Fertilizantes Especiais

 

ALTERNATIVA para o aumento das produtividades

O uso dos fertilizantes especiais orgânicos, organominerais, condicionadores orgânicos, micronutrientes e estimuladores dos processos fisiológicos como as substâncias húmicas, extratos, algas e aminoácidos tem crescido no Brasil. Inclusive em culturas extensivas como em cereais, algodão e cana

Eng. agr. e Dr. Gean Carlos Silva Matias, diretor técnico em Fertilizantes Orgânicos, Condicionadores e Substratos da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) e gerente da Agrolatino Biotecnologia

Para o agronegócio de um país com as dimensões geográficas como as do Brasil, tendo que enfrentar ainda as dificuldades de falta de infraestrutura em logística e armazenagens, pesquisa e desenvolvimento, política agrícola adequada e agilidade nas regulamentações pertinentes ao setor, é necessário que a cada dia todo o segmento torne-se mais eficiente, utilizando novas tecnologias em busca de produtos e processos mais eficientes para se tornar competitivo e superar todos os desafios anteriormente citados.

A aplicação foliar dos fertilizantes especiais tem se tornado uma prática bastante difundida nas grandes culturas de cereais e também no algodão

Um exemplo deste cenário está no segmento de empresas que investem no desenvolvimento de novas tecnologias como os fertilizantes especiais, criando produtos e formas de aplicações mais eficientes, com um conceito ambiental mais adequado, proporcionando assim um melhor custo-benefício ao agricultor. Esse exemplo reflete-se no crescimento desse setor pelo número de empresas novas que entram no mercado a cada ano, com 30% delas com menos de cinco anos de atividade, como também pelo número que aderiram a essa linha de produtos em seu portfólio.

O setor deve apresentar um crescimento de 6% neste ano de 2015, superando os R$ 3,2 bilhões em faturamento do ano passado. Se esses números são uma realidade é porque as empresas e o produtor rural acreditaram nesse segmento. Aliado a isso, o trabalho realizado pelas empresas no mercado agrícola reflete na importância que esse setor tem para o agronegócio brasileiro, proporcionando competitividade através de técnicas e produtos diferenciados com um custobenefício sustentável.

Investimentos em pesquisas — As indústrias de tecnologias em nutrição vegetal colocam no mercado os fertilizantes especiais e vêm aumentando investimentos em pesquisas nos últimos anos. Isso ocorre devido à necessidade de inovação em tecnologias para atender recentes demandas do mercado, uma vez que é necessário comprovar seus benefícios. A maioria das empresas do setor de fertilizantes especiais tem um departamento de pesquisas e desenvolvimento, que é responsável por desenvolver produtos e fazer recomendações agronômicas, o que permite aliar os resultados das pesquisas com a melhoria dos produtos.

O aumento da produtividade das culturas apoia-se na pesquisa, tanto de novas variedades quanto de tecnologias de manejo agrícola, máquinas e implementos. Atualmente, ocorre forte mobilização de recursos em torno de pesquisas que possam levar ao desenvolvimento de novas tecnologias, haja vista o atual cenário global de instabilidade na oferta de alimentos e de fontes renováveis de energia. O que antes era privilégio apenas de empresas estatais, hoje desperta interesse de empresas privadas especializadas que vislumbram no setor do agronegócio potencial de rentabilidade e liderança no mercado mundial.

Quem ganha com isso é o agronegócio brasileiro. As pesquisas podem impactar a vida no campo e geram o compromisso com a sociedade na transferência de tecnologias e informações, respondendo ao desafio de integrar os segmentos de diferentes cadeias produtivas. Essas novas tecnologias e a pesquisa científica esbarram na maioria das vezes em uma questão crucial: a falta de planejamento e políticas públicas para colocar em prática o que vem sendo pesquisado em universidades. Historicamente ainda é baixo o volume de investimentos do País em ciência e tecnologia. Por isso, a junção de recursos privados aos aportes do setor público destinados à pesquisa de inovações de interesse do agronegócio pode ser um atalho para superar essa dificuldade.

