Expodireto

 

Mais CAUTELA nos negócios

Expodireto Cotrijal, feira realizada no mês passado em Não-Me-Toque/RS, registrou queda no volume de vendas, mas celebrou os resultados da safra de verão que será colhida pelos produtores gaúchos

Denise Saueressig [email protected] Texto e fotos

Redução de vendas durante a feira reflete a queda que ocorreu no mercado de máquinas agrícolas no primeiro bimestre deste ano

O momento no País é marcado por crise política e pela projeção de aumento de custos para o produtor rural. Dois fatores que colaboraram para que o volume de negócios da 16ª Expodireto Cotrijal, feira realizada entre 9 e 13 de março, em Não- Me-Toque/RS, tivesse queda em comparação com os números do ano passado. Enquanto em 2014 os 505 expositores registraram vendas e propostas no total de R$ 3,2 bilhões – um recorde para o evento –, este ano, o valor ficou em R$ 2,18 bilhões, segundo os organizadores e os 530 expositores presentes.

A redução de 32% observada na exposição reflete o que vem acontecendo no mercado de máquinas agrícolas. No primeiro bimestre de 2015, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a comercialização caiu 24,9% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mesmo com o recuo nas vendas, o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, avaliou de forma positiva os resultados da feira. “É preciso lembrar que vivemos um cenário político e econômico complicado, com inflação, taxas de juros elevadas, redução de crédito, o dólar disparando, enfim, toda essa instabilidade”, observa, ressaltando que os expositores acreditam que o índice de aprovação de negócios neste ano será maior que em 2014 e nos anos anteriores. “Aquela euforia dos anos anteriores de fazer pedido em função de taxa barata, longos prazos, recursos abundantes, neste ano não ocorreu. Os pedidos que entraram já foram pré-aprovados, de um produtor com firmeza que vai financiar”, declara.

Se por um lado as incertezas da política e da economia causam preocupação ao setor, por outro, há razões para comemorar. O Rio Grande do Sul deve registrar mais uma safra recorde este ano. A Emater/RS divulgou os números oficiais durante a feira, e a estimativa é de que os gaúchos devem colher 28,97 milhões de toneladas de grãos na temporada de verão 2014/ 2015. A soja é a commodity que mais anima os produtores. Além da safra estimada em 14,84 milhões de toneladas – um aumento de 13,78% sobre 2013/2014 –, os preços pagos pela saca, em torno de R$ 63 em março, são remuneradores.

Avanço tecnológico — Os mais de 230 mil visitantes que passaram pela Expodireto nos cinco dias do evento puderam conferir as tecnologias incorporadas pelo agronegócio nos últimos anos. Nos 84 hectares do parque da Cotrijal, sementes, insumos, máquinas, sistemas e processos que ajudam a elevar a rentabilidade do produtor estiveram em destaque.

O casal Edemar Inácio Schuster e Neusa Mühl Schuster faz questão de ir à feira todos os anos. “Conhecemos a Expodireto desde quando não havia calçamento em todo o parque. Agora, percebemos que a cada edição a estrutura fica melhor. Pode até chover que não vai ter problema para caminhar”, afirma Edemar. O casal que cresceu trabalhando no campo diz que impressiona o avanço tecnológico percebido a cada edição da mostra. “É interessante ver como as coisas evoluem e ficam ainda mais modernas”, relata Neusa.

Edemar e Neusa Schuster, produtores de Condor/RS: melhorias na estrutura e novidades tecnológicas chamam a atenção na Expodireto

Na propriedade de 54 hectares da família em Condor/RS, o momento é de expectativa para a colheita de uma boa safra de soja, com produtividade acima de 50 sacas por hectare. No ano passado, a ocorrência de dois veranicos acabou prejudicando o rendimento da lavoura, que ficou na média de 45 sacas por hectare. “Este ano, o clima foi positivo desde o início. Além disso, conseguimos controlar muito bem os problemas sanitários, principalmente a ferrugem”, aponta Edemar.

Os preços da saca também entusiasmam o produtor, que vendeu 10% da safra de forma antecipada com preço de R$ 70. Como os custos foram fechados antes da recente alta do dólar, o valor desembolsado foi bem semelhante ao do ciclo passado, e a rentabilidade com essa comercialização adiantada ficou entre 30% e 40%. “A partir de agora, no entanto, temos que ficar atentos à alta nos custos, que será inevitável”, salienta.

A lavoura de inverno, na qual normalmente a família cultiva trigo, ainda estava indefinida em março. A situação do cereal no Rio Grande do Sul não é das melhores e, por isso, a tendência é de semear apenas 20% da área com trigo e manter o restante com uma cultura de cobertura, como a aveiapreta.

Data marcada — Como já é tradição, discussões e palestras sobre o momento e os desafios do setor também foram atrações da feira. No 7º Fórum Nacional do Milho, especialistas manifestaram a necessidade da ampliação de mercados para o consumo do cereal, já que o País tem excedentes de produção e potencial para elevar a produtividade. No 26º Fórum da Soja, os participantes ouviram informações técnicas sobre o manejo da lavoura e sobre o comportamento do mercado, que pede atenção redobrada para o aumento dos custos em 2015/ 2016. A próxima edição da Expodireto Cotrijal já tem data marcada. Em 2016, a exposição será realizada entre os dias 7 e 11 de março.

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