Notícias da Argentina

 

PARALISAÇÃO NO CAMPO

O agronegócio argentino voltou a recorrer a uma paralisação para chamar a atenção da sociedade e do governo sobre as dificuldades do campo com a política macroeconômica em vigor no país. No final de março, durante três dias, foi interrompida a comercialização de grãos e de carnes. Também não houve entrega de leite por um dia. A alteração gerada pela paralisação não superou aquelas que habitualmente ocorrem nos famosos feriados prorrogados instituídos pelo governo. Ao final do protesto, nenhuma medida foi anunciada. O que ficou claro, mais uma vez, é que a economia de todo o interior do país está parada. Os produtores alegam que estão há sete anos sem diálogo concreto com o governo. A expectativa é de que avanços possam acontecer no caso de uma troca de comando no governo nas eleições marcadas para outubro deste ano. Os representantes do setor têm uma pauta extensa de reclamações. Entre elas, a diferença entre o imposto cobrado e o que efetivamente retorna para as províncias. A alta dos custos também é questionada. "Queremos ser competitivos em todos os segmentos, seja no tabaco, na pecuária, na soja ou no milho. Hoje, por exemplo, a tonelada de milho é vendida por 900 pesos no porto, mas o produtor de Salta tem que pagar 600 pesos pelo frete", relata o presidente da Federação de Entidades Rurais (Federsal), Carlos Segón.


OFERTA DE TERNEIROS

Todos concordam que a safra de terneiros será chave para a temporada que inicia. Para a maioria dos analistas, haverá um número menor de terneiros em relação a 2014. O primeiro cálculo indica uma redução entre 200 mil e 400 mil animais. A especulação é de que os criadores deverão escalonar suas vendas. Até agora, foram feitos poucos negócios na cadeia da carne. O preço dos animais de invernada, em plena safra, permanece entre 20% e 25% acima do boi gordo, apesar da grande oferta, já que os valores baixos do milho fizeram com que muitos produtores transformassem o cereal em carne. A Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (Aacrea) tem uma visão um pouco diferente. Os representantes da entidade acreditam que 2015 não deve apresentar uma oferta de terneiros significativamente inferior, mesmo com as inundações na Região Sudeste de Buenos Aires. No pior dos casos, considerando que todas as vacas da região afetada pela água reduzam sua eficiência reprodutiva entre 5% e 10%, haveria uma perda em comparação com o ano passado de cerca de 170 mil terneiros. No entanto, no contexto nacional, assumindo que todas as demais regiões produzam a mesma taxa do ano anterior, a oferta de terneiros do país seria reduzida em apenas 68 mil animais em comparação com 2014. Isso porque, na área afetada pelos excessos hídricos, foi registrado um aumento no estoque de ventres de 5,6% no último ano, o que permitiu compensar a queda da eficiência reprodutiva.


TRIGO

As restrições ao livre comércio do cereal se mantêm, e o mercado interno já apresenta um preço que não oferece rentabilidade ao produtor. Para a campanha 2015/2016, apenas uma mudança no governo pode auxiliar a cultura.


SOJA

Buenos Aires manteve sua estimativa de 57 milhões de toneladas para a safra, enquanto a Bolsa de Comércio de Rosário ampliou para 58 milhões de toneladas sua expectativa. O número surpreende, porque há perdas por inundações que não foram consideradas.


LEITE

Enquanto as inundações em Córdoba e Santa Fé poderiam determinar o fechamento de 400 estabelecimentos leiteiros, o governo disponibilizou uma ajuda de 0,30 pesos por litro para os pequenos e médios produtores. Para muitos, a medida não serve, já que nos primeiros meses do ano o preço do leite não melhorou.


CARNE

O preço do novilho voltou a recuperar posições em Liniers, algo que, com altos e baixos, observa- se desde dezembro do ano passado. O quilo do novilho precoce tem cotações em torno de US$ 2,12 (dólar oficial) ou US$ 1,40 (dólar paralelo).


ALERTA NA CADEIA DA CARNE

A Câmara de Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da República Argentina (CICCRA) advertiu que a indústria frigorífica nacional continua atravessando uma crítica situação, gerada por uma política macroeconômica que conspira contra as exportações de carnes. Também alerta para a falta de controle comercial e sanitário na indústria do consumo, o que se traduz em um mercado formal com altos preços e um mercado informal sem nenhum tipo de controle sanitário e fiscal. A câmara comunicou às autoridades que essa situação será responsável pelo fechamento de fábricas exportadoras se medidas sérias não forem tomadas.