Agricultura Familiar

 

A feira que CELEBRA a agricultura familiar

A 15ª edição da Expoagro Afubra teve público recorde, uma evidência que os pequenos produtores do Rio Grande do Sul estão em busca permanente de conhecimentos e novas tecnologias. A feira, promovida pela Associação do Fumicultores do Brasil (Afuba) e realizada em Rincão del Rey, distrito de Rio Pardo/RS, no final de março, atraiu 84 mil visitantes – 4 mil a mais que na edição anterior. Já o volume de negócios movimentado pelos 400 expositores atingiu R$ 48 milhões, queda de 28%, seguindo uma tendência de outras feiras agrícolas de 2015. "O atual cenário de instabilidade econômica e política, com taxas de juros elevadas, dólar em alta e redução de crédito refletiu nos negócios realizados na feira", avaliou Marco Antonio Dornelles, coordenador geral do evento. "Estamos satisfeitos com os resultados, pois é importante considerar que os agricultores tiveram a oportunidade de levar conhecimento e novidades em tecnologias, produtos e serviços para as suas propriedades".

Feira promovida pela Afubra, em Rio Pardo/RS, teve 84 mil visitantes, 4 mil a mais que na edição do ano anterior

O presidente da Afubra, Benício Albano Werner, ressaltou que o número de visitantes é o resultado do esforço da organização, patrocinadores e expositores. "Estamos felizes com o crescimento da feira e por atingirmos nosso objetivo maior que é oferecer novidades para o produtor incrementar sua propriedade e obter maior produtividade e rentabilidade", disse. Ele apontou como positivo as vendas de R$ 547 mil pelas 150 agroindústrias expositoras oriundas de 72 municípios, incremento de mais de 11% ante 2014, e que comercializaram uma grande diversidade de produtos coloniais. "Esse é o resultado da diversificação da propriedade rural para a qual tanto se trabalha", argumentou. "Os expositores trabalham o ano todo para trazer novidades e o público tem dado retorno. Isso é muito gratificante".

Pequenas agroindústrias de 72 municípios comercializaram mais de R$ 540 mil em produtos da agricultura familiar

Conhecimento e máquinas para florestas — As instituições Embrapa e Emater/RS aproveitaram o encontro de expressivo número de agricultores para apresentar suas novas tecnologias e orientações para as mais diferentes atividades, sobretudo para o pequeno diversificar seus negócios. Nos estandes, foi possível muita interação entre técnicos e visitantes em busca de conhecimentos. Na estação da Agroecologia, por exemplo, o público pôde conhecer o funcionamento de minhocário, confeccionado com bambu, além de obter orientações sobre compostagem, húmus líquido utilizado na irrigação de hortaliças, e também o manejo de cultivo de frutas e hortaliças em transição agroecológica. Também foi possível conhecer a fossa séptica biodigestora e clorador, tecnologias voltadas ao saneamento ambiental e aos cuidados com a água na propriedade. E na área de Agrobiodiversidade e Recursos Genéticos foram apresentadas variedades de amendoim apropriadas à produção de alimentos como rapadura.

"Nosso tema nessa edição, a sustentabilidade, atingiu o objetivo desejado de levar informação ao produtor e transferir essa tecnologia para a propriedade. O agricultor sai daqui com novas ideias e vai demandar mais, para nós extensionistas, nos municípios", esclareceu o engenheiro agrônomo e coordenador do espaço da Emater/RS-Ascar, Assilo Martins Corrêa Junior. Na Casa Emater, cerca de 70 extensionistas se revezaram no atendimento nas 11 parcelas temáticas e nas três unidades complementares em que foram abordados assuntos como apicultura, saneamento ambiental, cozinha demonstrativa, segurança e soberania alimentar, fruticultura, bovinocultura de leite, artesanato, turismo rural, secagem e armazenagem, ovinos, piscicultura e agroindústria familiar.

A feira também sediou um fórum sobre florestas, oportunidade em que foi priorizado o manejo das árvores por máquinas. Os equipamentos e as tecnologias, além de facilitar a atividade rural, são importantes para substituição de mão de obra cada vez mais escassa. "Além disso, se quisermos ter os filhos dos agricultores permanecendo na atividade rural, temos que ter essas facilidades", justificou o coordenador Dornelles. Algumas máquinas automatizadas desenvolvidas em países como Suíça e Suécia foram apresentadas como sugestões para a produção de erva-mate. Como uma desgalhadeira portátil que substitui o trabalho de quatro a cinco pessoas, e uma tesoura elétrica de poda que facilita o corte dos galhos. Inclusive uma máquina que se adapta ao trabalho em terrenos íngremes do Rio Grande do Sul, em ângulos superiores a 70 graus, e funciona até dentro da água, e que corta várias árvores ao mesmo tempo e ainda realiza o processamento das toras.

Organização e a união dos agricultores — Estimular a organização e a união dos agricultores para fortalecer a agricultura familiar foi o objetivo do espaço da Unidade de Cooperativismo (UCP), da Emater/RS-Ascar. A equipe de extensionistas apresentou as etapas para a formação de associações e cooperativas aos agricultores, esclarecendo dúvidas sobre essas formas de articulação. De acordo com a socióloga da UCP de Santa Cruz do Sul/RS, Larissa Molinos da Silva, a principal diferença entre as formas de organização dos agricultores está no sistema de comercialização dos produtos da agricultura familiar. "O que distingue cooperativas e associações é que a primeira é responsável pela entrega dos produtos independentemente de quantidade de fornecedores. Já a associação é uma forma de organização com comercialização individual", descreveu.

Larissa também ressaltou que a associação trata-se de uma forma de organização e não possui fins lucrativos, enquanto a cooperativa visa as "sobras", ou seja, o lucro para os envolvidos. A profissional destacou ainda que o resultado de ambas depende das pessoas que as integram. "Nosso trabalho é auxiliar na organização e estruturação dessas formas de articulação, escutando o que os agricultores desejam. Porém, o sucesso de qualquer empreendimento associativo é a participação ativa de todos os envolvidos".