Notícias da Argentina

 

BIOTECNOLOGIA: AVANÇO E POLÊMICA

A Comissão Nacional de Biotecnologia Agropecuária (Conabia) deu sua aprovação aos trabalhos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet): uma batata resistente a vírus e uma soja resistente à seca, que foi desenvolvida pela empresa público-privada Indear (Instituto de Agrobiotecnologia Rosário). Esses são os primeiros cultivos geneticamente modificados obtidos na Argentina. Até hoje, apenas Brasil, Cuba, Indonésia, China e Estados Unidos têm produtos biotecnológicos nacionais.

Ainda sobre biotecnologia, a polêmica envolve a disputa entre a Monsanto e os produtores, já que existe a possibilidade da cobrança de royalties pós-plantio em determinados casos.

Por último, houve novidades referentes ao glifosato, o emblemático produto ligado à soja transgênica. Um projeto da senadora por Rio Negro María Magdalena Odarda, da Frente Progressista, pretende proibir a importação de glifosato e seus produtos formulados, assim como a elaboração, comercialização e uso de produtos que contenham o princípio ativo. Os representantes do setor acreditam que o projeto não tem grandes chances de ser aprovado no Congresso.


COTA 481

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca confirmou que os frigoríficos Gorina, Friar, Arrebeef, La Anónima e Ecocarnes fecharam o primeiro embarque de carne bovina de alta qualidade por meio da Cota 481 para a União Europeia, em um total de 110 toneladas, entre as quais estão mais de 18 cortes de carne premium. Os países reconhecidos pela UE para entrar na cota, além da Argentina, são Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Uruguai. São 48.200 toneladas de carne de qualidade superior que ingressam no mercado europeu com tarifa zero.


TRIGO

As primeiras estimaivas para a campanha 2015/2016 falam de uma nova queda para a área plantada, desta vez em torno de 10%. Não há estímulos para o cultivo do cereal.


SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires mantém sua estimativa de produção em torno de 58,5 milhões de toneladas, enquanto os técnicos da Bolsa de Comércio de Rosário falam em 59 milhões de toneladas. As vendas seguem lentas.


LEITE

A cadeia segue sem grandes novidades. Em um contexto de forte queda nos preços internacionais e com valores locais que não superam a média de US$ 0,38 (dólar oficial) ou US$ 0,25 (dólar paralelo), a situação dos produtores ainda é bastante complicada.


CARNE

Os preços do novilho no mercado de Liniers se sustentam em torno de US$ 1,94 (dólar oficial) ou US$ 1,26 (dólar paralelo). É esperado um período com menor disponibilidade de terneiros e certa retenção de fêmeas. No segundo semestre, as cotações podem subir mais.


DESESTÍMULO NO MILHO

A Maizar, associação que reúne a cadeia do milho e do sorgo na Argentina, enfatizou que, por diversas razões técnicas e econômicas, o preço pago pelas indústrias para estocar milho na Argentina são ao longo da história os mais baratos do mundo. Apesar de produzirem um milho mais caro, muitos outros países desenvolveram indústrias de transformações mais competitivas do que as da Argentina. Os custos de transação são o principal fator de impacto negativo sobre a competitividade da indústria local. O mundo trabalha fortemente para reduzi- los e desenvolver fortes cadeias de valor. Enquanto isso, na Argentina, falta a dedicação de tempo e recursos a esses temas. Nenhuma nação ganha competitividade nas cadeias de valor aplicando castigos à produção de milho. Os direitos de exportação devem ser eliminados para todos os produtos da cadeia. Está provado que é o imposto mais prejudicial que se pode aplicar a qualquer economia e que tem como consequência graves prejuízos à capacidade produtiva.