável pela estimativa, a safra 2015/16 teve um desenvolvimento problemático. Primeiro, por se tratar de um ciclo de baixa carga (bienalidade). Também houve o atraso nas floradas e sequelas do déficit hídrico do ano passado. Isso, por si só, já limita o potencial produtivo das lavouras. E os ânimos só foram se acalmar um pouco a partir das chuvas no final de 2014, que induziram boas floradas.

Mas, diz Barabach, faltava ainda o período de granação. E, para isso, era preciso chuvas em bom volume nos primeiros meses desse ano. E depois de um começo de ano titubeante, as chuvas vieram em bom volume, o que garantiu a granação e melhoraram as expectativas em torno da safra brasileira. A produção total de arábica 2015/16 foi indicada em 36,1 milhões de sacas, com incremento de 7% contra 2014/ 15 (33,6 milhões de sacas). Já a safra 2015/ 16 de conilon foi colocada em 14,3 milhões de sacas, devendo ter queda de 12% na comparação com 2014/15 (16,2 milhões de sacas).

Lessandro Carvalho - [email protected]