Glauber em Campo

 

BRASIL, UM EXEMPLO DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS

GLAUBER SILVEIRA

O Brasil é um grande fornecedor de soja, a proteína vegetal mais competitiva do mundo. Somos hoje o segundo maior produtor, com expectativas de nos tornarmos os maiores. A contribuição da soja ao nosso país é inegável, e sem sombra de dúvidas podemos afirmar que a nossa soja é a mais sustentável do planeta, pelas atitudes ambientais realizadas pelos produtores e uma legislação moderna que possibilita o crescimento com a preservação. Mas, infelizmente, toda vez que vemos reportagens sobre a Amazônia, observamos a soja citada, quando não de forma pejorativa, sendo uma grande vilã da floresta, de forma no mínimo equivocada, em que colocam que a soja ocupa um percentual alto da Amazônia, o que não é real. Qual é realmente a quantidade de soja plantada na Amazônia?

As reportagens generalizam a soja, principalmente devido ao Mato Grosso, que apesar do nome do estado, são três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal, sendo que a soja, no bioma Amazônico, corresponde a apenas 0,2%. Sendo assim, 99,8% da soja de MT não está na Amazônia, e sim no cerrado. Portanto, quando dizem que o PIB da Amazônia é o que mais cresce, isso não é uma verdade. Quando analisamos os dados do PIB brasileiro, a renda pela exploração de recursos naturais como petróleo, gás natural, minerais e florestas é de apenas 6,26% do PIB. Isso mostra que o Brasil, ao contrário do que se prega, não é um dependente de seus recursos naturais. Muito pelo contrário, é a segunda maior área florestal do mundo, atrás apenas da Rússia, que não destruiu suas florestas devido às geleiras.

Agora, claro que o desflorestamento mundial é uma preocupação. Há 8 mil anos, o Brasil detinha 9,8% das florestas mundiais, e hoje detém 28,3%, ou seja, os outros países desmataram mais do que deviam. O Brasil possui 61,15% de suas florestas, enquanto a Rússia tem 49%, EUA, 33%, China, 22%, enquanto a maioria dos países europeus possui no máximo 30% de suas florestas.

A Holanda, que tanto prega ambientalismo, tem apenas 10,82% de suas florestas, a Argentina, 10,66%, Bolívia, Peru e Venezuela possuem 50% de suas florestas. Ou seja, na América do Sul, somos o país que mais preserva e que possuímos a legislação mais severa. E temos buscado reduzir o desmatamento. Porém, e o resto do mundo, o que tem feito além de olhar para nossas florestas e desmatar a sua?

Quando analisamos o percentual do seu território com produção, o Brasil usa 32,51% de seu território com agricultura, pecuária e florestas plantadas, enquanto a Argentina usa 53,91%, a Alemanha, 47,96%, a França, 53,11%, a Holanda, 56,17%, a China, 55,65% e os EUA, 44,9%. Com isso, fica claro que o Brasil não é um vilão e sim um país que está sabendo produzir com sustentabilidade frente a nossos competidores.

O Brasil tem dado exemplo de legislação, os produtores têm feito seu papel na recuperação de APPs, coleta de embalagens, plantio direto, etc. Mas o Governo tem investido pouco na conservação de nossas florestas, é o problema brasileiro de ter legislações rígidas, mas pouca fiscalização. Um estudo da ONU para o meio ambiente revela que o Brasil investe apenas R$ 4,43 para cada hectare de suas unidades de conservação, enquanto a Argentina investe R$ 21,37 e o México, R$ 39,71. Para não citar apenas os EUA, que investem R$ 156/ha.

O setor agrícola, além de ser sustentável ambientalmente, tem dado sustentabilidade econômica ao Brasil. Tem mantido a vanguarda do desenvolvimento, conforme fala do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Qual é o setor que a cada ano traz mais tecnologia, mantendo crescimento e competitividade? Resta saber se o ministro Levy, apesar do reconhecimento ao setor, vai disponibilizar a quantidade de recursos necessários para a realização da próxima safra.

Devido à capacidade produtiva e ao desenvolvimento mostrado pelo agronegócio, o Governo tem dito acreditar que sairemos brevemente desta crise econômica. Nesse caso, o mínimo seria esse mesmo Governo garantir recursos e taxas de juros condizentes para manter a competitividade, já que as obras de infraestrutura tão importantes devem ficar para depois da crise.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT