Agrishow

Previsões MODERADAS para a 22a Agrishow

Em tempos de dólar valorizado, expectativas para os novos juros para o campo, instabilidade econômica e política do País, é realizada a edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto/SP

A megafeira agrícola Agrishow chega à 22ª edição em um clima de expectativas que extrapolam o universo agrícola. O momento político e econômico do País não se mostra muito estável, o dólar nas alturas é uma bênção para quem produz commodities para o exterior, porém, poderá ser o mesmo dólar para a aquisição de insumos cuja matéria-prima é importada, e as cotações dos principais grãos estão abaixo dos anos recentes históricos. Além disso, os juros do Moderfrota a taxas interessantes de 4,5% e 6% ao ano (conforme o tamanho do produtor) têm data para acabar – em junho –, e depois deverão subir, assim como os juros do Programa Mais Alimentos para a aquisição de bens pela agricultura familiar.

A Agrishow, em Ribeirão Preto/SP, de 27 de abril a 1º de maio, é promovida por algumas das principais entidades do agronegócio no País: Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), e deverá reunir 800 marcas de produtos e serviços. A exposição é uma vitrine de lançamentos de apresentação de tendências e tecnologias. Entre os segmentos estarão máquinas e os implementos agrícolas, máquinas para construção, agricultura de precisão, agricultura familiar, armazenagem, fertilizantes, defensivos, irrigação, ferramentas, peças, autopeças, pneus, pecuária, biodiesel, sacarias e embalagens, seguros, sementes, software e hardware, motores e veículos e aviões.

“Inflação, juros, câmbio, preço das commodities... ficamos um pouco mais apreensivos”, admite Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Abag. Para ele, o volume de vendas da feira do ano passado, de R$ 2,7 bilhões, não deverá se repetir nesta edição. “Acho que temos que ser um pouco mais conservadores nos resultados das vendas”, avalia. “Não deveremos alcançar os mesmos patamares de 2013 e 2014”. O dirigente vê o produtor um tanto receoso com o futuro do País e também em relação ao negócio agrícola, sobretudo a partir do possível aumento dos juros a serem anunciados no Plano Agrícola e Pecuário 2015/16, em maio ou até junho. “Ele pensa que vai ficar com a capacidade de investimento menor”, interpreta. “Vai ter negócios, mas o produtor vai ser um pouco cauteloso”.

Cornacchioni, diretorexecutivo da Abag: “Vai ter negócios, mas o produtor vai ser um pouco cauteloso”

O vice-presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, aponta a incerteza quanto aos novos juros do Moderfrota como o principal impasse para a feira. “Todo mundo está inseguro”, entende. “Isso pode impactar os negócios do Agrishow”. Segundo ele, a taxa de juros pode ir para 8,5%, sendo que, nos “bastidores”, fala-se até em 10%. “É uma taxa alta para se investir na agricultura”, afirma. O dirigente conta que a entidade está “todo o dia” gestionando o Governo quanto aos juros para o campo – mais precisamente junto à Presidente da República, Dilma Rousseff, à ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mesmo assim, Marchesan aposta em uma boa feira visto à boa safra em andamento e o câmbio. “O agricultor vai continuar plantando. O dólar favorável está dando margem ao produtor”.

Apesar da questão econômica, a Agrishow promete ser novamente uma grande feira, de acordo com o presidente do evento, Fábio Meirelles, também presidente Faesp. Conforme ele, a Agrishow é a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, especializada em apresentar aos produtores importantes elementos para ampliar seu agronegócio. E se consolidou como a principal vitrine de lançamentos e palco das tendências e tecnologias do setor, responsáveis pelo expressivo aumento de produtividade do campo nos últimos anos. “Dessa forma, independentemente de fatores econômicos, políticos e conjunturais, acreditamos que manteremos o grande fluxo de visitantes dos anos anteriores, assim como já temos certa a presença de expositores das mais importantes empresas que atuam nos mais diversos segmentos com ligação com o setor”, destaca.

Marchesan, da Abimaq: “Todo mundo está inseguro. Isso pode impactar os negócios do Agrishow”

“Protagonista do crescimento” — Meirelles lembra que, apesar do momento econômico do País, o agronegócio se manterá como o “principal protagonista de sustentação do crescimento” do Brasil. Sobretudo ao fornecer alimentos a preços competitivos, o que ajuda no combate à inflação, e para atingir o superávit na balança comercial – afinal, o agronegócio exporta quase US$ 100 bilhões/ ano. “Em razão desses fatores, entendemos que os efeitos sobre os negócios da Agrishow 2015 serão menores, até pelo fato de que é exatamente em momentos difíceis que se faz necessário conhecer novas ferramentas, máquinas ou sistemas que auxiliem no aumento da produtividade”, aposta. “Em função disso, estamos muito esperançosos que realizaremos uma excelente feira que já tem sido citada pelo mercado como a oportunidade do ano”.

Meirelles, presidente da Agrishow: “Estamos muito esperançosos que realizaremos uma excelente feira”

O dirigente lembra que a presença na feira, inclusive com estandes, das mais importantes instituições financeiras com operações de crédito rural, assim como de técnicos dos bancos oficiais e de programas dos vários níveis de governo, facilita a concretização de operações financeiras e estimula a realização dos negócios. “Acreditamos que isso se repetirá também na edição de 2015, com o oferecimento de vantagens em termos de taxas e condições de pagamento até pelo clima de maior contenção vivido no momento pelo País. Nesse sentido, quem estiver em condições econômicas de investir encontrará boas condições, tanto na escolha de equipamentos e máquinas, quanto na oferta de maior crédito”, acredita. “Por fim, aguardamos que o Governo permaneça com a política de fortalecimento do setor”.