Florestas

Programa MAIS ÁRVORES estimula o desenvolvimento florestal

Engenheira florestal e de segurança do trabalho Camila Soares Braga, M.Sc., assessora técnica da Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

No Brasil, as florestas plantadas destinam-se a diversos usos, madeireiros e não-madeireiros, como a produção de celulose e papel, carvão vegetal, madeira para construção civil e naval, geração de energia, látex, resinas, além de produtos de maior valor agregado como móveis, painéis, pisos e portas, entre outros. Essa diversidade torna as culturas florestais estratégicas para geração e complementação de renda para os produtores rurais, pequenos, médios ou grandes.

Além disso, as culturas florestais podem ser cultivadas em todas as regiões do País, devido à sua alta plasticidade e à diversificação de produtos gerados.

No entanto, o produtor florestal, para ter o retorno financeiro almejado, deve ficar atento à demanda e ao mercado consumidor regional, por se tratar de produtos com alto custo de transporte. Além disso, deve utilizar técnicas adequadas de plantio e manejo de sua floresta, de acordo com o objetivo do plantio, para que o volume de madeira colhido seja semelhante ao volume projetado.

Fatores como localização do terreno, condições edafoclimáticas (solo e clima) regionais, escolha da espécie, disponibilidade e procedência das mudas, locação de estradas e aceiros, controle de pragas, correção e preparo do solo, espaçamento adequado, fertilização mineral, plantio, replantio e tratos silviculturais são fatores imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento florestal.

Dessa forma, para orientar o produtor rural em todos esses pontos, a Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criou o Programa Mais Árvores, para atender a demanda de pecuaristas e agricultores que queiram investir na atividade florestal como atividade alternativa na sua propriedade, e precisam de conhecimento técnico sobre mercado, plantio e manejo de sua floresta. E também os silvicultores que já possuem a atividade florestal como principal renda, mas querem obter melhores resultados de produtividade e lucro.

A capilaridade do Sistema CNA em todos os estados, por meio das federações da agricultura e pecuária, faz com que o Programa Mais Árvores possa ser aplicado em todas as regiões produtoras de florestas no Brasil, contemplando diretamente os produtores rurais, por meio dos sindicatos rurais. Essa iniciativa foi desenvolvida a partir do Programa Mais Florestas, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul), criado em 2011 para atender ao Plano Estadual de Florestas e estimular a implantação de áreas florestais como atividade de diversificação da renda e da produção.

Baseado na experiência sul-matogrossense, o Programa Mais Árvores quer incentivar o produtor a investir no plantio e no manejo de florestas comerciais para usos múltiplos (produtos madeireiros e não madeireiros). Dentre seus objetivos específicos, destacam-se: melhoria da qualidade dos plantios e do manejo de florestas comerciais nas propriedades rurais; fornecimento de informações sobre as técnicas adequadas de plantio e manejo para obtenção de alta produtividade; incentivo à diversificação das atividades rurais; aumento da renda no campo; e disponibilização de informações técnicas sobre gestão da propriedade rural.

Camila: “O Programa Mais Árvores quer incentivar o produtor a investir no plantio e no manejo de florestas comerciais para usos múltiplos, produtos madeireiros e não madeireiros”

O público alvo do Programa será prioritariamente o produtor rural, mas atenderá também profissionais do setor, em três etapas distintas e consecutivas. A primeira será a divulgação do Programa nos estados, para mobilizar produtores e sindicatos rurais, por meio de palestras de sensibilização para apresentar a metodologia do Programa, abordando pontos como mercado florestal local e regional, manejo florestal para alta produtividade e gestão da propriedade rural.

A segunda fase será marcada pela implantação de uma unidade experimental nas propriedades rurais, que será o diferencial em relação aos demais programas e eventos na área florestal. Essa área deverá ser mantida pelo produtor parceiro, para que os produtores rurais participantes do Programa acompanhem todo o ciclo produtivo de desenvolvimento da floresta.

Na terceira e última etapa, estão os módulos do Programa Mais Árvores, que serão realizados com a metodologia de workshops, com ampla participação do público, que poderá esclarecer todas as dúvidas. Nos módulos, serão debatidos os usos múltiplos dos produtos florestais, oportunidades do mercado regional e nacional, tendências do consumidor, oportunidades de investimentos em novas culturas, usos múltiplos da madeira, cadeia agroflorestal, agrossilvipastoril e todas as possibilidades de investimentos, com foco na qualidade do plantio, manejo florestal e gestão da propriedade rural. Serão abordados, ainda, temas relevantes sobre o Novo Código Florestal, Cadastro Ambiental Rural e geração de renda nas áreas de reserva legal.

Bahia sai na frente — A Bahia deu o pontapé inicial nos workshops, dentro do Programa Mais Árvores. No último dia 18 de março, a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e a CNA, realizou o 1º Workshop Madeira para uso múltiplo – integração de pequenos produtores e processadores. O evento contou com diversos palestrantes de todo o Brasil, que trabalharam temas como Madeira Certificada para uso Múltiplo, Novas Possibilidades para Produtor e Processador Florestal, a Indústria de Madeira, entre outros pontos.

Participaram mais de 140 pessoas, de toda a cadeia produtiva, que discutiram tópicos como a importância do setor florestal para o estado, em termos de empregos, renda e crescimento sustentado, com inclusão dos pequenos produtores e processadores. O Programa Mais Árvores – Bahia será aplicado em quatro polos no estado: Litoral Norte, Sul, Sudoeste e Oeste, com vertentes na produção e na indústria. Depois desse primeiro passo, acreditamos que, até o fim deste ano, todos os estados com produção florestal sejam contemplados pelo Programa. A Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA está à disposição de todos para maiores informações em relação ao Programa.