Notícias da Argentina

 

CHINA EM BUSCA DE SORGO

De acordo com o Ministério da Agricultura, na safra passada a produção de sorgo foi de 3,47 milhões de toneladas. Desse total, 150 mil toneladas foram destinadas à indústria, 1,67 milhão ao consumo forrageiro e 1,74 milhão à exportação. Os principais destinos foram Japão, Colômbia, Chile e, em menor volume, Estados Unidos, México e Taiwan. O certo é que no horizonte da cultura existe um novo mercado, que é a China. Claramente o gigante asiático está importando menos milho e mais sorgo. As estimativas indicam compras de 6 milhões de toneladas, e a questão é saber até onde a Argentina pode exportar para o país. Embora tanto os preços do sorgo quanto os do milho estejam muito baixos na Argentina, é recomendável que os produtores analisem a melhor negociação na hora de realizar as suas vendas. O fato é que, desde novembro do ano passado, a relação sorgo/ milho começou a ficar positiva para o sorgo. A expectativa é que à medida que forem recebidos os pedidos vindos da China, sejam percebidas reações nos preços, que até o momento estão em torno de US$ 118 a tonelada para o contrato de maio.


TRIGO

A exportação segue retida no mercado. Assim como esperado, o anúncio do governo de permitir a venda de 1 milhão de toneladas adicionais, quando os exportadores têm comprados 4,6 milhões de toneladas e estão autorizados a despachar 3,5 milhões de toneladas, não é suficiente para a busca de mais cereal no mercado.


SOJA

Confirmado o plantio recorde de 20,4 milhões de hectares com a oleaginosa, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires mantém a projeção de colheita em 57 milhões de toneladas para a atual safra. Se o volume for alcançado, será 4,6% superior em comparação com a temporada passada.


LEITE

Houve um enorme mal-estar entre os produtores diante da informação de que algumas empresas lácteas reduziram a 3,10 pesos o preço do litro que pagaram aos fornecedores pelo leite cru, enquanto outras empresas mantiveram um valor de até 3,28 pesos. Isso implica preço médio de US$ 0,37 o litro (dólar oficial) ou US$ 0,24 o litro (dólar paralelo).


CARNE

Houve recuperação de preços no mercado de Liniers. A evolução das cotações nas próximas semanas será chave para revelar se continuará ou não a fase de retenção de gado. O novilho jovem tem preços para o quilo em torno de US$ 2,12 (dólar oficial) ou US$ 1,38 (dólar paralelo).


MUITA SOJA

Novamente nesta safra foi realizado o “Rally Agrícola”, uma proposta que pretende dar resposta ao mercado climático do hemisfério Sul mediante uma análise das maiores zonas produtoras de soja e milho da América do Sul. Foram incluídos cinco países no circuito: Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Bolívia, em um percurso de mais de 9,5 mil quilômetros e que permitiu obter um panorama geral dos cultivos e do negócio agrícola. Do ponto de vista produtivo, de uma forma geral, os cultivos estão em excelente situação, principalmente a soja. As conclusões da viagem pela região não deixam dúvidas: tudo indica que ingressará muita soja a partir de abril/maio, situação que pode significar um impacto negativo nos preços, o que não é bom, especialmente porque se trata de um cultivo de elevado peso no faturamento do produtor argentino.


FIM DE UM CICLO

O ano de 2016 poderá representar o final de um longo período no qual o campo foi castigado de todas as formas possíveis. E se as coisas irão melhorar, a pecuária precisa estar preparada. Com um estoque estável e com os níveis mais baixos conhecidos de oferta de novilhos com destino à exportação, a expectativa gerada com a possível mudança de governo e de políticas vinculadas às exportações será determinante para o que ocorrerá no mercado tanto neste ano, quanto em 2016. À medida que a oposição vai definindo as candidaturas e, se efetivamente for consolidada uma proposta de políticas que devolvam a competitividade exportadora, os produtores precisam se preparar para as mudanças. Os analistas acreditam que a prioridade deve ser a retenção de matrizes e de terneiros para atender o mercado internacional. Assim, a equação de menor oferta e de uma demanda forte deverá manter firmes os preços em 2016.