Agribusiness

 

TRIGO

RELATÓRIO USDA É DESTAQUE DO MERCADO NOS ÚLTIMOS DIAS

Gabriel Nascimento – [email protected]

O destaque do mercado de trigo no último mês foi o relatório de oferta e demanda pelo grão – divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), no dia 10 de março – e seus efeitos sobre as negociações internacionais. O Departamento estimou os estoques finais mundiais e dos EUA levemente abaixo do previsto anteriormente e da expectativa dos analistas. Os estoques finais dos Estados Unidos na temporada 2014/15 foram projetados em 691 milhões de bushels, contra 692 milhões do relatório anterior e os 590 milhões para a temporada 2013/14. A média calculada a partir da expectativa de analistas para o relatório projetava os estoques finais dos Estados Unidos em 696 bilhões de bushels – pouco acima do projetado em fevereiro.

Os estoques finais mundiais do cereal em 2014/15 são estimados em 197,71 milhões de toneladas, contra 187,49 milhões de toneladas de 2013/14. A safra mundial foi reajustada para baixo – passando de 725,03 milhões para 724,76 milhões de toneladas. Esses números – de estoques e produção – indicam uma leve diminuição da oferta global de trigo, o que acarreta um aumento dos preços do produto. A Bolsa de Mercadorias de Chicago – referência no mercado internacional – fechou em alta no dia da divulgação do relatório, quebrando uma sequência de baixas pressionadas pela força do dólar em relação a moedas concorrentes. Outro destaque do relatório foi a redução da estimativa da safra brasileira de trigo, que passou de 6,3 milhões de toneladas, em fevereiro, para 5,9 milhões de toneladas. O Usda concordou com os números da Conab, que indicou aumento de 102,1% na produção do Paraná. Porém, foi estimado recuo de 52,3% na safra gaúcha, devido à uma quebra de safras ocasionada pelas condições climáticas adversas.


ARROZ

COLHEITA SEGUE TRAZENDO PRESSÃO AO CEREAL GAÚCHO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, mostrava fraqueza nos preços no início da segunda quinzena de março, reflexo do andamento da colheita do cereal no estado. A saca de 50 quilos em casca valia, em média, R$ 36,05 no dia 17 de março. Confrontada com igual período de fevereiro – R$ 37,35 – há queda de 3,5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, é verificada uma alta de 6,2%, quando o valor registrado era de R$ 33,93. O sexto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2014/15 indica produção de 12,151 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 0,2% sobre as 12,121 milhões de 2013/14. No quinto levantamento, eram esperadas 12,140 milhões de toneladas.

A área plantada com arroz na temporada 2014/15 foi estimada em 2,333 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade das lavouras foi estimada em 5,209 mil quilos por hectare, superior em 2% aos 5,108 mil na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,204 milhões de toneladas, equivalendo ao avanço de 1,1%. A área prevista é de 1,123 milhão de hectares, ganho de 0,3% ante os 1,120 milhão de 2013/14, com rendimento esperado de 7.300 quilos por hectare, ante 7.243 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, totalizando 1,067 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor. Para o Mato Grosso, terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 566,1 mil toneladas, ante 579,1 mil toneladas calculadas para 2013/14.


SOJA

BRASIL DEVE PRODUZIR 94,4 MILHÕES DE TONELADAS EM 2014/15

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja em 2014/15 deverá totalizar 94,408 milhões de toneladas, com aumento de 9% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 86,623 milhões de toneladas. A previsão é de Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado no final de janeiro, a estimativa era de 95,02 milhões de toneladas. Com a colheita aproximando- se da metade, Safras indica aumento de 5% na área, que ficaria em 31,525 milhões de hectares. Em 2013/ 14, o plantio ocupou 29,917 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 2.898 quilos por hectare para 3.010 quilos, com elevação de 3,8%.

As exportações deverão totalizar 46,2 milhões de toneladas em 2015, avanço de 2% sobre 2014, quando foram embarcados 45,2 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado. O esmagamento deverá subir 6%, passando de 37 milhões para 39,15 milhões de toneladas.

A oferta total de soja deverá subir 11% na temporada, passando para 97,986 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 88,45 milhões de toneladas, com incremento de 4%. Dessa forma, os estoques finais deverão subir 182%, passando de 3,38 milhões para 9,536 milhões de toneladas. Safras trabalha com uma produção de farelo de soja de 29,8 milhões de toneladas, com aumento de 6%. As exportações deverão subir 6% para 14,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está projetado em 15 milhões, elevação de 3%. Os estoques deverão subir 14%, para 2,425 milhões de toneladas.

A produção de óleo de soja deverá passar de 7,2 milhões para 7,45 milhões de toneladas. O Brasil deverá exportar 1,25 milhão de toneladas, com alta de 4%. A previsão é de que 2,38 milhões de toneladas sejam disponibilizadas para a fabricação de biodiesel, com aumento de 5%. O consumo interno deve crescer 2%, para 6,28 milhões, contando o uso para o biocombustível. A previsão é de recuo de 28% nos estoques, para 201 mil toneladas. Durante o mês de março, o mercado brasileiro foi favorecido pela valorização do dólar frente ao real. A moeda americana chegou a superar a casa de R$ 3,30, atingindo os melhores níveis deste abril de 2003. Como resultado, os preços reagiram no mercado doméstico, mesmo com a queda nos contratos futuros internacionais. Com os preços melhores, os vendedores retornaram ao mercado, o que deu ritmo à comercialização no período.


