Eduardo Almeida Reis

 

CAPIVAROL

Muita gente foi tratada com o Tônico Capivarol inventado em Juiz de Fora/MG, pelo farmacêutico Barbosa Leite, composto de catuaba, guaraná e óleo de capivara: “Sonhei com Nossa Senhora Aparecida e ela me mostrou um vidro de remédio para maleita. Graças a Deus minha filha melhorou”, teria dito uma dona de casa do interior do Maranhão, depoimento que faz parte do texto publicitário do Tônico Capivarol publicado no Almanaque Capivarol de 1933.

O elixir de extrato de óleo de capivara iodo-fosfatado era recomendado pelo fabricante: “Ótimo medicamento para tuberculose em 1º grau e todas as moléstias ocasionadas pelo depauperamento orgânico, escrófulas, raquitismo, reumatismo e sífilis, anemia, debilidade, moléstias nervosas, etc.”

Parece que o remédio ainda é fabricado no Rio. Quando tive uma porção de malárias, morava em Juiz de Fora, mas ninguém sonhou com Nossa Senhora Aparecida e fui salvo por outros medicamentos. O Capivarol veio à baila diante da notícia de “graciosas” capivaras que continuam atenazando os frequentadores da Pampulha, em Belo Horizonte, justamente apavorados com o risco de contraírem a febre maculosa brasileira, doença transmitida pelo carrapato-estrela Amblyomma cajennese infectado pela bactéria Rickettsia rickttsii, carrapato encontrado em animais de grande porte, como bois e cavalos, cães, aves domésticas e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

São Paulo, Minas, Rio, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco lideram no Brasil os casos de febre maculosa. Não existe vacina. Na maioria dos casos, os primeiros sintomas aparecem sete dias depois da picada do carrapato-estrela. A doença começa abruptamente com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, inapetência, desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e se tornam salientes, constituindo as maculopápulas. A erupção cutânea é generalizada e também se manifesta nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. O diagnóstico precoce é importante para dar início ao tratamento porque – prestem atenção os defensores das capivaras – A TAXA DE LETALIDADE DA DOENÇA É ELEVADA.

Claro que estou resumindo uma lição do Dr. Drauzio Varella, que copiei via Google. A infestação desses carrapatos era muito grande nos jardins da fazenda de Candinha e Joaquim Guilherme da Silveira, vizinhos e queridos amigos nossos. A meu pedido, a Cooper-Welcome enviou seu melhor especialista em carrapatos para solucionar o problema, profissional português nascido em Angola, que apareceu com a mulher e dois filhos para passar o final de semana. Solucionou o problema e nos ensinou que o cavalheiro ou a dama, ao retirar um carrapato agarrado a sua pele, não deve puxar, deve torcer o ácaro. O ectoparasita hematófago é fascinante: basta dizer que a fêmea nasce virgem e o macho não tem pênis, mas tem nariz. E o negócio vai por aí, mas estou cuidando da febre maculosa, que tem cura desde que o tratamento com antibióticos (tetraciclina e cloranfenicol) seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal, diz Drauzio Varella, é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa e regredir e evolui para a cura total.

O atraso no diagnóstico e no início do tratamento pode provocar complicações graves como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares e levar a óbito. Portanto, evite o contato com os carrapatos. Todo santo dia as tevês nos mostram bandos de capivaras aumentando em lagoas urbanas, proximidades de pistas de aeroportos, em uma porção de lugares – e os defensores dos animais falam em castrar os machos para impedir o crescimento da população. Drauzio recomenda as seguintes precauções: examine seu corpo cuidadosamente a cada três horas, porque o carrapato-estrela só transmite a bactéria responsável pela febre maculosa depois de pelo menos quatro horas grudado na pele. Use roupas claras que permitem ver melhor os carrapatos. Ponha a barra das calças dentro das meias e calce botas de cano mais alto nas áreas que possam estar infestadas de carrapatos. Retire, torcendo, o carrapato grudado em sua pele. Não se esqueça de que os primeiros sintomas da febre maculosa são semelhantes aos de outras infecções e requerem assistência médica imediata, de boa qualidade, diz aqui o degas, que aproveita esta oportunosa ensancha para sugerir: meia dúzia de caçadores, com os seus barcos e cachorros, solucionam o problema das capivaras em uma só noite. Têm barcos, cachorros, espingardas e fazem o trabalho de graça por amor da cinegética, que, sabemos todos, é a arte da caça, especialmente da caça com ajuda de cães.