Agribusiness

 

TRIGO

MERCADO BRASILEIRO TEM NEGÓCIOS PONTUAIS E PREÇOS MAIS ALTOS

Gabriel Nascimento – [email protected]

O mercado brasileiro de trigo tem apresentado um baixo, porém considerável, volume de negócios nos últimos dias de abril. Na semana encerrada em 17 de abril, o trigo da safra velha – de boa qualidade – no Rio Grande do Sul voltou a ser comercializado por volta de R$ 700 a tonelada. A base de compra para o grão da safra nova, com qualidade inferior, ficou em R$ 650. No Sul do Paraná, a tonelada vem sendo negociada em torno de R$ 700. O preço no mercado interno ficou, em média, 30% mais alto em relação a março. De um modo geral, a indústria segue bem estocada nos dois estados, graças às compras antecipadas.

A alta do dólar no final de fevereiro elevou também os preços no mercado interno brasileiro. A tendência, até a entrada da próxima safra, é de novas altas nas cotações, mesmo com a moeda norte- americana voltando a circular em torno dos R$ 3. Ao longo dos últimos dias de abril, o mercado não teve grandes movimentações. Com o lado da oferta na defensiva, atento ao abastecimento no Mercosul e à entressafra, e o lado da demanda – moinhos, principalmente – bem estocado, os reportes têm sido pontuais.

As atenções também se voltam à safra nova. Estimativas preliminares apontam para uma redução da área no Brasil – visto que o preço do trigo brasileiro segue abaixo do importado. Porém, considerando- se um ano sem maiores problemas climáticos, o total produzido tende a ser o maior pós-desregulamentação do mercado. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), a produção de trigo do Brasil é estimada em 6,5 milhões de toneladas na temporada 2015/16, em uma área de 2,6 milhões de hectares – abaixo dos 2,73 milhões da safra anterior. Em 2014/ 15, a produção ficou em 5,9 milhões de toneladas.


ARROZ

COLHEITA MANTÉM FRAQUEZA NO PREÇO DO CEREAL GAÚCHO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, mostrava fraqueza ao final da terceira semana de abril, reflexo do andamento da colheita do cereal no estado. A saca de 50 quilos de arroz em casca valia, em média, R$ 36,05 no dia 16 de abril. Confrontada com igual período de março – R$ 36,10 –, a queda era de 1,2%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, ainda é verificada uma alta de 4,2%, quando o valor registrado era de R$ 34,24. O sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2014/15 do cereal indica produção de 12,397 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 2,3% sobre as 12,121 milhões de toneladas de 2013/14. No sexto levantamento, eram esperadas de 12,151 milhões de toneladas.

A área plantada na temporada 2014/ 15 foi estimada em 2,343 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade das lavouras foi estimada em 5,289 mil quilos por hectare, superior em 3,5% aos 5,108 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,440 milhões de toneladas, equivalendo a avanço de 4%. A área prevista é de 1,125 milhão de hectares, ganho de 0,5% ante os 1,120 milhão de hectares de 2013/14, com rendimento esperado de 7.500 quilos por hectare, ante 7.243 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, totalizando 1,057 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Mato Grosso, terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 575,6 mil toneladas, ante 579,1 mil toneladas calculadas para 2013/14.


SOJA

USDA REDUZ ESTIMATIVA PARA ESTOQUES DOS ESTADOS UNIDOS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa para os estoques finais americanos em 2014/15. O número ficou bem próximo da expectativa do mercado. A safra norte-americana está estimada em 3,969 bilhões de bushels, repetindo a previsão de março. Os estoques caíram de 385 milhões para 370 milhões de bushels. O mercado apostava em estoques de 371 milhões de bushels. As exportações foram mantidas em 1,79 bilhão de bushels e o esmagamento em 1,795 bilhão. Se confirmada, a produção americana será a maior da história, equivalente a 108 milhões de toneladas.

O relatório indicou elevação da estimativa de safra mundial da oleaginosa. Os estoques mundiais tiveram leve alta. A previsão do USDA é de estoques de 89,55 milhões de toneladas, contra 89,53 milhões de março. Segundo o USDA, para a safra 2014/15, a produção mundial deverá ficar em 315,46 milhões de toneladas, contra 315,06 milhões do relatório anterior. O USDA trabalha com safra americana de 108 milhões de toneladas. O Brasil deverá produzir 94,5 milhões de toneladas e a Argentina, 57 milhões. O USDA elevou em 1 milhão de toneladas a estimativa da safra argentina. Para a China, principal comprador mundial, a expectativa é de uma safra de 12,35 milhões e de importações de 74 milhões de toneladas, números também inalterados na comparação com março.

O mercado internacional de soja vive um período de mudança de foco dos compradores. Com a safra sul-americana praticamente toda colhida e em volume recorde, a China deverá deslocar a sua demanda dos Estados Unidos para o Brasil e a Argentina. Essa alteração pressionou os preços futuros em Chicago. Além disso, os americanos estão plantando a maior área da história, indicando que a produção novamente deverá ser cheia. Em termos fundamentais, o mercado deverá trabalhar nos próximos meses com a ideia de ampla oferta mundial e pressão sobre as cotações.

A produção da safra sul-americana deverá totalizar 166,108 milhões de toneladas em 2014/15, com crescimento de 7% sobre a temporada anterior, conforme Safras & Mercado. O levantamento indica crescimento de 9% na safra brasileira, totalizando 94,408 milhões de toneladas. Para a Argentina, a previsão é de colheita de 57 milhões, com aumento de 6%. A safra do Paraguai deverá crescer 5%, somando 8,5 milhões de toneladas. A previsão é de aumento de 13% na safra boliviana, somando 2,7 milhões de toneladas. O Uruguai deverá produzir 3,5 milhões de toneladas, com incremento de 3%.