ALGODÃO

ESCASSEZ DE PLUMA DE BOA QUALIDADE SUSTENTA PREÇOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão mostrava boa alta ao final da primeira quinzena de março, devido à oferta escassa de pluma de melhor qualidade. “E, por isso, o produtor só aceita vender com ágio e a liquidez é reduzida neste momento”, destaca o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. No Cif de São Paulo, a fibra de alto padrão valia R$ 1,89 a libra-peso no dia 18. Ao ser comparada ao mesmo momento do mês passado, quando custava R$ 1,67, a alta é de 13,17%. Na comparação com igual período de 2014, a queda ainda é de 14,48%, pois custava R$ 2,21. No cenário internacional, destaque para o relatório de março de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que estimou a produção global de algodão em 119,24 milhões de fardos, ante os 119,37 milhões indicados no mês passado.

As exportações mundiais foram estimadas em 34,42 milhões de fardos para 2014/15, ante 34,24 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 110,96 milhões de fardos, ante 111,25 milhões indicados no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 110,06 milhões de fardos, ante 109,84 milhões projetados no relatório passado. A expectativa é que a China colha 30 milhões de fardos na temporada 2014/15, mesmo nível do relatório anterior. A produção do Paquistão para 2014/15 foi prevista em 10,5 milhões de fardos, ante 10,4 milhões no último relatório. O Brasil tem safra estimada em 7 milhões de fardos, mesmo nível indicado no mês passado. A produção indiana deve chegar a 30,5 milhões de fardos, mesmo patamar previsto no mês anterior. Os americanos deverão colher 16,08 milhões de fardos, mesmo nível do relatório passado.


MILHO

DESVALORIZAÇÃO DO REAL FAVORECE COMERCIALIZAÇÃO BRASILEIRA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado de milho aproxima-se de abril com um cenário bastante diversificado na comercialização. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a forte valorização do dólar frente a outras moedas correntes tem prejudicado consideravelmente a competitividade das commodities norte-americanas no cenário internacional, levando o país a perder espaço para mercados concorrentes. No Brasil, por outro lado, a desvalorização do real frente à moeda americana tem contribuído para sustentar as cotações do milho, seja para o produto disponível, seja para o cereal a ser colhido na safrinha, o que gera boas oportunidades de comercialização aos produtores, tanto no mercado doméstico quanto externo.

Molinari afirma que as tradings têm tentado cortar prêmios na exportação, tendo em vista o bom interesse de venda do milho com o câmbio desvalorizado. “Entretanto, não podemos esquecer que, se por um lado, o atual fator cambial favorece as vendas externas de grãos do Brasil, por outro, trará como consequência custos de produção mais elevados na próxima safra. Mesmo assim, neste momento, o real desvalorizado tem contribuído para movimentar o mercado e salvar a comercialização de 2015”, destaca. O analista acredita que, no médio prazo, os preços internos do milho não devam se acomodar, tendo em vista que a colheita da safra verão segue lenta e a oferta a ser disponibilizada é pequena, da ordem de 26 milhões de toneladas. “Além disso, o milho disputará espaço nos armazéns com a soja e encontrará uma logística cara à frente, diante dos elevados custos de frete”, sinaliza.


CAFÉ

DÓLAR EM ALTA MANTÉM PRESSÃO SOBRE PREÇOS INTERNACIONAIS

Lessandro Carvalho - [email protected]

Como vem sendo a característica do mercado nos últimos meses, foi muito ampla a volatilidade dos preços do café nas bolsas de futuros ao longo de março. Houve perdas expressivas e também uma importante recuperação a partir da terceira semana do mês. A valorização acentuada do dólar contra o real no Brasil continuou sendo fator baixista, derrubando as cotações na Bolsa de Nova York para o arábica em muitos momentos. A Bolsa de NY parece estar buscando uma reacomodação. Chegou a cair abaixo de US$ 1,30 a libra em março para o contrato maio, mas também avançou bem acima de US$ 1,40.

Nos fundamentos, o mercado segue atento à safra de 2015 no Brasil, prejudicada pelo clima desfavorável de 2014 e também do comecinho deste ano. Mas as condições climáticas melhoraram em fevereiro e passou a se acreditar em números não tão pessimistas para a produção. O problema é que seguem muito distantes as ideias de safra de operadores internacionais para o que o setor produtivo brasileiro indica que será colhido, daí a volatilidade no mercado. As fortes altas do dólar no câmbio brasileiro mantêm as cotações sob pressão em Nova York, já que isso estimula o movimento exportador brasileiro, que segue muito forte rumo ao fim da temporada 2014/15.

Em meio a toda essa volatilidade, o mercado físico brasileiro de café andou lento em março. Os produtores venderam somente de acordo com as necessidades imediatas de caixa, enquanto o comprador também se retraiu com os altos e baixos de NY e as subidas do dólar. A expectativa está voltada para a entrada da safra brasileira nos próximos meses, com atenções também voltadas para a safra de 2016.

A comercialização da safra de café do Brasil 2014/15 (julho/junho) está em 83% da produção total estimada, relativa ao final de fevereiro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores brasileiros 40,65 milhões de sacas de 60 quilos de café, tomando-se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra 2014/15 de 48,9 milhões de sacas. Na média dos últimos cinco anos, a comercialização da safra neste período está em 81%.