As empresas destinam parte dos seus recursos financeiros (5%) ao financiamento de pesquisas em estrutura própria ou em parceria com universidades por meio de dissertações de mestrado e teses de doutorado. Essas pesquisas já comprovaram que os fertilizantes especiais apresentam ótimo desempenho em várias culturas, com resultados superiores a 10% no ganho de produtividade em relação a fertilizantes minerais, muitas vezes com doses menores de nutrientes.

Esses resultados estão relacionados ao aumento de eficiência devido à redução dos processos de perdas dos nutrientes aplicados, principalmente pela redução da fixação do fósforo, lixiviação do potássio e da volatilização do nitrogênio, como consequência, tem-se o aumento do aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Além disso, os fertilizantes especiais podem conter matéria orgânica e outros aditivos como aminoácidos, extratos de algas e substâncias húmicas, o que não ocorre com a aplicação de fertilizantes minerais convencionais.

Os fertilizantes especiais podem ser fornecidos nas formas líquida (solução e suspensão) e sólida (farelado, peletizado e granulado). Quando fornecidos na forma de grânulos, apresentam uma menor área específica de contato com o solo, tornando a liberação do produto mais lenta e gradual, sendo uma vantagem por preservar os nutrientes por mais tempo no produto, aumentando o efeito residual do mesmo. Além disso, resultados de pesquisas já comprovaram que o produto nesse formato reduziu drasticamente a fixação do fósforo, devido à presença da matéria orgânica humificada e à proteção dos nutrientes.

O uso agrícola de fertilizantes especiais como fertilizantes orgânicos, organominerais, condicionadores orgânicos, micronutrientes de solo e foliares, bem como estimuladores dos processos fisiológicos (como exemplo, substâncias húmicas, extratos e algas e aminoácidos), vem crescendo muito nas últimas décadas em todo o mundo e, mais recentemente, no Brasil. A aplicação foliar desses produtos tem se tornado uma prática bastante difundida nas culturas de cereais e algodão, sendo utilizada também entre produtores de hortaliças e plantas frutíferas, além de outras culturas que ocupam maiores extensões de área, como a cana e o eucalipto.

Para as culturas de maior valor agregado como café, hortaliças e frutas, a relação custobenefício dos fertilizantes é excelente, afirma Gean Matias

Por outro lado, o uso dos fertilizantes especiais tem se concentrado nas principais regiões hortícolas e produtoras de frutas, produtos de maior valor agregado (cinturões verdes próximos às grandes capitais, além de Vale do Ribeira e Vale do São Francisco). Com a difusão do conhecimento sobre os benefícios dessa tecnologia para as regiões tipicamente produtoras de grãos, como o Centro- Oeste, tem se intensificado o uso desses produtos, seja na forma líquida, seja na sólida. Entre eles, os fertilizantes foliares e os fertilizantes organominerais.

Formas de aplicação — Os fertilizantes especiais podem ser aplicados via solo, via água de irrigação ou diretamente sobre as plantas (foliar) ou nas sementes. A forma e a quantidade de aplicação desses fertilizantes vão depender da cultura, de seu manejo e de seu estádio de desenvolvimento. A maioria dos produtos disponíveis no mercado tem recomendações de uso, mas se orienta que, antes de seu uso, sejam consultados técnicos com experiência nessas tecnologias. Para cada cultura e condição de produção há um momento ideal de aplicação, que dependerá do resultado que se espera. A pesquisa, nesse sentido, tem evoluído muito e já há recomendações de épocas e doses para quase todas as culturas.

O custo-benefício dos fertilizantes especiais dependerá da cultura em que se emprega a tecnologia e qual é a sua fonte (substâncias húmicas, extratos de algas, aminoácidos, etc.). Para as culturas de maior valor agregado (café, hortaliças e frutas), a relação custo-benefício é excelente. Já para culturas extensivas ou commodities, como cereais e cana, por exemplo, o custo benefício é certo desde que a recomendação agronômica seja extremamente técnica e aliada a outras operações de manejo fundamentais à produtividade (calagem, fosfatagem, adubação, etc.).

Deve-se procurar por fertilizantes especiais de alta qualidade e que tenham um preço competitivo no mercado. Os fertilizantes especiais melhoram o desenvolvimento vegetativo e a produtividade, mas não substituem o manejo tradicional das culturas; ou seja, fertilizantes especiais não fazem milagres.