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SOJA: DECISÕES E OPORTUNIDADES


As vendas antecipadas da safra de soja 2014/2015 estão bem abaixo dos índices registrados nos anos anteriores. Segundo o especialista Iván Barbero, uma das razões para explicar esse comportamento do mercado está na rentabilidade: considerando um campo próprio no Sul de Santa Fé, a relação da margem bruta/custos com os preços atuais é a segunda mais baixa dos últimos 10 anos. É preciso considerar que esse número faz referência ao melhor dos cenários, em uma zona núcleo onde não é necessário pagar pelo arrendamento. Em terras marginais, a atividade evidencia níveis de rentabilidade muito escassos, e inclusive negativos. Diante dessa realidade, nesse momento os produtores temem negociar a produção. Segundo os técnicos da Globaltecnos, diante do contexto dos preços baixos, só é possível esperar por uma recuperação se houver complicações com o clima ou com a demanda. Por isso, é fundamental que os produtores estejam preparados para tomar decisões diante de oportunidades de curta duração. Com o volume de soja de 2013/2014 que resta a ser comercializado no país, além da safra que será colhida, é recomendável realizar vendas para aproveitar os preços atuais, ainda mais diante de um mercado que mostra que em maio os valores deverão estar ainda mais baixos.


TRIGO

É decepcionante a situação do produtor de trigo argentino, já que virtualmente não pode vender o cereal diante de um mercado que sofre intervenção e não apresenta demanda de compradores. Entre as pesquisas privadas, a safra é de 11,2 milhões de toneladas, mas o Governo afirma que a colheita superou as 13 milhões de toneladas.


SOJA

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu a estimativa de plantio da oleaginosa para 20,4 milhões de hectares. A última estimativa indicava 20,6 milhões de hectares.


LEITE

O clima entre os produtores é de preocupação. Os preços estão estagnados em US$ 0,35 o litro (dólar oficial) ou US$ 0,21 o litro (dólar paralelo), o que é insuficiente para cobrir os custos, e a indústria sinaliza com novas reduções.


CARNE

Os preços, que tiveram recuperação no final de 2014 em função do período de festas, voltaram a retroceder. O novilho jovem tem valores de US$ 2 o quilo vivo (dólar oficial) ou US$ 1,21 o quilo vivo (dólar paralelo).


RETENÇÃO EM DÚVIDA

Segundo o analista Miguel Gorelick, parece muito difícil que se sustente, ao longo de 2015, a fase de expansão do rebanho iniciada no final de 2013. Em relação ao panorama internacional, é preciso considerar que, devido à pouca exposição da Argentina no mercado mundial de carnes - algo que é negativo -, os efeitos dos acontecimentos externos serão menores. De qualquer forma, existe uma chance de que 2015 seja melhor para a pecuária do país. Mesmo com os prognósticos atuais, pode ser possível que a fase de retenção do rebanho mantenha-se baseada no momento instável da agricultura e em decisões para manter e alimentar por mais tempo os animais jovens em vez de vendê-los para o abate precoce. Além disso, os pecuaristas devem prestar atenção ao cenário e antecipar as possíveis mudanças políticas do final do ano e suas consequências para o segmento das carnes.


BALANÇO NEGATIVO

Nos últimos anos, em torno de 300 estabelecimentos leiteiros foram fechados na Argentina por falta de rentabilidade. O impacto é notável principalmente nas pequenas localidades. O baixo preço que a indústria vem pagando é a principal causa para que a produção não cresça no país. Somado a esse fator, o incremento constante dos custos não ajuda a fortalecer a cadeia. A produção nacional de leite está praticamente nos mesmos níveis de 15 anos atrás: entre 10 bilhões e 11 bilhões de litros anuais. Obviamente, esse não é um bom sinal. A questão-chave para o crescimento do setor é a ampliação do rebanho de vacas leiteiras. Os representantes da cadeia consideram provável que em 2015 aconteça a recuperação da produção perdida em 2013 e 2014, alcançando novamente os 11,3 bilhões de litros. Para isso, também será necessário não enfrentar questões climáticas tão adversas quanto as que ocorreram no ano passado.