Agribusiness

TRIGO

ELEVAÇÃO DOS ESTOQUES PRESSIONA MERCADO DOS EUA

 Gabriel Nascimento – [email protected]

O destaque no mercado do trigo nas últimas semanas fica por conta do grão norte-americano. No dia 10 de fevereiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) divulgou seu relatório de oferta e demanda para o trigo nos EUA e no mundo. A principal informação do relatório – que manteve a projeção para a produção do país em 2014/15 – foi a elevação dos estoques domésticos para a temporada, passando de 687 milhões para 692 milhões de toneladas.No último dia 20, o Departamento divulgou sua projeção para a safra 2015/16, durante seu Fórum Anual Outlook. A produção americana de trigo deverá subir de 2,026 bilhões para 2,125 bilhões de bushels entre 2014/ 15 e 2015/16. O quadro confirma a projeção de queda na área plantada, de 56,8 milhões para 55,5 milhões de acres.

O preço médio deverá recuar de US$ 6 para US$ 5,10 por bushel. A expectativa do Usda é que os estoques de passagem subam de 692 milhões para 763 milhões de bushels. Para isso, a demanda doméstica deverá subir de 1,184 bilhão para 1,229 bilhão de bushels. As exportações também deverão subir, de 900 milhões para 975 milhões de bushels. Essa previsão de alta nos estoques derrubou os preços em Chicago, fazendo com que o mercado fechasse em baixa na última sexta-feira. A perda de competitividade do cereal americano também pesou sobre as cotações.

Os contratos com entrega em março de 2015 fecharam negociados a US$ 5,10 por bushel, com perda de 17,50 centavos em relação ao fechamento anterior. Destaque, também, para a previsão de área norte-americana em 2015, que deve ocupar 55,5 milhões de acres, com queda de 2,3% sobre o total cultivado no ano passado, de 56,8 milhões de acres. A previsão foi feita pelo economista- chefe do Usda, Robert Johansson, durante o Fórum Anual Outlook.


ARROZ

COLHEITA COMEÇA A PRESSIONAR PREÇOS NO RIO GRANDE DO SUL

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, começou a mostrar fraqueza nos preços, em decorrência do andamento da colheita no Rio Grande do Sul. A saca de 50 quilos valia, em média, R$ 37,35 no dia 19 de fevereiro. Confrontada com igual período de janeiro – R$ 37,40 -, a retração era de 0,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, ainda era verificada alta de 5,4%, quando o valor registrado era de R$ 35,45/saca. A colheita de arroz ocorre de forma não tão acelerada como desejariam os produtores no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater, as chuvas dos períodos anteriores, ocorridas com mais frequência na Região Sul do estado, onde se concentram as principais zonas produtoras do grão, têm impedido um trabalho mais intenso na retirada do produto.

O quinto levantamento Conab para a safra brasileira 2014/15 indica produção de 12,140 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 0,2% sobre as 12,121 milhões de toneladas de 2013/14. A área plantada com arroz na temporada 2014/15 foi estimada em 2,328 milhões de hectares, ante 2,372 milhões semeados na safra 2013/14. A produtividade é estimada em 5,213 mil quilos por hectare, superior em 2% aos 5,108 mil quilos na temporada passada.

O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter safra de 8,170 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. A área prevista é de 1,119 milhão de hectares, perda de 0,1% ante os 1,120 milhão de hectares de 2013/14, com rendimento esperado de 7.300 quilos por hectare, ante 7.243 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,9%, para 1,057 milhão de toneladas.


SOJA

USDA APONTA QUEDA NA ÁREA NOS EUA EM 2015

Dylan Della Pasqua - [email protected]

No final de fevereiro, o mercado brasileiro de soja foi sacudido com a perspectiva de queda na área plantada com a oleaginosa nos Estados Unidos em 2015. O levantamento divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) no Fórum Anual Outlook indicou que a soja irá ocupar uma área de 83,5 milhões de acres nas lavouras americanas.

Isso corresponde a uma queda de 0,24% em relação ao recorde de 83,7 milhões acres em 2014. O Usda contrariou as indicações anteriores, que apontavam para um novo aumento na área naquele país.

Algumas projeções privadas chegaram a igualar área entre milho e soja em torno de 88 milhões de acres. Tais projeções baseavam-se na relação de troca soja-milho. Em linhas gerais, o patamar de 2,20 na cotação serve de parâmetro. Abaixo dessa referência, o mercado é mais favorável ao milho que à soja. Já acima de 2,20 a soja é mas vantajosa. Tomando como base o fechamento do vencimento maio/15 na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para soja-milho, a relação fica em 2,55, ou seja, favorável à soja.

A justificativa para a cautela do Usda em sua projeção de área para a oleaginosa são os baixos preços do produto no mercado internacional. O Usda apontou produção de 103,4 milhões de toneladas para a temporada 2015/16, o que corresponde a um recuo de 4,2% em relação a 2014/15.

Trata-se de uma primeira impressão, ainda bastante preliminar e muito contaminada pelo mal-estar gerado pela queda nos preços internacionais dos grãos. Tal sentimento fica bem evidente, uma vez que as projeções indicam queda na área soja, milho e trigo.

Enfim, números não são definitivos e sujeitos a revisões. O fato é que o primeiro movimento do Usda com indicações para a próxima safra americana causou alta nos preços da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago, o principal referencial para os preços mundiais. Os contratos com entrega no mês de março subiram de US$ 9,95 por bushel no fechamento do dia 18, véspera do encontro, para US$ 10,16 no dia 24 de fevereiro, acumulando uma valorização de mais de 2%.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO TEM PREÇOS PRÓXIMOS À ESTABILIDADE

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão encerrou os primeiros 20 dias de fevereiro com preços próximos à estabilidade e com pouca movimentação – já que a oferta de pluma de boa qualidade é escassa. No Cif de São Paulo, a fibra de alto padrão ficou por volta de R$ 1,68 a libra-peso no dia 19, ante R$ 1,67 na semana anterior. Quando se compara ao mesmo momento do mês passado, acumulava perdas de 0,59%. Na comparação com igual período de 2014, a queda ainda era de 25,66%, quando custava R$ 2,26.