ALGODÃO

ESCASSEZ DE PLUMA DE BOA QUALIDADE GARANTE ALTA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão mostrava boa alta ao final da terceira semana de abril, em meio à oferta escassa de pluma de melhor qualidade. No Cif de São Paulo, a fibra de alto padrão valia R$ 2,18 a libra-peso no dia 16 de abril. Quando comparada ao mesmo momento do mês passado, quando custava R$ 1,90, a alta é de 14,74%. Na comparação com igual período de 2014, o avanço é de 8,46%, pois custava R$ 2,01. No cenário internacional, destaque para o relatório de abril de oferta e demanda do USDA. O Departamento estimou a produção global em 119,23 milhões de fardos.

As exportações mundiais de algodão foram estimadas em 34,26 milhões de fardos para 2014/15, ante 34,42 milhões no mês anterior. A estimativa para o consumo mundial é de 111,05 milhões de fardos, ante 110,96 milhões indicados no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 110,09 milhões de fardos, ante 110,06 milhões projetados no relatório passado. A expectativa é que a China colha 30 milhões de fardos na temporada 2014/15, mesmo nível do mês anterior. A produção do Paquistão para 2014/15 foi prevista em 10,6 milhões de fardos, ante 10,5 milhões no mês anterior.

O Brasil tem safra estimada em 7 milhões de fardos. A produção indiana deve chegar a 30 milhões de fardos, ante 30,5 milhões no mês anterior. Os americanos deverão colher 16,3 milhões de fardos, ante 16,08 milhões no relatório passado. A China importou 127,919 mil toneladas em março, com baixa de 42% sobre o total adquirido em igual período de 2014. Entre janeiro e março, o total adquirido chega a 448,2 mil toneladas, recuando em 41% na comparação com o volume importado em igual período do ano passado.


MILHO

CLIMA FAVORÁVEL À SAFRINHA E INÍCIO DE PLANTIO PRESSIONAM MERCADO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado de milho aproximava-se do final de abril com um cenário bem diferente do registrado no mês anterior. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, diferente das valorizações observadas em março, o mercado era pressionado por uma série de fatores. Entre eles, destacavam-se o clima favorável ao desenvolvimento da safrinha, a retomada da colheita de milho verão no País (com a finalização dos trabalhos envolvendo a soja), o início do plantio da safra norte-americana do cereal e o câmbio mais acomodado.

Molinari salientava que as ótimas chuvas registradas em abril surpreenderam no Centro-Sul e criaram uma expectativa de grande produção, o que levou os produtores a elevar o ritmo de venda da safra verão e a estabelecer uma maior tentativa de negócios para o cereal da segunda safra. "O Paraguai também começa a ofertar milho para a Região Sul, a preços considerados baixos, o que interfere diretamente nas cotações internas", alertava.

No mercado internacional, o plantio da safra norte-americana avançava e a expectativa era de que pelo menos 50% da área de milho estivesse cultivada até a primeira semana de maio. Além disso, Molinari ressaltava que em maio o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) irá divulgar sua primeira estimativa de oferta e demanda para a safra nova daquele país. "Por enquanto, pelo perfil de área a ser cultivada, somente teremos um quadro altista de preços para o milho se o USDA for conservador na projeção de produtividade, que no ano passado ficou em 171 bushels por acre. Se o USDA utilizar uma previsão tendo como critério o potencial de produtividade, os dados da safra nova tendem a ser baixistas aos preços", sinaliza.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA 2014/15 FECHA EM 87%

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2014/15 (julho/junho) estava em 87% da produção total estimada, relativa ao final de março. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores brasileiros 42,77 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra 2014/ 15 de 48,9 milhões de sacas. Na média dos últimos cinco anos, a comercialização da safra neste período está em 86%. Em 2014, o mês de março terminou com 85% da safra comercializada. Portanto, as vendas estão adiantadas neste ano. Houve, ainda, avanço de quatro pontos percentuais na comercialização da safra 2014/15 em relação ao final do mês de fevereiro.

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o mercado de café continua gerando oportunidades, que os produtores de uma maneira geral vêm aproveitando. "Os vendedores seguem adotando a postura de dosar posições, tentando aproveitar o repique cambial ou alguma recuperação externa. As vendas não chegam a pressionar o mercado, mesmo porque a safra 2014 foi pequena e a oferta é naturalmente mais curta nesse período de entressafra", indica Barabach.

O analista observa que em março também cresceram os negócios de ocasião, onde a necessidade de compra força uma maior agressividade e leva a um descolamento dos preços para cima. "Tratam-se de negócios pontuais, mas que têm sido bem aproveitados pelos produtores. A referência de venda continua sendo o patamar de R$ 500 a saca para os cafés melhores. Assim, quando o mercado se aproxima desse nível de preço, aparecem mais vendedores e as negociações ganham liquidez", coloca. Por outro lado, quando se afasta desse referencial, as praças de negociação esvaziam-se.

O relatório mensal da Organização Internacional do Café (OIC) trouxe alguns comentários sobre o desempenho do mercado durante o mês de março. Segundo a entidade, o indicador de preço da OIC caiu pelo quinto mês consecutivo, uma vez que "continuaram as especulações em relação ao tamanho da safra brasileira de 2015/ 16". O indicador teve queda de 10% em relação a fevereiro, para 127,04 centavos de dólar por libra-peso, nível mais baixo desde janeiro de 2014.