Em janeiro, Mato Grosso exportou 32,3 mil toneladas de pluma de algodão para os destinos rotineiros, como Indonésia, China e Coreia do Sul. Mesmo registrando queda de 50% ante o valor embarcado em dezembro, o saldo pode ser considerado positivo, uma vez que o volume exportado fez com que janeiro de 2015 se tornasse o terceiro melhor janeiro na história para o estado. As informações constam no Boletim de Grãos e Fibra, publicado semanalmente pelo do Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola.

Além disso, essa queda não surpreende, já que quase 86% dos embarques totais esperados para a safra 2013/14 foram realizados entre julho e dezembro de 2014, e a quantidade de pluma em qualidade suficiente para atender o mercado externo já está consideravelmente escassa. Por isso, o quadro daqui em diante deve ser de quedas mensais até o mês de agosto, quando a produção da safra 2014/15 estiver disponibilizada para novos embarques, reaquecendo as movimentações para o mercado externo.Outro fato de destaque é que o preço da tonelada em janeiro atingiu o menor patamar desde março/2011, com valor médio em janeiro/15 de US$ 1.654,72/t.


CAFÉ

CHUVAS RETORNAM E PREÇOS CAEM AOS NÍVEIS MAIS BAIXOS EM UM ANO

Lessandro Carvalho - [email protected]

Os preços do café voltaram a cair com força ao longo de fevereiro na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures), que baliza a comercialização internacional. O retorno das chuvas ao cinturão cafeeiro do Brasil, atenuando as preocupações em torno da safra de 2015, foi o principal fator baixista, mas não o único. O câmbio foi outro componente negativo. A valorização da moeda americana ante o real trouxe pressão aos preços futuros do arábica na Bolsa de NY e também ao robusta em Londres.

Em Nova York, o arábica registrou os patamares mais baixos em mais de um ano (até o dia 23), enquanto em Londres o robusta caiu menos no comparativo com o referencial nova-iorquino. Embora se saiba que a quebra da safra de 2015 é irreversível, essas precipitações no Sudeste, especialmente, trazem o sentimento de que o quadro pode ser melhor que o imaginado. Então, começam a surgir números revisando para cima a expectativa da produção em 2015 do Brasil, e o mercado vai reagindo negativamente a isso.

Em relação ao câmbio, quanto mais o real estiver desvalorizado em relação ao dólar, mais o Brasil ganha em competitividade nas exportações, que estão bem sólidas nesta temporada 2014/15. Naturalmente, isso também traz pressão sobre as cotações. Enquanto isso, no Brasil, o mercado travou com as perdas externas em NY. O produtor se afastou da comercialização e o comprador espera por oportunidades melhores. Por outro lado, a subida do dólar traz sustentação aos preços do café em reais. Ou seja, em reais, os preços caíram bem menos que na Bolsa de NY. E o conilon inclusive avançou por conta do dólar, já que o robusta em Londres caiu pouco no balanço do mês de fevereiro.


MILHO

USDA SURPREENDE COM PROJEÇÕES CONSERVADORAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

No tradicional Fórum do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), em fevereiro, procura-se discutir todo o agronegócio norte-americano e sugerir propostas a frente de forma a melhorar o desempenho futuro. Esse relatório chamou a atenção do mercado pelo modelo extremamente conservador colocado nas projeções de longo prazo. A primeira pode-se dizer que é a projeção para área plantada nos Estados Unidos com soja e milho. Segundo o Usda, a área plantada com soja cairá de 84 milhões para 79 milhões de acres nos próximos dez anos e a de milho não superará 90 milhões no período. É claro, em um país sem fronteira agrícola, a elevação de área é sempre um limitante. Mas a perda de área da soja sem dúvida deveria encontrar uma expansão em outra cultura. Também parece difícil que a soja encontre espaço para corte de áreas nos próximos anos pelo simples fato de que a demanda mundial continuará crescendo.

Esse contexto de área plantada é fundamental, pois se soja e milho não elevarem área plantada e apostarem apenas na produtividade, o espaço para a América do Sul seguir em expansão estará definido. Um ponto que merece uma atenção maior diz respeito à expectativa em relação à demanda interna norte-americana no segmento milho. O consumo total do cereal nos EUA é esperado com expansão de 700 milhões de bushels, aproximadamente, chegando a 12,6 bilhões de bushels ou 320 milhões de toneladas. A primeira visão é de que o crescimento é modesto frente ao que ocorreu nos últimos dez anos.

Porém, a surpresa geral é de que a demanda de milho para etanol não crescerá mais nos próximos dez anos, ou seja, se manteria em 5,2 bilhões de bushels praticamente o mesmo esperado para 2015, ou 132 milhões de toneladas. Estagnação do setor de etanol nos EUA com exportações atingindo recordes e com a entrada do E15 certamente parece uma estimativa conflitante. Uma aposta em uma gasolina barata para sempre? O xisto norte-americano resolvendo todos os problemas de combustíveis? E a demanda mundial?

Para compensar essa projeção bastante conservadora na demanda interna para o segmento de etanol, a projeção é de uma retomada das vendas na exportação para o milho em 600 milhões de bushels. Estariam os EUA abandonando a política do etanol para voltar a ser um exportador pleno de milho?